Uma frente fria avançou na última quinta-feira, 12, trazendo um fenômeno peculiar e preocupante: a chuva preta. Este fenômeno, que combina precipitação de água com fuligem, foi registrado em quatro países da América do Sul, conforme informações da MetSul Meteorologia.
Com a movimentação do sistema frontal através das latitudes médias, diversas áreas cobertas por densa fumaça de queimadas experienciaram a chuva preta.
Cidades do interior do Rio Grande do Sul, norte do Uruguai, províncias argentinas de Corrientes e Missiones, oeste de Santa Catarina, e sul do Paraguai foram afetadas.
Ocorrência da chuva preta
A chuva preta ocorre quando a fuligem, composta principalmente por carbono proveniente da combustão incompleta de materiais orgânicos, se mistura com a umidade do ar e precipita junto com a água.
Esse fenômeno não é necessariamente de cor preta, mas indica altos níveis de poluição.
No sul do Paraguai, especialmente na região de Itapúa, a combinação de nuvens carregadas com a fuligem fez com que o dia virasse noite, trazendo uma escuridão assustadora ao meio-dia.
Segundo relatos locais, houve tempestades acompanhadas de granizo e nuvens de grande desenvolvimento vertical.
Consequências da fuligem
A fuligem é um material particulado que pode permanecer suspenso no ar por longos períodos e percorrer grandes distâncias.
Formada pela combustão incompleta de combustíveis fósseis e biomassa, ela pode ter sérios impactos ambientais e na saúde humana.
Quando a fuligem se mistura com a umidade nas nuvens, ela age como núcleos de condensação, formando gotas contaminadas que precipitam como chuva preta.
Esta pode afetar corpos d’água, solos e vegetação, além de deixar uma camada de sujeira em superfícies urbanas, aumentando os custos de manutenção.
Áreas afetadas pela chuva preta
Na última quinta-feira, Porto Alegre e grande parte do interior do Rio Grande do Sul presenciaram uma situação incomum de poluição, com enorme quantidade de fumaça junto à superfície, céu laranja e qualidade do ar considerada ruim ou muito ruim.
A chuva preta foi registrada também no norte do Uruguai, províncias argentinas de Corrientes e Missiones, oeste de Santa Catarina e diversas áreas do sul do Paraguai.
Essa combinação de chuva e fuligem marcou profundamente as regiões afetadas.
Imagem: Inmet
Previsões de chuvas com fuligem
As previsões da MetSul Meteorologia indicam que muitas nuvens continuarão a persistir no Rio Grande do Sul devido à atuação de uma frente semi-estacionária e um centro de baixa pressão atmosférica.
A maioria das cidades do estado deverá registrar chuva, podendo ser localmente forte com granizo isolado.
Há também a possibilidade de chuva preta em diversas regiões de Santa Catarina, com exceção do nordeste do estado, que não deve ter precipitação.
A chuva preta pode cair ainda no sudoeste do Paraná e diversas outras regiões conforme o avanço do sistema frontal no fim de semana.
Impactos da chuva preta
- Degradação de superfícies urbanas
- Aumento dos custos de manutenção
- Contaminação de solos e corpos d’água
- Problemas respiratórios nas populações afetadas
Medidas prevenção
- Evitar atividades ao ar livre durante a chuva preta
- Instalação de filtros em sistemas de ventilação
- Monitoramento constante da qualidade do ar
- Campanhas de conscientização sobre o impacto das queimadas
Fonte: MetSul Meteorologia e O antagonista