O ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social) afirmou nesta quarta (13) que o uso dos cartões do Bolsa Família nas plataformas online de apostas será bloqueado imediatamente após uma decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Dias destacou que a medida do STF tem efeito imediato, acelerando uma regulamentação que só entraria em vigor em 2025 de acordo com a regulamentação.
“A lei que regulamentou os jogos obrigava um prazo de seis meses para medidas como essa. O que o governo queria fazer levaria seis meses para entrar em vigor, só ia entrar em 2025. Agora, com a decisão do Supremo, entra em vigor imediato”, disse durante um evento mais cedo no Rio de Janeiro.
A determinação de Fux obriga o Ministério da Fazenda a adotar, de forma imediata, mecanismos que impeçam o uso de benefícios como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) em apostas virtuais. A medida foi concedida em caráter liminar e ainda precisa ser confirmada pelo plenário do STF.
Mesmo assim, Dias demonstrou confiança na necessidade, afirmando que a decisão vai de encontro a um pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“A decisão do ministro Luiz Fux combina com a posição do presidente Lula. Ele reuniu os seus ministros e falou: ‘olha, é preciso dar um freio’ [nas apostas]. Vamos ter que regulamentar, impedindo o uso de cartões [de benefício social], todos os cartões, inclusive Bolsa Família e BPC, em apostas, em jogos e mais”, pontuou.
Segundo o ministro, Lula recentemente discutiu com os membros do governo a urgência em regulamentar o uso destes recursos, para frear o envolvimento de beneficiários nas plataformas de apostas. O presidente chegou a ameaçar proibir a atuação das bets no Brasil se a população for afetada.
Wellington Dias reforçou, ainda, que a decisão do STF é um passo importante para proteger os cidadãos mais vulneráveis, garantindo que os recursos destinados a programas sociais sejam utilizados para o propósito que foram criados.
A decisão de Fux se soma ao pedido de inconstitucionalidade feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR) na última segunda (11), para que o STF suspenda os efeitos das leis e portarias que regulamentam as bets no Brasil.
“A legislação é insuficiente para proteger direitos fundamentais dos consumidores, em face do caráter predatório que o mercado de apostas virtuais ostenta”, disse o procurador-geral Paulo Gonet Branco na ação.
Fonte: Gazeta do Povo