A Liga dos Direitos Humanos (LDH) divulgou um comunicado, em 26 de novembro, onde relata ter encontrado com “estupefação e consternação” diversas definições que, segundo a organização, refletem uma visão “no mínimo arcaica” do mundo contemporâneo.
As críticas recaem sobre a nova edição do Dicionário da Academia Francesa, apresentada ao presidente francês no dia 14 de novembro. As definições dos termos “mulher”, “raça” e “heterossexualidade” foram duramente criticadas.
Em entrevista ao jornal Le Figaro, Frédéric Vitoux, presidente da Comissão de Enriquecimento da Língua Francesa, manifestou surpresa: “Se acham a definição de ‘raça’ chocante, que expliquem seus motivos.”
Claude Lévi-Strauss
A LDH apenas destacou estar perplexa com o tratamento dado ao termo pela Academia, afirmando que ele carrega “grandes implicações no mundo em que vivemos”, sem elaborar mais detalhes.
A definição criticada descreve raça como “cada um dos grandes grupos nos quais se divide superficialmente a espécie humana, segundo características físicas distintivas mantidas ou desenvolvidas devido ao isolamento geográfico prolongado”.
Frédéric Vitoux defendeu a escolha feita para essa definição, afirmando ter sido baseada nos conceitos do renomado antropólogo Claude Lévi-Strauss. Ele relembrou os desafios enfrentados na formulação dessa descrição durante a revisão do dicionário: “Acreditamos que Lévi-Strauss seria a pessoa mais qualificada para propor uma definição precisa e equilibrada.”
O que é mulher?
Outro ponto de discórdia é a definição de “mulher”. Segundo o dicionário, mulher é “um ser humano definido por suas características sexuais que lhe permitem conceber e dar à luz crianças”.
“Devemos concluir que mulher estéril ou menopausada não o é?”, critica a LDH, ao que o acadêmico retruca: “Definir homens e mulheres pelas características sexuais não significa que tenham necessariamente filhos…”
Fonte: O antagonista