Marcio Pochmann acaba de inaugurar uma nova fase da crise em que o IBGE está imerso desde o ano passado. O presidente do IBGE pediu, em novembro, que o MPF apurasse supostas irregularidades e conflito de interesses cometidos por servidores do órgão.
O próprio Pochmann revela o pedido num texto assinado por ele. Nele, sugere que parte da movimentação pública dos funcionários contra ele teria se iniciado depois que ele solicitou análise da promotoria sobre o tema.
Dias atrás, 134 servidores (125 em cargos de chefia) assinaram uma carta aberta em repúdio a Pochmann. E quatro diretores oficializaram suas demissões desde o ínicio do mês — uma dupla de diretores deixou o IBGE. O principal descontentamento, entre outros, remete à decisão de Pochmann de criar a Fundação IBGE+, considerada pelos seus críticos uma espécie de organização paralela. Essa fundação tiraria o protagonismo do próprio IBGE nas pesquisas do país.
No fogo cruzado, Pochmann agora chama a atenção para a suposta existência de consultorias privadas de servidores do IBGE, instaladas ilicitamente no órgão. Um dos exemplos que ele menciona é a Science (Sociedade para o Desenvolvimento da Pesquisa Científica). Segundo o presidente, servidores ativos e inativos fazem parte da firma, incluindo um de seus antecessores. Documentos enviados ao MPF, com menções a esses nomes foram trazidos a público junto com o texto.
Há ainda uma menção a um aporte de US$ 50 mil feito pelo próprio IBGE para o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). E, na sequência, um repasse do banco para a Science. O projeto em que o órgão estatístico desembolsou a quantia era referente a pesquisas ambientais, com foco em mudanças climáticas. No edital, de 2023, a Science teria indicado, conforme destaca Pochmann, a sede do IBGE no Rio de Janeiro como local de prestação de serviços da empresa — o que evidenciaria o uso inadequado das instalações e dos recursos do IBGE pelos servidores envolvidos.
Escreve a Presidência do IBGE no comunicado tornado público hoje:
“A despeito de toda a pressão sobre a Administração do IBGE, esta mantém presente compromisso e missão legal de apurar cabalmente toda e qualquer possível irregularidade dentro do IBGE (…). Não será dissuadida de sua missão legal de apurar toda e qualquer possível irregularidade dentro do serviço público no Instituto (…). Considera absurda insinuações de que a apuração de irregularidades possa ser qualificada como medida autoritária (…)”.
Por fim, também é dito que “a saída recente de diretores do IBGE não tem relação com as denúncias”. E que o caso não vai interferir, na avaliação de Pochmann, no trabalo e no rigor estatístico do órgão
Fonte: O Globo