Washington, 11 de março de 2025 – Após acompanhar o presidente Donald Trump em Mar-a-Lago e voar no Air Force One, Elon Musk, CEO da Tesla, anunciou no X um plano para dobrar a produção de veículos da empresa nos Estados Unidos em dois anos. O post, que incluía bandeiras americanas e apoio às políticas de Trump, veio em meio a uma queda de 15% nas ações da Tesla na segunda-feira, atribuída à concorrência de montadoras chinesas e europeias e à percepção de queda na demanda. Enquanto isso, lojas da Tesla em várias cidades americanas têm sido alvo de protestos e vandalismo, como pichações e coquetéis molotov, intensificados desde a posse de Trump, em janeiro.
A proximidade de Musk com Trump, reforçada por seu papel no Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) – uma iniciativa para cortar gastos federais –, tem gerado reações opostas. Críticos progressistas ligam os ataques às lojas à influência de Musk no governo, acusando-o de beneficiar suas empresas, enquanto Trump defendeu o bilionário, exibindo um Tesla Model S vermelho na Casa Branca como “sinal de confiança”. O presidente culpou “lunáticos da esquerda radical” pelos incidentes, mas analistas questionam a viabilidade do plano de Musk, apontando a queda na demanda global por veículos Tesla e o impacto da polarização associada ao CEO entre consumidores liberais, historicamente a base de clientes da empresa.
Apesar do apoio político de Trump, que pode trazer incentivos e menos regulações, a Tesla enfrenta um paradoxo: a aliança com o governo fortalece sua posição doméstica, mas os custos políticos, como os protestos e a perda de apelo em mercados como Europa e China, podem dificultar a meta anunciada. Especialistas, como Lindsay James, da Quilter Investors, destacam que dobrar a produção exige superar desafios econômicos e de imagem. A empresa não comentou os planos ou os ataques até o fechamento desta matéria.
Por Júnior Melo