O governo da Turquia confirmou neste domngo, 30, que o jornalista sueco Joakim Medin (foto) foi preso em Istambul sob acusações de “terrorismo” e “insulto” ao presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.
Segundo o regime turco, Medin foi detido ao chegar ao aeroporto de Istambul na última quinta-feira, 27 de março, e encarcerado no dia seguinte.
Ainda de acordo com o governo, o jornalista participou de uma manifestação do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) em Estocolmo, Suécia. O PKK é classificado como organização terrorista pela Turquia.
Medin é acusado de ter participado de um protesto em 11 de janeiro de 2023, no qual um boneco representando Erdogan foi queimado. Ele também é suspeito de facilitar contatos entre a imprensa e o PKK.
O Gabinete de Investigação de Crimes Terroristas da Procuradoria-Geral de Ancara informou que investiga o caso desde 13 de janeiro de 2023, incluindo outros 14 suspeitos.
De acordo com o jornal sueco Dagens ETC, onde Medin trabalha, o jornalista enviou uma mensagem ao editor informando que havia sido detido para “interrogatório” logo após sua chegada a Istambul.
O editor-chefe do jornal, Andreas Gustavsson, disse que Medin conseguiu se encontrar com um advogado na Prisão de Maltepe, onde está mantido em isolamento. Até o momento, nenhuma acusação formal foi apresentada contra ele.
O governo sueco declarou que a libertação de Medin é uma “prioridade absoluta”.
Onda de protestos
A prisão de Medin ocorre em meio a um aumento na repressão à imprensa na Turquia.
Desde a prisão do prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, em 19 de março, um jornalista da BBC foi expulso e pelo menos dez jornalistas turcos foram presos.
Medin é o segundo jornalista estrangeiro detido no país neste período.
A prisão de Imamoglu provocou uma onda de protestos na Turquia.
No sábado, milhares de pessoas saíram às ruas em protesto contra Erdogan.
O Partido Social-Democrata CHP, maior legenda da oposição, convocou a manifestação como forma de apoio a Imamoglu, candidato presidencial para as eleições de 2028, e considera que as acusações contra ele são um pretexto para barrá-lo da disputa.
Dilek Imamoglu, esposa do prefeito preso, e o presidente da câmara de Ancara, Mansur Yavas, discursaram no ato. O partido pró-curdo DEM, a terceira maior força no parlamento, também apoiou o protesto e incentivou seus seguidores a comparecerem.
Fonte: O Antagonista