Casa Nóticias Dino diz que STF confirma 97% das decisões monocráticas – Paulo Figueiredo

Dino diz que STF confirma 97% das decisões monocráticas – Paulo Figueiredo

por admin
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Para o ministro, decisões individuais “não derivam de um suposto pendor autoritário ou de personalismos de julgadores”

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino publicou nesta 2ª feira um artigo na revista Carta Capital em que rebate críticas sobre o excesso de poder individual dos magistrados decorrente das decisões monocráticas, em prejuízo da colegialidade.

Na publicação, afirma que o modelo de decisões individuais não deriva de “personalismos“, mas de regras jurídicas essenciais para o funcionamento do sistema de precedentes.

Abaixo, os principais pontos abordados pelo ministro:

  • Aprovação coletiva: Dino cita dados de 2025, quando o STF julgou 16.736 agravos internos (recursos contra decisões individuais). Em 97% dos casos, os magistrados mantiveram a decisão do relator, o que demonstraria, segundo o ministro, que os atos individuais refletem a jurisprudência consolidada do tribunal;
  • Produtividade: o STF profere, em média, mais de 500 decisões colegiadas por semana. Dino afirma que não há falta de colegialidade, mas sim um volume elevado de atos processuais que a lei atribui aos relatores para garantir agilidade;
  • Risco de colapso: o ministro defende que, se os relatores não pudessem decidir individualmente sobre temas previstos no Código de Processo Civil e no Código de Processo Penal, o tribunal enfrentaria um “colapso jurisdicional” e uma morosidade ainda maior;
  • Poder individual: Dino nega que o poder dos ministros tenha crescido por desejo pessoal, mas afirma que isso decorre da ampliação do controle de constitucionalidade promovida pela Constituição de 1988 e de crises decisórias em outros Poderes da República.
  • Convivência social: o magistrado afirma que ouvir políticos, advogados e jornalistas em eventos públicos faz parte de uma “saudável convivência social” e não compromete a imparcialidade, desde que seja respeitada a fidelidade ao ordenamento jurídico;
  • Reforma do Judiciário: o ministro declara-se favorável a uma reforma que enfrente anomalias como os “penduricalhos” salariais e fraudes com precatórios, mas alerta que diagnósticos equivocados sobre o STF podem levar a soluções “desastrosas“.

Dino conclui que a proteção contra eventuais abusos de poder individual está na fundamentação consistente das decisões e na possibilidade de as partes envolvidas apresentarem recursos para julgamento colegiado em plenário ou nas turmas.

TENSÃO

A publicação se dá em meio ao embate entre o STF e o Congresso, 1 dia depois de o ministro Alexandre de Moraes suspender a aplicação da Lei da Dosimetria para condenados pelas manifestações do 8 de Janeiro.

A decisão gerou protestos de líderes partidários, que classificaram o ato como uma “invasão de jurisdição” e uma “afronta à soberania” do Legislativo.

Congressistas da oposição articulam pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes e propostas de emenda à Constituição para limitar as decisões individuais.

Crédito Poder360



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