Caminhoneiros de todos os estados do país estão se mobilizando para, na próxima semana, irem a Brasília em protesto contra o presidente da Câmara, Hugo Motta, por não dar andamento à MP que auxilia a categoria, afetada pela guerra no Oriente Médio.
A mobilização foi confirmada de forma reservada a este site por uma das lideranças da categoria, que quer se reunir com o presidente da Casa.
A Medida Provisória (MP) 1.343/2026 foi adotada pelo governo Lula (PT) como resposta à pressão de caminhoneiros diante da alta dos combustíveis no auge do conflito no Oriente Médio. O texto endureceu as punições para o descumprimento do piso do frete, o que agradou à categoria.
A chamada “MP do Frete” ou “MP dos Caminhoneiros” está com a tramitação parada na Câmara desde que chegou ao Congresso Nacional, em 19 de março. Para ser convertida em lei, precisa ser aprovada até 12 de julho, sob risco de perder a validade.
O início da análise depende da instalação da comissão mista que vai avaliar a proposta, o que ainda não ocorreu. A ida dos caminhoneiros a Brasília, segundo a liderança ouvida, tem como objetivo “pressionar” Motta pela instalação do colegiado.
O deputado Zé Trovão (PL-SC) chegou a ser indicado por Motta como relator da MP, demanda feita pela categoria por ele ser caminhoneiro.
No entanto, Motta segue sem avançar com a proposta. Fontes na Câmara afirmaram a este site que o presidente da Casa está “sentado” na proposta, pois está “articulando” a suspensão de Zé Trovão pela “ocupação” da Mesa Diretora do plenário da Câmara em 2025.
Na terça-feira da semana passada (05), o Conselho de Ética da Câmara aprovou relatório que recomenda a suspensão de Zé Trovão (PL-SC) e de outros dois parlamentares por dois meses pelo episódio. Os parlamentares já anunciaram que vão recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.
Caso o recurso seja rejeitado, o caso segue ao plenário da Câmara, que dará a decisão final sobre a punição. Enquanto isso, os caminhoneiros seguem sem definição sobre o andamento da proposta.