Casa Nóticias Investigação sobre “Careca do INSS” e Lulinha trava na PF por falta de efetivo – Paulo Figueiredo

Investigação sobre “Careca do INSS” e Lulinha trava na PF por falta de efetivo – Paulo Figueiredo

por admin
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A operação Sem Desconto, que apura o esquema bilionário de descontos indevidos em benefícios do INSS, enfrenta um déficit histórico de pessoal, o que deve atrasar de forma expressiva as apurações. Entre as suspeitas investigadas estão as ligações entre Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A Polícia Federal teria informado ao ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que as investigações estão atrasadas e devem ser prorrogadas significativamente.

A corporação conta hoje com cerca de dez servidores dedicados ao caso, quando a estimativa interna aponta a necessidade de pelo menos quatro vezes mais policiais para sustentar o ritmo de trabalho exigido pelo ministro do STF. Esse foi um dos motivos pelos quais a PF pediu a Mendonça, em junho, a prorrogação das investigações por mais 60 dias. No ritmo atual seriam necessários ao menos seis meses para análise do material.

Desde a deflagração da primeira fase da operação, em abril de 2025, até o momento, metade do material recolhido em diferentes fases teria sido analisado pelos peritos e investigadores.

O detalhe que torna esse déficit particularmente sensível seria o alcance da investigação. Entre as diligências conduzidas pela PF estiveram pedidos de quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático de investigados, entre eles, Lulinha. As medidas também miram a possível proximidade entre ele e o “Careca do INSS”, apontado como peça central no esquema de descontos fraudulentos em aposentadorias e pensões.

Para investigadores que acompanham o caso de perto, a escassez de efetivo, somada a mudanças recentes na equipe responsável pela condução do inquérito, alimenta uma suspeita: a de que o esvaziamento da força de trabalho para a apuração poderia, ainda que sem intenção declarada, beneficiar indiretamente os investigados. O governo federal e a direção da Polícia Federal negam qualquer motivação política e sustentam que as alterações têm caráter exclusivamente administrativo.

Mudança tirou delegado da linha de frente após pedido de quebra de sigilo

Em abril, a Polícia Federal alterou a coordenação interna do inquérito que apura as fraudes do INSS, transferindo a condução do caso para outra estrutura dentro da corporação. A mudança administrativa retirou da linha de frente da investigação um delegado que havia solicitado ao Supremo, semanas antes, medidas relacionadas à quebra de sigilo bancário de pessoas ligadas ao caso, entre elas, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

A coincidência entre o pedido de quebra de sigilo envolvendo o filho do presidente e a posterior remoção do delegado responsável por essa solicitação alimentou, entre investigadores e integrantes do Judiciário, a percepção de que decisões administrativas aparentemente técnicas estariam produzindo efeitos negativos sobre apurações politicamente sensíveis.

A defesa de Lulinha negou qualquer relação comercial com Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Os advogados do filho do presidente afirmam desconhecer qualquer fraude ligada ao INSS. Eles afirmaram que quando Lulinha se comunicou com Antunes, ele não tinha conhecimento dos esquemas envolvendo a Previdência.

Crédito Gazeta do Povo



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