Líder da direita recorre à Corte de Cassação depois de condenação por desvio de recursos do Parlamento Europeu
A líder da direita francesa, Marine Le Pen (Reagrupamento Nacional), confirmou na 3ª feira que disputará a Presidência da França em 2027. O anúncio foi feito depois de a Corte de Apelação de Paris manter sua condenação por desvio de recursos do Parlamento Europeu, mas reduzir o período de inelegibilidade, o que permite sua candidatura.
A eleição presidencial será realizada no ano que vem. O 1º turno está marcado para 18 de abril de 2027, e o 2º, para 2 de maio. O atual presidente, Emmanuel Macron, não poderá concorrer à reeleição por já ter cumprido 2 mandatos consecutivos.
Le Pen, líder do RN, publicou uma foto no Instagram com a legenda: “Sim, sou candidata à eleição presidencial”.
“Não há [cenário em que eu não seja candidata]. Estou aqui esta noite para dizer que sou candidata à eleição de 2027″, declarou aos jornalistas.
A Corte de Apelação confirmou a condenação de Le Pen em um processo sobre o uso de 2,8 milhões de euros em verbas destinadas a assistentes de deputados do Parlamento Europeu. Segundo a acusação, os recursos foram usados para pagar funcionários do partido na França de 2004 a 2016.
A decisão reduziu o período de inelegibilidade da líder do RN e autorizou sua participação na disputa. A sentença também determina o uso de tornozeleira eletrônica por 1 ano, mas a medida está suspensa até que a Corte de Cassação analise o recurso.
Le Pen afirmou que recorrerá à instância superior porque se considera inocente.
“A Corte de Apelação devolveu minha elegibilidade, portanto sou candidata à eleição presidencial. Agora, apresento recurso de cassação porque sou inocente dos fatos que me são imputados”, escreveu no X.
A candidata disse que sua campanha terá como eixo a “renascença da França”. Segundo ela, o programa tratará de educação, Justiça, segurança, controle de fronteiras e soberania.
A confirmação da candidatura encerra meses de especulação sobre uma possível substituição de Le Pen por Jordan Bardella, presidente do Reagrupamento Nacional. A líder da sigla afirmou que, se eleita, pretende nomeá-lo primeiro-ministro.
Le Pen chegou ao 2º turno das eleições presidenciais de 2017 e 2022, mas foi derrotada por Macron nas duas disputas. Em 2027, a eleição será a 1ª desde 2012 sem o atual presidente na cédula. Macron afirmou em abril que deixará a política ao fim do mandato, mas aliados e analistas não descartam um retorno em 2032.