O presidente Lula (PT) afirmou nesta quinta-feira (30) que seu filho, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, “jura todo dia” que é inocente das suspeitas investigadas pela Polícia Federal (PF) e disse que não usará o cargo para interferir nas apurações. Segundo o petista, caso o filho seja condenado, deverá responder como qualquer outro cidadão.
A declaração foi dada horas depois de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizar a abertura de um inquérito para investigar Lulinha por suspeita de tráfico de influência e corrupção em negociações envolvendo a comercialização de medicamentos à base de cannabis medicinal junto ao Ministério da Saúde.
Durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda., Lula afirmou que acredita na versão apresentada pelo filho, mas ressaltou que ele terá de responder à Justiça.
“Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa. Como eu. Não haverá nenhum privilégio. Jamais pedirei para um delegado e juiz fazer algo. Se ele fizer coisa errada, ele sabe o que eu passei. Ele sabe o que é um pai e cinco filhos ver chamado de ladrão. Ele jura para mim e eu acredito nele. Ele jura todo dia. Se ele for julgado, ele virá para cá. Ele vai ter que provar que é inocente. E se for culpado, vai ter que pagar.”
O presidente também afirmou que Lulinha é alvo de acusações há anos por causa de sua relação familiar com o chefe do Executivo.
“Esse meu filho desde 2006 vem sendo atacado para me atacar. Dizem que ele era dono de todos os gados da Friboi, da JBS, de carro de ouro.”
Investigação da PF
Mais cedo, o ministro do STF André Mendonça acolheu o pedido da Polícia Federal para instaurar um inquérito contra Lulinha. A corporação apura se o empresário teria utilizado sua influência para favorecer interesses da empresa World Cannabis em tratativas com o Ministério da Saúde.
A investigação é um desdobramento da Operação Sem Desconto, que apura fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS. Embora Lulinha tenha sido citado no inquérito relacionado ao “Careca do INSS”, a nova apuração trata de uma linha de investigação distinta, voltada à suposta atuação em favor de negócios ligados ao mercado de cannabis medicinal.