A maioria dos deputados federais e senadores avalia que a proposta de extinguir a escala de trabalho 6×1 poderá favorecer eleitoralmente o presidente Lula na disputa presidencial de 2026. É o que aponta levantamento do Ranking dos Políticos realizado com integrantes da Câmara e do Senado.
Segundo a pesquisa, 72,8% dos deputados federais afirmam que a proposta tende a produzir impacto positivo ou muito positivo para Lula. No Senado, esse percentual é de 67,9%. Apenas 6,4% dos deputados e 3,5% dos senadores consideram que a medida teria impacto negativo para o presidente.
O estudo foi realizado entre os dias 1º e 10 de julho com 112 deputados federais, de 16 partidos, e 28 senadores, de 11 legendas. A pesquisa respeitou a proporcionalidade das bancadas e incluiu parlamentares da base do governo, da oposição e independentes. A margem de erro é de 6,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Para o diretor-geral do Ranking dos Políticos, Juan Carlos Arruda, a discussão sobre o fim da escala 6×1 já produz efeitos políticos, independentemente do andamento da proposta no Congresso.
“O Congresso ainda discute o mérito e a viabilidade das propostas em tramitação, mas há uma percepção muito consolidada entre deputados e senadores de que esse tema dialoga diretamente com o eleitor. Ou seja, quase nenhum parlamentar vai se opor publicamente ao tema, somente à forma em que está em discussão.”
Segundo Arruda, a percepção predominante entre os parlamentares ajuda a explicar a relevância que o tema ganhou no debate político.
“A maioria dos parlamentares entende que o fim da escala 6×1 tem potencial para fortalecer eleitoralmente o presidente Lula, o que ajuda a explicar por que o assunto ganhou tanto espaço no debate político.”
O projeto que trata da redução da jornada semanal de trabalho, de 44 para 40 horas em até 14 meses, foi aprovado pela Câmara dos Deputados há cerca de dois meses e ainda aguarda avanço na tramitação no Senado.
Embora ainda não haja consenso para votação, diferentes propostas que alteram a jornada de trabalho ou substituem o modelo de seis dias de trabalho por um de descanso continuam em discussão no Congresso, impulsionadas pela atuação de centrais sindicais, movimentos de trabalhadores e pela repercussão nas redes sociais.