O senador Ciro Nogueira (PP-PI), candidato à reeleição, declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 34.610.258,62. O valor representa um crescimento de 48,45% em relação aos R$ 23,3 milhões informados nas eleições de 2018, quando conquistou o atual mandato no Senado.
A declaração de bens apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reúne participações societárias, aplicações financeiras, imóveis, veículos e recursos mantidos em espécie.
Entre os principais ativos estão R$ 15,09 milhões em lucros vinculados à empresa Ciro Nogueira Comércio de Motocicletas (CN Motos) e R$ 13,48 milhões aplicados em um fundo de renda fixa da Caixa Econômica Federal. O parlamentar também declarou R$ 2,29 milhões em um plano de previdência privada (PGBL).
A relação de bens inclui ainda um apartamento financiado, avaliado em R$ 800 mil, um veículo modelo 2023/2024 declarado em R$ 568,9 mil e R$ 760 mil em lucros provenientes de outra empresa.
Chamam atenção na declaração os R$ 180 mil mantidos em dinheiro em espécie, além de dois lançamentos referentes à blindagem de veículos, nos valores de R$ 108 mil e R$ 50 mil.
Investigação da PF
Nogueira é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. A Polícia Federal investiga suspeitas de que o senador teria recebido vantagens indevidas do banqueiro Daniel Vorcaro em troca da defesa de interesses da instituição financeira no Congresso Nacional.
Entre os fatos apurados está a apresentação, em 2024, de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que elevava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) por cliente. Segundo as investigações, a medida poderia beneficiar o Banco Master, cuja estratégia de captação estava baseada na emissão de CDBs protegidos pelo fundo. A proposta não foi aprovada.
Em maio deste ano, o senador foi alvo de mandado de busca e apreensão durante uma fase da Operação Compliance Zero.
O senador nega qualquer irregularidade e afirma ser alvo de perseguição política. Segundo o parlamentar, as investigações têm o objetivo de “manchar” sua honra em período eleitoral.