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‘Taxa das blusinhas não tem a ver comigo’

por admin
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O candidato do PT ao governo de São Paulo (SP), Fernando Haddad, negou na noite de ontem (10), em entrevista à CNN Brasil, ter responsabilidade pela criação da “taxa das blusinhas”. A cobrança sobre compras internacionais, no entanto, foi aprovada enquanto o petista era ministro da Fazenda do governo Lula (PT).

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“Não tem nada a ver com arrecadação, não tem nada a ver comigo, tem a ver com os governadores e com o Congresso Nacional”, disse o ex-ministro durante sabatina na emissora.

Haddad atribuiu aos governadores o início das discussões sobre a tributação de produtos importados. Segundo ele, a cobrança de ICMS foi defendida pelos Estados antes da criação da alíquota federal. “Fui procurado pelos governadores, inclusive pelo Tarcísio, para cobrar o ICMS das importações, então quem começou a cobrar a taxa foram os governadores”, declarou.

O petista também afirmou que a tributação federal foi incluída por iniciativa do Congresso. Segundo sua versão, Lula era inicialmente contrário à medida. A mudança de posição, ainda de acordo com Haddad, ocorreu depois de Arthur Lira (PP-AL), então presidente da Câmara, informar que a proposta tinha apoio unânime dos partidos e que um eventual veto seria derrubado.

Haddad reconheceu, durante a sabatina, que a medida petista gerou desgaste para o governo, mas disse que a associação da taxa a Lula foi feita por adversários. O candidato voltou a negar participação na criação da cobrança: “Não tem nada a ver com o presidente, não tem nada a ver comigo. Foi uma articulação de governadores de um lado e do Congresso Nacional de outro”.

Declarações anteriores do próprio Haddad, porém, mostram que ele defendia publicamente a “taxa das blusinhas” quando estava à frente da Fazenda. Em junho de 2024, durante a discussão no Congresso sobre o tema, o então ministro petista afirmou que a participação dos parlamentares no debate deveria ser “celebrada pela sociedade”.

Na ocasião, Haddad também afirmou que, com base nas informações reunidas pela Fazenda junto a diferentes setores, “chegou-se a esse denominador comum dos 20%” para as compras internacionais.

Após a sanção da proposta por Lula, o então ministro da Fazenda voltou a defender a cobrança e a apresentou como uma forma de “equilibrar o jogo” entre plataformas estrangeiras e o varejo brasileiro.

Em maio deste ano, o próprio Lula afirmou em entrevista que Haddad apoiava a medida. Ao comentar a decisão do governo de zerar a alíquota, o presidente disse que o ex-ministro “acreditava realmente que era uma coisa boa” e que havia defendido “com convicção” a cobrança como forma de proteger a indústria nacional.





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