O número de mortos no terremoto que atingiu a Colômbia na manhã de segunda-feira (10) subiu para 224. O novo balanço foi divulgado nesta terça-feira (11) pelas autoridades locais. Equipes de emergência continuam as buscas por pessoas que podem estar presas sob os escombros.
O terremoto teve magnitude 7,4 e atingiu principalmente a região oeste do país. Cali e Pereira estão entre as cidades mais afetadas. O tremor também provocou danos em Manizales e Quibdó, além de atingir outras áreas.
Segundo o balanço mais recente, 95 pessoas morreram em Cali e 72 em Pereira. Outras 13 mortes foram registradas em Chocó, região próxima ao epicentro.
Em Cali, prédios residenciais e estruturas públicas foram danificados. Parte de um hospital desabou, obrigando a retirada de pacientes. Cerca de 600 pessoas precisaram ser atendidas nas ruas após os danos à unidade de saúde.
Em Pereira, quarteirões inteiros foram atingidos. Equipes de resgate passaram a madrugada retirando destroços e procurando sinais de pessoas soterradas. Segundo a Cruz Vermelha colombiana, socorristas conseguiram identificar sons e outros indícios de possíveis sobreviventes sob os escombros.
A destruição também atingiu Manizales. Uma das torres laterais da catedral da cidade desabou durante o tremor. Aeroportos de Pereira, Manizales, Quibdó, Armenia, Cartago e Buenaventura tiveram as operações suspensas para inspeções estruturais.
Resgate continua
Policiais, militares, bombeiros e voluntários trabalham na retirada dos escombros. Em alguns pontos, os socorristas utilizam máquinas pesadas. Em outros, recorrem à força das próprias mãos para evitar novos desabamentos e localizar vítimas.
As equipes trabalham contra o tempo porque ainda há possibilidade de encontrar sobreviventes. Em Pereira, socorristas chegaram a trabalhar durante a madrugada em meio a interrupções no fornecimento de energia, utilizando principalmente sinais sonoros para identificar pessoas soterradas.
O governo colombiano decretou estado de emergência nacional. O presidente Abelardo De La Espriella, que assumiu o cargo poucos dias antes do terremoto, determinou o reforço das forças de segurança em Cali após relatos de saques. Cerca de 1 mil agentes foram enviados para a cidade. Cali e Pereira também adotaram medidas de restrição de circulação durante a noite.
O terremoto foi registrado a uma profundidade superior a 100 quilômetros. Segundo o Serviço Geológico Colombiano, foi o tremor mais forte registrado no país neste século. O órgão também registrou dezenas de réplicas após o abalo principal e alertou para a possibilidade de novos tremores.
A região do Eixo Cafeeiro, uma das áreas mais atingidas, já havia enfrentado uma grande tragédia sísmica em 1999. Naquele ano, um terremoto provocou mais de 1 mil mortes, principalmente nas proximidades de Armenia e Pereira.
Ajuda internacional
A tragédia mobilizou governos estrangeiros e organizações internacionais. Os Estados Unidos anunciaram uma contribuição de US$ 15,5 milhões para auxiliar a Colômbia nas ações de emergência. A União Europeia também colocou à disposição o sistema de observação por satélite Copernicus para apoiar as operações de resposta ao desastre.
Israel, México, Chile, Argentina e El Salvador também ofereceram assistência. O governo brasileiro manifestou disposição para ajudar a Colômbia diante da dimensão da tragédia.
O papa Leão XIV também se manifestou sobre o desastre e afirmou estar profundamente consternado com as consequências do terremoto.
O tremor foi sentido em Bogotá, Medellín e Cali e também em áreas próximas à fronteira com a Venezuela. Registros publicados nas redes sociais mostram edifícios balançando, estruturas desabando e moradores deixando prédios às pressas.
A Colômbia está localizada em uma região de intensa atividade sísmica, próxima à interação de diferentes placas tectônicas. O terremoto de segunda-feira, porém, se destacou pela magnitude e pela extensão dos danos provocados em áreas densamente povoadas.