Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, esteve pelo menos 18 vezes no Palácio do Planalto durante o atual mandato do presidente Lula (PT). Os registros, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), indicam que as visitas ocorreram em 15 dias diferentes, entre junho de 2023 e janeiro de 2025. As informações são do portal Metrópoles.
Segundo os dados fornecidos pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), as entradas e saídas totalizaram 23 horas e 26 minutos de permanência no prédio. O período de cada visita variou de 19 minutos a mais de quatro horas. O sistema de controle, porém, não informa o motivo ou o local exato para onde o visitante se dirigiu.
A frequência das visitas passou a ser analisada em meio a investigações da Polícia Federal que envolvem suspeitas relacionadas à atuação de Lulinha. O filho do presidente é citado em três inquéritos que apuram possíveis crimes como tráfico de influência e corrupção.
Conversas com integrantes do governo
Mensagens interceptadas pela PF e atribuídas a Lulinha e à lobista Roberta Luchsinger também mencionam contatos do empresário com integrantes do governo.
Em uma conversa de março de 2024, Lulinha afirmou que participava de reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que ocupava o cargo de chefe de gabinete da Presidência, e Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde.
Roberta Luchsinger também é investigada pela PF por sua relação com empresários interessados em negócios com o governo federal. Segundo os investigadores, a lobista recebeu R$ 1,5 milhão de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, investigado no caso dos descontos indevidos em benefícios previdenciários.
A PF identificou mensagens nas quais um interlocutor de Antunes afirma que parte de um repasse teria como destino o “filho do rapaz”. Os investigadores levantaram a possibilidade de a referência ser a Lulinha.
Orientação sobre cobrança a empresário
Outra conversa analisada pelos investigadores envolve Lulinha e Roberta. Na troca de mensagens, o empresário orienta a lobista a emitir uma nota fiscal para Cleber Ribas, empresário ligado à 3Structure IT Ltda., empresa que acumulou mais de R$ 80 milhões em contratos com o governo federal, segundo os dados citados na investigação.
“Emite a NF pro Cleber”, escreveu Lulinha. Roberta respondeu que já havia feito o procedimento. A PF também registra que Ribas havia procurado a lobista anteriormente para solicitar um encontro com Lulinha.
Em outra ocasião, Lulinha pediu a Roberta que convidasse Carlos Eduardo Gabas, ex-ministro da Previdência, para um encontro na Bahia. Na conversa, a lobista afirmou ter acionado outras autoridades e integrantes da administração pública.
Defesa nega atuação em assuntos públicos
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha, afirmou que as visitas ao Planalto eram de caráter pessoal. Segundo ele, o empresário frequentava o local para encontrar o pai e amigos.
“Qual é o problema? Honestamente, ele nunca tratou de nenhum tema. Ele é amigo de muita gente, a exemplo do secretário do presidente”, afirmou o advogado, em referência a Marcola.
Em nota, a Secretaria de Comunicação da Presidência informou que as visitas de Lulinha tiveram “caráter estritamente privado” e não envolveram assuntos relacionados à administração pública.
Segundo a Secom, as entradas no Palácio do Planalto “não produziram qualquer desdobramento administrativo”.
Os registros de acesso, por si só, não indicam que Lulinha tenha tratado de assuntos oficiais durante as visitas. As circunstâncias dos encontros são analisadas no contexto das investigações conduzidas pela Polícia Federal.