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PF demora 07 meses para entregar sigilo de Lulinha a Mendonça

por admin
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Relator da CPMI do INSS protocola convocações de Lulinha, senador Weverton Rocha e investigados da Operação Sem Desconto

A Polícia Federal levou mais de sete meses para enviar ao ministro André Mendonça os dados obtidos a partir das quebras de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O atraso foi um dos fatores que contribuíram para o aumento da tensão entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e a cúpula da corporação.

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Mendonça é relator dos inquéritos que apuram as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além das investigações sobre o Banco Master e sobre Lulinha. Em dezembro de 2025, o ministro havia determinado a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telemático do filho do presidente Lula no âmbito da apuração sobre os desvios contra aposentados e pensionistas.

Diante da demora no envio dos resultados, Mendonça determinou que a PF encaminhasse ao seu gabinete os dados brutos das diligências. A medida incluía a íntegra do material obtido nas quebras de sigilo.

A PF interpretou a ordem como uma interferência na autonomia da investigação. A corporação chegou a acionar a Advocacia-Geral da União (AGU) para avaliar um eventual recurso ao STF, mas nenhuma medida judicial foi apresentada.

Lulinha teria sido colocado no fim da fila

A condução da investigação já vinha sendo questionada antes do episódio. Em publicação de 31 de julho, este site já havia informado que Mendonça havia sido alertado sobre uma possível interferência na apuração envolvendo Lulinha.

Segundo o relato publicado pelo site, o ministro havia recebido informações sobre tratativas para retirar o delegado Guilherme Figueiredo Silva do comando do inquérito que investigava as fraudes no INSS.

Mendonça teria questionado a PF sobre a demora na análise de celulares apreendidos durante diferentes fases da operação. A corporação teria alegado falta de pessoal. Depois, segundo o mesmo relato, o ministro tomou conhecimento de que Lulinha, apesar de ser considerado alvo prioritário, havia sido colocado no fim da lista de investigados.

Ainda segundo a publicação, a situação se agravou quando a cúpula da PF tentou separar a investigação relacionada a Lulinha do bloco principal do caso INSS. A medida teria como consequência retirar a apuração da relatoria de Mendonça.

O sorteio eletrônico do STF, contudo, encaminhou o novo inquérito novamente ao gabinete do ministro. Mendonça então autorizou a abertura da investigação contra Lulinha por suspeitas de corrupção e tráfico de influência.

Investigação apura relação com Roberta Luchsinger

A PF investiga a relação entre Lulinha, a empresária Roberta Luchsinger e Marco Antônio Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.

Uma das linhas de investigação apura se Lulinha teria atuado para facilitar contratos de empresas com órgãos do governo federal. Entre os negócios analisados está uma possível atuação junto ao Ministério da Saúde relacionada à compra de medicamentos à base de cannabis.

Segundo a PF, mensagens encontradas durante a investigação mostram que Luchsinger enviou a Marcola um modelo de contrato relacionado ao fornecimento dos medicamentos.

A corporação também identificou uma mensagem que indica a compra de joias por Luchsinger para Ribeiro. Os itens foram avaliados em R$ 9,2 mil.

O caso integra um dos três inquéritos que tramitam no STF e têm Lulinha entre os alvos. As apurações investigam suspeitas de corrupção e tráfico de influência.

Empresa teria pago R$ 150 mil a amiga de Lulinha

Outro elemento citado nas investigações envolve a empresa 3Structure It Ltda. Segundo relatório da PF obtido pelo Metrópoles, a companhia teria pago R$ 150 mil a Roberta Luchsinger.

A empresa é apontada como uma das companhias para as quais Lulinha teria feito lobby junto ao governo federal. Mendonça autorizou, em 31 de julho, a abertura de inquérito para apurar suspeitas de tráfico de influência relacionadas à atuação do empresário junto à Dataprev e a outros órgãos públicos.

A defesa de Lulinha nega irregularidades e questiona a condução das apurações.

Dantas já havia cobrado Mendonça sobre o caso

Durante o programa ALive, o jornalista Claudio Dantas questionou Mendonça sobre a demora na investigação envolvendo Lulinha.

Dantas afirmou que havia informado anteriormente que a PF teria combinado com Mendonça que a apuração sobre o filho do presidente seria realizada “só depois das eleições”. Segundo o jornalista, o delegado responsável pelo caso teria sido retirado da função após defender o avanço da investigação.

“A chefia do delegado mandou parar. Não investiga isso aqui não, você vai investigar é quem está aqui embaixo da lista aqui”, afirmou.

Dantas também questionou a diferença entre a velocidade da investigação sobre Lulinha e outras apurações autorizadas pelo ministro.

“Então não houve a investigação, ou seja, confirmando aquilo que eu havia dito”, prosseguiu Dantas. “Bom, enfim, o fato é o seguinte… confirmaram efetivamente isso: a investigação do Lulinha vai ficar para depois das eleições, por quê?”, questionou.

Na sequência, comparou a condução do caso com a investigação envolvendo Flávio Bolsonaro:

“Por que a investigação do Flávio [no caso Dark Horse] pode ser feita agora, e a do Lulinha não pode ser feita agora?”.

Crise entre Mendonça e cúpula da PF

A relação entre o ministro e a direção da Polícia Federal se deteriorou ao longo das últimas semanas. Além da demora no compartilhamento dos dados, Mendonça questionou mudanças na estrutura responsável pela investigação das fraudes no INSS.

Em 6 de agosto, 27 superintendentes regionais da PF divulgaram uma nota conjunta em defesa do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. O documento foi divulgado durante a escalada do conflito envolvendo as investigações sobre o INSS e Lulinha.

O governo federal também tentou reduzir a tensão. O ministro da Justiça, Wellington César, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, conversaram com Mendonça e propuseram uma reunião com Andrei Rodrigues para tratar da crise.

A apuração sobre Lulinha permanece em andamento. A PF investiga possíveis relações com empresários e agentes públicos, enquanto Mendonça acompanha o caso no STF.





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