O coordenador do programa de governo do presidente Lula (PT), José Sergio Gabrielli, afirmou nesta segunda-feira (31) que a avaliação de que o Brasil enfrenta uma crise fiscal é “fake news”. Em entrevista à Folha de S.Paulo, ele disse que os principais indicadores econômicos não apontam para um cenário de crise.
Gabrielli citou a queda do IPCA-15, o baixo desemprego, a situação da balança de pagamentos, o nível das reservas internacionais e o controle da taxa de câmbio para sustentar sua avaliação.
“Não existe uma questão fiscal, ou uma crise fiscal. É meio fake news isso. A economia brasileira está apresentando bons sinais, o desemprego é baixo, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) vem apontando para queda, não temos problema da balança de pagamentos, nossas reservas internacionais são firmes e a taxa de câmbio está controlada”, disse Gabrielli à Folha. “Não há nenhum motivo para pânico”, acrescentou.
A declaração contrasta com a posição defendida pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. O titular da pasta tem defendido a redução gradual das despesas e o fortalecimento do arcabouço fiscal.
Divergência sobre a política fiscal
A trajetória da dívida pública é um dos principais pontos de preocupação entre economistas. Gabrielli, porém, avalia que o cenário não apresenta risco imediato. Segundo ele, as projeções do mercado para os indicadores macroeconômicos do próximo ano permanecem estáveis.
Dentro da campanha de Lula, o coordenador é associado a setores do PT que defendem maior flexibilidade nas regras fiscais para permitir mais investimentos.
Durigan segue uma linha diferente. O ministro reconhece a necessidade de conter despesas e sustenta a manutenção das regras atuais do arcabouço fiscal.
A divergência ocorre enquanto o governo tenta apresentar uma posição de maior previsibilidade econômica ao mercado. Durigan tem participado de reuniões com empresários e banqueiros para reduzir as incertezas sobre a política fiscal em um eventual novo mandato de Lula.
Pressão por mais impostos
Gabrielli também recebeu nesta semana representantes de movimentos favoráveis à taxação dos chamados “super-ricos”. O objetivo é formular uma resposta à pressão por maior controle das despesas públicas.
A discussão sobre a política fiscal ganhou espaço dentro da própria campanha de Lula. Enquanto integrantes do governo defendem o cumprimento das regras fiscais, setores do PT pressionam por maior espaço para investimentos e gastos sociais.