Diálogos analisados mostram tentativa de integrantes da chamada ‘Turma’ de acionar contatos ligados ao crime organizado
Mensagens analisadas pela Polícia Federal (PF) mostram que integrantes da chamada “Turma”, grupo investigado por suspeita de participar de ações clandestinas ligadas ao caso Banco Master, tentaram acionar integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) para dar apoio ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro durante o período em que ele esteve preso.
Em novembro de 2025, Vorcaro estava no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos. Segundo os diálogos obtidos pela PF, Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, e Manoel Mendes Rodrigues, o Manolo Dom, discutiram uma forma de garantir proteção ao ex-banqueiro dentro da unidade.
Manolo, bicheiro do Rio de Janeiro e integrante da “Turma”, demonstrou preocupação com o comportamento de Vorcaro na prisão. Ele afirmou que poderia procurar contatos do crime organizado em São Paulo para pedir que outros detentos dessem assistência ao ex-banqueiro.
Mensagens citam apoio de integrante do PCC
Em uma das conversas, Manolo disse que conhecia o responsável pelo “01” de uma estrutura criminosa em São Paulo e que poderia pedir uma intervenção. Ele afirmou que esse contato poderia transmitir aos demais presos a mensagem de que Vorcaro era “amigo” e “parceiro”.
Sicário, então, redigiu uma mensagem para a chamada “sintonia” do PCC receber. No texto, ele apresenta Vorcaro como um aliado e pede apoio ao ex-banqueiro dentro da unidade prisional.
“Ele é amigo nosso e apoia nossa quadrilha e a nossa regional em diversos sentidos”, escreveu Sicário.
Manolo encaminhou a mensagem a um advogado e pediu que ele a levasse a contatos ligados ao crime organizado. A PF afirma que os diálogos podem revelar que o grupo chegou a acionar membros do PCC para apoiar Vorcaro na prisão.
O advogado perguntou onde o ex-banqueiro estava e afirmou que poderia “entrar” no caso, mas precisava de orientações. Manolo respondeu que, primeiro, Vorcaro precisaria entender que existia “uma força por trás” capaz de ajudá-lo.
Na tarde seguinte, Manolo transferiu R$ 10 mil ao advogado, segundo o relatório da PF. No mesmo período, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) concedeu habeas corpus a Vorcaro, e ele deixou a prisão.
Sicário também escreveu que tentaria entrar em contato com o secretário de Administração Penitenciária de São Paulo. O relatório da PF, contudo, não concluiu se essa tentativa de contato ocorreu.
A Polícia Federal investiga Manolo, que está preso, por organizar ações violentas a mando de Vorcaro. Sicário morreu após a Polícia Federal prendê-lo preventivamente.