O programa ALive desta terça-feira (16) abordou a fala do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes durante a sessão de ontem (15), na qual acusou o colega André Mendonça de conduzir processos sobre o Banco Master com “inequívoco viés político-eleitoral” e de maneira “digna de máfia, covarde, vil”. “Até a máfia tem ética”, afirmou.
A reação de Gilmar ocorreu após Mendonça levar ao plenário da Corte o relatório da Polícia Federal (PF) sobre as conversas de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Para Gilmar, a iniciativa do colega foi de “boneco eleitoral” e representou uma tentativa de atingir Moraes, seu aliado na Corte.
Durante o ALive, a filósofa Bruna Torlay disse que ética e moral são coisas diferentes, com ética sendo a “ciência da conduta” e moral sendo “uma escolha e depende de você ter uma vontade ordenada ou desordenada”: “O que é uma vontade, um intelecto ordenado? É justamente você agir em conformidade com o bem. Agora, se você tem um intelecto e uma vontade desordenadas, você diz, eu ajo conforme o meu desejo. Ainda que meu desejo gere mal para inúmeras pessoas”.
E, em sua visão, “espera-se de ministros do Supremo moral” e não “ética de máfia”, da proteção, como defendida, na verdade, por Gilmar, que tentou atrasar o julgamento de Moraes.
“Como é que você vai ter uma reputação ilibada se você é uma pessoa que rejeita moral? O Gilmar Mendes disse nessa sessão que ele rejeita moral. Foi isso que ele disse nessa sessão. Ele não é moral: ‘E que horror temos um homem moral entre nós, que não aceita a conduta da máfia, que é nossa aqui’. Foi isso que a gente viu”, afirmou a filósofa.
Ministros do STF precisam, segundo Torlay, “se orientar pela moralidade, porque quem não se orienta pela moralidade é incapaz de exercer a justiça”. “Bandidos têm ética, mas eles não são homens que estão ligados à lei. Agora, a partir do momento que nós temos homens que lidam, que “protegem a lei”, que não se sentem obrigados a agir de forma moral, acabou”.
“Até a imprensa ontem, que a gente chama aqui de imprensa do Pix, estava ontem falando do funeral do STF”, finalizou a filósofa.