A Polícia Federal realiza hoje (24) uma operação no gabinete do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O magistrado aparece em conversas que indicam uma atuação de interlocução com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques em assuntos relacionados ao banqueiro Daniel Vorcaro.
As mensagens foram extraídas do celular de Vorcaro e encaminhadas pela PF ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master. O material passou a ser analisado após referências a integrantes do STF nas conversas.
Na última semana, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes solicitaram acesso integral ao conteúdo. Os ministros levantaram dúvidas sobre a extensão da análise realizada por Mendonça, que teria dado atenção a menções ao ministro Alexandre de Moraes. Mendonça nega ter direcionado a investigação.
Contrato de R$ 427 milhões
Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, a PF encontrou um contrato de advocacia de R$ 427 milhões envolvendo a chamada “Turma do KN”. O acordo previa pagamento condicionado ao êxito em ações de interesse de Vorcaro nos tribunais superiores. Os processos poderiam destravar cerca de R$ 8,5 bilhões em precatórios.
Nas mensagens analisadas pelos investigadores, a sigla “KN” seria uma referência a Kassio Nunes Marques.
O desembargador Newton Ramos e sua mulher, a advogada Camilla Ramos, também aparecem associados à expressão “turma do KN” em conversas de assessores de Vorcaro.
De acordo com os diálogos, Ramos repassava ao banqueiro pedidos atribuídos a Nunes Marques e atualizava Vorcaro sobre tratativas relacionadas aos precatórios.
Hospedagem durante o Carnaval
Outro conjunto de mensagens indica que Vorcaro teria organizado a hospedagem de um “ministro” identificado como “KN” durante o Carnaval de 2025. Para os investigadores, a referência seria a Nunes Marques.
Segundo as conversas, a hospedagem ocorreria em uma mansão atribuída ao ator Márcio Garcia. O imóvel, localizado nas proximidades da Pedra da Gávea, teria sete suítes e cerca de 6 mil metros quadrados. A reserva teria custado aproximadamente R$ 1,45 milhão.
O material integra o HD encaminhado pela PF ao gabinete de Mendonça em julho. A operação desta quinta-feira ocorre no contexto das apurações sobre as relações mencionadas nos documentos e nas mensagens apreendidas.