A campanha de Lula (PT) à reeleição produziu uma cartilha com orientações para que militantes do PT abordem eleitores indecisos e tentem convencê-los a votar no presidente. Entre os temas indicados está a religião, em meio à circulação de notícias falsas que associaram o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, a uma inexistente intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Com 19 páginas, o manual apresenta um “passo a passo da conversa perfeita” e orienta os petistas sobre “como puxar papo” nas ruas, nos pontos de ônibus e até na fila do pão para “mostrar o que está em jogo” e conquistar eleitores que ainda não decidiram o voto para o próximo domingo (04).
O material também apresenta exemplos de argumentos atribuídos a aliados de Flávio e orienta os militantes sobre como respondê-los. A estratégia é resumida pelo próprio manual como “avanço com Lula” e “risco com Flávio Bolsonaro”. Um dos trechos trata como “mentira do adversário” a afirmação de que “Lula nem deve ter religião”. Na sequência, a cartilha apresenta uma “resposta pé no chão” para os militantes usarem diante desse argumento:
“Lula é católico e sempre guiado por valores cristãos de amor ao próximo e cuidado com quem mais precisa. Foi do governo dele a Lei de Liberdade Religiosa, que permite a todas as igrejas e comunidades de fé funcionarem em paz sem o governo se meter”, diz a resposta ideal indicada pelo material.
Na sequência, o manual orienta os aliados do presidente a afirmar: “Hoje, o ataque a qualquer local sagrado ou culto é crime severamente punido. Liberdade religiosa de verdade é garantir que todo mundo possa expressar sua fé com respeito e sem manipulação política!”.
A orientação sobre religião ocorre depois que uma fake news envolvendo Flávio e Nossa Senhora Aparecida viralizou nas redes sociais desde quinta-feira (24). A informação falsa dizia que o candidato pretendia retirar da santa o título de padroeira do Brasil.
O próprio Lula passou a abordar o assunto. Em entrevista ao vivo, no domingo (27), o petista afirmou, mesmo diante da falsidade da informação sobre o adversário, que “mexer com a Nossa Senhora Aparecida não é aceitável” e que “já teve gente da religião evangélica chutando” a santa. Ele chegou a ser desmentido ao vivo.