A campanha do presidente Lula (PT) afirmou nesta terça-feira (29) que a declaração em que o petista disse que “as mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas” fazia referência a exames ginecológicos preventivos. A fala ocorreu na segunda-feira (28), durante um comício em Belém (PA), quando Lula comentava a resistência de homens ao exame de próstata.
Durante o discurso, Lula comparou o comportamento masculino diante do exame de toque com os cuidados de saúde adotados pelas mulheres.
“O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta de toque. As mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas. O homem não, ele é cheio de trejeito. Ele não sabe que, quando ele tiver câncer de próstata, vão dar muito toque nele”, afirmou.
A declaração foi feita após o presidente mencionar a realização da primeira cirurgia robótica de próstata no Pará e defender a ampliação do acesso a procedimentos para o tratamento do câncer de próstata.
Campanha explica declaração
Em nota, a campanha afirmou que Lula se referia a exames ginecológicos preventivos e argumentou que os homens, segundo o texto, ainda apresentam maior resistência a exames urológicos por influência de uma cultura machista.
“O Presidente Lula obviamente se referiu a exames ginecológicos preventivos que, culturalmente, fazem parte da rotina da saúde da mulher, desde jovem. O homem, pela predominância de uma cultura ainda machista, resiste a exames urológicos preventivos”, diz o trecho.
A equipe do presidente também acusou integrantes do campo bolsonarista de retirar a fala de contexto e associou a repercussão à disputa eleitoral. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, passou a explorar a declaração em material divulgado nas redes sociais.
Críticas da oposição
A fala provocou manifestações de integrantes da oposição. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) contestou a afirmação de que mulheres aprendem a realizar esse tipo de exame desde pequenas e questionou a referência feita pelo presidente a meninas.
A campanha de Flávio Bolsonaro também produziu um vídeo relacionando a declaração à violência sexual contra menores. O material utiliza a fala de Lula e apresenta a interpretação da campanha sobre o episódio.
O que dizem as diretrizes de saúde
A explicação da campanha ocorre em paralelo às diretrizes oficiais para prevenção do câncer do colo do útero. Segundo o Ministério da Saúde, o rastreamento é direcionado a mulheres e outras pessoas com colo do útero de 25 a 64 anos que já tiveram atividade sexual, dentro dos critérios estabelecidos para a população de risco padrão.
Desde a atualização das diretrizes em 2025, o teste molecular para detecção do DNA-HPV oncogênico passou a ser o exame primário de rastreamento no país. O exame citopatológico, conhecido como Papanicolau, permanece disponível onde o novo teste ainda não é oferecido.
As orientações do Ministério da Saúde também estabelecem que o rastreamento não é recomendado para a população de risco padrão com menos de 25 anos.