Parlamentares de direita voltaram a colocar o Supremo Tribunal Federal (STF) no centro da agenda política após o primeiro turno das eleições de 2026. Com o crescimento da bancada do PL no Senado e a eleição de novos nomes alinhados ao bolsonarismo, integrantes da oposição passaram a defender novamente o impeachment de ministros da Corte e mudanças nas regras que disciplinam a responsabilização dos magistrados.
O movimento ganhou força nesta terça-feira (6), quando o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), se reuniu com o presidente do STF, Edson Fachin.
Após o encontro, Marinho afirmou que o Senado não pode deixar de agir diante de eventual crime de responsabilidade cometido por ministros. O senador também voltou a defender uma mudança no regimento da Casa para permitir que um pedido de impeachment avance com o apoio de 49 senadores, sem depender da decisão individual do presidente do Senado, hoje Davi Alcolumbre (União-AP).
A proposta havia sido apresentada por Marinho em setembro e o texto ainda precisa passar pelas comissões e pelo plenário.
Novo Senado vira aposta da oposição
A mudança na composição do Senado é um dos principais argumentos utilizados pela direita para sustentar que a pauta poderá avançar na próxima legislatura.
O PL elegeu 19 senadores em 2026 e chegará a 28 cadeiras na Casa a partir de 2027. Levantamentos publicados após a eleição apontam que pelo menos 50 parlamentares da próxima composição já manifestaram apoio, com diferentes graus de convicção, à abertura de processos de impeachment contra ministros do STF. Para afastar definitivamente um ministro, porém, são necessários 54 votos, segundo a regra atualmente considerada para o julgamento.
Alexandre de Moraes aparece como principal alvo do grupo. O ministro é relator do processo que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e também passou a ser alvo de críticas da oposição relacionadas às investigações sobre o Banco Master.
Nikolas diz que impeachment de Moraes é “inegociável”
Nesta terça-feira, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), reeleito com mais de 3 milhões de votos, rejeitou qualquer possibilidade de negociação com Moraes e afirmou que o impeachment do ministro será uma das prioridades da nova composição do Senado.
“Não adianta o Alexandre de Moraes fazer nenhum aceno agora, que a gente vai impichar ele com o novo Senado. Isso não tem negociação. É inegociável”, afirmou ao portal Metrópoles.
Filipe Barros promete levar impeachment ao Senado
Eleito senador pelo Paraná, o deputado federal Filipe Barros (PL) também colocou a responsabilização de ministros do STF entre as prioridades para o mandato que começa em fevereiro de 2027.
Também em entrevista hoje, Barros afirmou que pretende apresentar uma proposta de reforma do Judiciário e defendeu o impeachment de integrantes da Corte em casos de crime de responsabilidade ou abuso de poder.
O futuro senador também defende mudanças no funcionamento do Supremo, incluindo mandato para os ministros e alterações nas regras relacionadas ao controle de constitucionalidade. Segundo ele, o Congresso precisa rediscutir os limites da atuação da Corte.
Barros deverá atuar no Senado ao lado de Deltan Dallagnol (Novo-PR), também eleito pelo Paraná. Os dois assumem os mandatos em 1º de fevereiro de 2027.
Marcel van Hattem também mira ministros
O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) respondeu a uma publicação do ministro do STF Gilmar Mendes, sobre a organização das eleições, e afirmou que a oposição começará os trabalhos pela responsabilização dos integrantes da Corte no início da próxima legislatura.
Pavanato cobra impeachment de Moraes
Outro nome que reforçou a pressão foi Lucas Pavanato (PL-SP), eleito deputado federal por São Paulo. Em manifestação após o primeiro turno, o parlamentar vinculou a pacificação política do país a três medidas que gostaria de ver adotadas: a soltura de Jair Bolsonaro e de presos pelos atos de 8 de janeiro, além do impeachment de Alexandre de Moraes.