Casa Nóticias Elite do cinema nacional pede socorro a Hollywood contra Flávio

Elite do cinema nacional pede socorro a Hollywood contra Flávio

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Profissionais brasileiros do cinema, incluindo integrantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, divulgaram uma carta aberta para pedir maior atenção internacional ao segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. O documento, publicado no sábado (10) pela revista Variety, reúne 65 assinaturas e concentra críticas no candidato Flávio Bolsonaro (PL).

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Entre os signatários estão os atores Wagner Moura, Sônia Braga e Alice Braga, além dos diretores Kleber Mendonça Filho, Fernando Meirelles e Petra Costa. Também assinam a carta Anna Muylaert, Karim Aïnouz e o produtor Rodrigo Teixeira, de Ainda Estou Aqui.

Os artistas pedem que a imprensa internacional acompanhe o processo eleitoral e que instituições competentes investiguem denúncias de possível interferência estrangeira, supostas irregularidades no alcance de conteúdos políticos nas plataformas digitais e suspeitas de pagamentos a eleitores.

“Encaramos os acontecimentos no Brasil como parte de um padrão mais amplo de suposta interferência eleitoral em toda a América Latina”, afirma o documento.

Carta questiona propostas de Flávio Bolsonaro

O manifesto critica a promessa de Flávio de reescrever a Constituição de 1988 e a possibilidade de anistia ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os signatários relacionam essas propostas à tentativa de golpe atribuída ao ex-presidente após a derrota nas eleições de 2022. Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo, segundo o texto que acompanha a publicação.

A carta também menciona uma reportagem do jornal britânico The Guardian sobre a destinação de cerca de US$ 1 milhão pelo governo dos Estados Unidos, por meio de um fundo de direitos humanos do Departamento de Estado, a um programa chamado “Combate ao ‘Lawfare’ e à Censura no Brasil”. Os artistas defendem uma investigação transparente sobre a iniciativa e seus possíveis efeitos no cenário eleitoral.

Outro ponto levantado é a suposta redução do alcance de publicações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Instagram, além de dificuldades de acesso, visibilidade em buscas e promoção de conteúdo por anúncios pagos. O documento também cita um site sediado nos Estados Unidos que teria oferecido anúncios em apoio a Flávio em troca de tokens de criptomoedas.

Os signatários mencionam ainda uma investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de pagamentos em dinheiro a eleitores de áreas rurais. As acusações são apresentadas na carta como questões que exigem apuração.

Manifesto critica cobertura da imprensa brasileira

Os profissionais afirmam que “grande parte da mídia tradicional brasileira” teria normalizado propostas e acusações relacionadas à campanha de Flávio e ao governo de Jair Bolsonaro.

O texto também cita a denúncia apresentada ao Tribunal Penal Internacional, em Haia, sobre as mortes por Covid-19 no Brasil. Segundo a carta, a iniciativa sustenta que mais da metade dos mais de 600 mil óbitos registrados durante a pandemia poderia ter sido evitada por ações diferentes da gestão Bolsonaro.

O documento menciona ainda o retorno do Brasil ao Mapa da Fome das Nações Unidas e critica propostas de cortes em gastos com seguridade social atribuídas a Flávio, que os artistas associam às políticas de austeridade adotadas pelo presidente argentino Javier Milei.

Financiamento cultural também é tema do apelo

A carta dedica parte de seu conteúdo ao financiamento do setor audiovisual. Os signatários criticam medidas adotadas durante o governo Jair Bolsonaro, incluindo a transformação do Ministério da Cultura em secretaria, a suspensão do Fundo Setorial do Audiovisual, o enfraquecimento de instituições culturais e denúncias de censura.

“Tememos um retorno a esse cenário”, afirmam os profissionais ao tratar da possibilidade de novas medidas de austeridade.

O documento sustenta que a liberdade de expressão e a continuidade do financiamento da indústria audiovisual estão ligadas à defesa da democracia. Ao final, os artistas convocam veículos estrangeiros a cobrir as eleições, pedem maior participação da comunidade audiovisual internacional e defendem a investigação independente das denúncias citadas.

Embora não declare apoio explícito a Lula, a carta direciona suas principais críticas a Flávio Bolsonaro e pede mobilização internacional durante a disputa presidencial.





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