Governo tenta conter onda de saques e incêndios, que deixou mil agentes feridos e mais de 2,5 mil detidos
O governo da França anunciou nesta segunda-feira, 19, a adoção de toques de recolher parciais em regiões do país depois de um fim de semana marcado por protestos contra o alto custo de vida, saques e incêndios.
Os confrontos deixaram cerca de mil agentes de segurança feridos, resultaram em mais de 2,5 mil detenções e provocaram danos a aproximadamente 3 mil estabelecimentos comerciais.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu pediu aos prefeitos que implementem as restrições a partir desta segunda-feira. Segundo ele, as medidas serão localizadas, mas o governo não descarta decretar estado de emergência.
“São atos específicos de delinquência, de saques, e está fora de questão permitir que isso continue”, afirmou Lecornu. O premiê também acusou grupos de ultraesquerda de tentarem provocar instabilidade política antes das eleições presidenciais de 2027.
Massive protests in France against the high cost of living and the deterioration of public services. pic.twitter.com/H3FUK6kcvC— Globe Eye News (@GlobeEyeNews) October 18, 2026
🚨BREAKING: The historic Limoges town hall has just completely collapsed after far-left rioters set it on fire
It was built in 1876. It survived World Wars. It did not survive modern France. pic.twitter.com/LRjxvBQ5KV— Inevitable West (@Inevitablewest) October 17, 2026
Holy fucking shit.
Paris right now, this evening.
Police vehicles try to escape with destroyed tyres. pic.twitter.com/hMBZkT2MRL— Kosher (@koshercockney) October 17, 2026
As manifestações de sábado 17 reuniram entre 550 mil e 800 mil pessoas em todo o país. Os participantes protestaram contra o aumento do custo de vida e a deterioração das condições de ensino. Os atos foram acompanhados por episódios de violência em Paris, Marselha, Lyon e outras cidades.
Em Marselha, manifestantes invadiram brevemente a prefeitura. A administração local estimou a participação de até 30 mil saqueadores e registrou 107 policiais feridos, três deles em estado muito grave. O escritório de turismo de Lyon e a Prefeitura de Limoges também foram incendiados.
Macron admite falhas na segurança
O presidente Emmanuel Macron reconheceu falhas na atuação das forças de segurança e problemas de antecipação e inteligência. No domingo 18, havia classificado a violência como uma “vergonha nacional” e prometido endurecer a resposta policial.
Nesta segunda-feira, Macron rejeitou o pedido de demissão do ministro do Interior, Laurent Nuñez, para preservar a continuidade do comando das forças de segurança. O presidente também determinou novos procedimentos para impedir barricadas e saques.
Nuñez admitiu que a polícia perdeu o controle da situação em algumas cidades. Segundo ele, as autoridades esperavam aproximadamente 200 mil manifestantes, número inferior à participação registrada.
Os prefeitos de Paris, Marselha e Lyon criticaram a resposta policial. Em artigo publicado no jornal Libération, Emmanuel Grégoire, Benoît Payan e Grégory Doucet afirmaram que áreas inteiras ficaram desprotegidas e pediram uma investigação independente sobre os confrontos.
Governo anuncia operação e auxílio financeiro
Para identificar os responsáveis pelos ataques, Lecornu anunciou uma operação em Paris com 200 investigadores encarregados de analisar imagens dos confrontos. O governo também pretende destinar recursos à recuperação das regiões afetadas e criar um fundo de apoio a trabalhadores temporariamente impossibilitados de exercer suas atividades.
O primeiro-ministro informou ainda que o Executivo prepara uma proposta para responsabilizar financeiramente os autores da destruição de propriedades e negocia com seguradoras a antecipação de indenizações.
A crise ampliou a pressão da oposição. O presidente do partido Reagrupamento Nacional (RN), Jordan Bardella, acusou o governo de abandonar suas responsabilidades. Marine Le Pen, integrante da mesma legenda, lidera pesquisas para a eleição presidencial de 2027, que Macron não poderá disputar em razão do limite de mandatos.
Novas manifestações são convocadas
Apesar das restrições, o movimento dos coletes amarelos, que participou da organização dos protestos, convocou uma nova mobilização para sábado 24. O grupo ganhou projeção nacional em 2018, quando liderou uma prolongada onda de manifestações contra o governo francês.
Nesta segunda-feira, estudantes bloquearam o acesso ao Museu do Louvre, em Paris, em protesto contra a deterioração dos serviços públicos e a repressão policial. A direção do museu confirmou o fechamento do espaço.
A União Europeia defendeu a proteção ao direito de manifestação pacífica, mas condenou os episódios de violência. O porta-voz Markus Lammert afirmou que manifestantes pacíficos não devem ser confundidos com responsáveis por incêndios, saques e ataques a edifícios públicos.
A deputada Olga Givernet, aliada de Macron, também defendeu a distinção entre as reivindicações estudantis e os atos violentos. Segundo ela, as condições enfrentadas por alunos franceses exigem respostas do governo, independentemente das medidas de segurança.