Petista condiciona confronto com Flávio Bolsonaro à abertura de sigilos bancário, fiscal e telefônico do adversário
O presidente Lula (PT) condicionou a participação no debate da TV Globo com o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), marcado para sexta-feira (23), à autorização do adversário para a quebra de seus sigilos. A declaração foi feita nesta terça-feira (20), durante ato de campanha em Juazeiro (BA), onde apoiadores entoaram palavras de ordem cobrando a divulgação dos dados.
“Se ele apresentar um documento autorizando a quebrar o sigilo, vai ter debate, porque senão ele não pode ir ao debate, porque o presidente da República não pode debater com ladrão”, afirmou Lula ao encerrar o discurso.
A cobrança ocorre após o confronto entre os candidatos no debate da Band, no domingo (18), quando os dois trocaram acusações relacionadas a patrimônio e suspeitas de corrupção. O encontro da Globo será o último debate previsto entre os presidenciáveis antes do segundo turno, marcado para domingo (25).
Durante o ato, apoiadores do petista gritaram “Abre o sigilo, Flávio” e “Se tá tudo certo, mostra o que há”. Lula também pediu que a militância intensifique a mobilização nas ruas e nas redes sociais até o dia da votação.
Lula propõe abertura recíproca de sigilos
Mais cedo, a defesa do presidente protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF) documentos autorizando a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Lula e de familiares, condicionada à adoção da mesma medida por Flávio. A proposta abrange os últimos oito anos e inclui informações relacionadas a pessoas próximas ao presidente, como a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e o filho mais velho do petista, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
O pedido também contempla contas e empresas vinculadas aos dois candidatos. A análise foi encaminhada ao ministro André Mendonça, e a decisão sobre o procedimento cabe ao presidente do STF, Edson Fachin.
Antes da mobilização na Bahia, Lula afirmou que duvidava de que o adversário aceitasse a proposta. O presidente disse que a abertura dos dados permitiria confrontar as acusações feitas durante a campanha e identificar eventuais irregularidades.
Flávio, por sua vez, ironizou a iniciativa após o debate da Band. O senador afirmou que suas contas estão declaradas à Receita Federal e questionou a proposta de quebra do sigilo telefônico do petista, dizendo que Lula não teria celular.
Acusações marcaram debate da Band
No confronto de domingo, Lula questionou a origem dos recursos relacionados à compra de um imóvel por Flávio e mencionou um pedido de R$ 134 milhões associado ao financiamento de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A cifra foi relacionada a negociações atribuídas ao senador com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Flávio, por sua vez, levou ao debate suspeitas envolvendo Lulinha. As acusações ampliaram a disputa entre as campanhas em torno de patrimônio, transparência e possíveis irregularidades.