Hoje, conforme as alegações, sabe-se que os loteamentos (Munique I, II e III) não estariam registrados no Cartório de Imóveis de Querência e que, apesar das centenas de vendas já realizadas, eles ainda não possuem aprovação da prefeitura para venda de imóveis, pois a documentação encontra-se irregular e faltando a apresentação de licenças ambientais, projetos básicos e demais documentos para o lançamento do empreendimento.
Fora isso e para ampliar ainda mais o que um juiz da cidade chegou a classificar como “imbróglio caótico”, o casal de idosos que detinha o terreno do loteamento antes da compra feita pelo suposto “sócio” de Leonardo, Aguinaldo Anacleto, entrou com ação na Justiça, no início do ano passado, para recuperar a posse da propriedade. Eles alegam que, do valor total do negócio de R$ 12,9 milhões, foram pagos, apenas, R$ 4,7 milhões, com atraso evidenciado e cheques sem fundo a partir da terceira parcela, prevista para maio de 2023.
Vendas teriam rendido mais de R$ 48,1 milhões
As 100 pessoas prejudicadas integrantes da Associação Residenciais Munique adquiriram os lotes nas parcelas Munique I e II do residencial. Juntas, conforme a divisão do terreno, essas áreas ficaram com 462 lotes à venda, entre comerciais e residenciais. Todos, segundo a denúncia, teriam sido vendidos por um valor médio de R$ 104.218,54, cada. Isso significa que, somente, nessas duas etapas do loteamento, o valor arrecadado teria ficado em torno de R$ 48,1 milhões.
Assim que evidenciada a suposta fraude e irregularidade dos lotes, os compradores passaram a cobrar explicações da AGX por telefone e, também, pessoalmente, no ponto de atendimento em Querência e junto aos corretores e imobiliárias que intermediaram as vendas. Aguinaldo Anacleto, segundo eles, parou de responder mensagens e deixou de ir à cidade. Além disso, um estande da empresa e outro da Talismã, marca de Leonardo, que funcionavam lado a lado na região central do município foram fechados.
“O Leonardo foi o principal motivo, ele e o prefeito, na verdade… Quem não confiaria no Leonardo e no prefeito da sua própria cidade? Quem imaginaria que estávamos entrando em um rolo tão grande como esse? Foi uma propaganda muito grande, acreditávamos que estávamos comprando lotes, de fato”, diz a auxiliar administrativa Taís Vanessa Rodrigues Guimarães, de 26 anos, umas das prejudicadas.
A ação protocolada pelo grupo afirma que Emival Eterno da Costa (Leonardo) foi o responsável pela divulgação dos empreendimentos da AGX, “e sendo ele um cantor de renome nacional, induziu as pessoas a comprarem lotes nos residenciais Munique”, pelo fato de o loteamento estar vinculado ao artista.