Em entrevista ao SBT News, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirmou ontem (30) que a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, pelo Senado Federal reflete uma “crise política” enfrentada pelo governo Lula (PT).
O decano da Corte avaliou que a derrota não está relacionada à capacidade do indicado pelo petista, mas a dificuldades de articulação política do Planalto: “Não se trata de uma rejeição por falta de requisitos profissionais, se trata de uma crise política”.
Segundo Gilmar, o cenário está ligado ao fato de o governo operar, supostamente, com base minoritária no Congresso Nacional. Para o ministro, esse quadro desfavorável também tem reflexos no papel do Judiciário.
“Esse quadro leva a uma necessidade maior de intervenção do STF, e isso também provoca fricções na relação entre governo e Congresso”, afirmou.
Para Gilmar, a rejeição de Messias deve levar a uma revisão interna no governo Lula sobre a condução política da indicação: “É preciso que se faça uma revisão e que cada um assuma sua responsabilidade”.
O ministro também rebateu versões de bastidores que apontam uma suposta atuação de integrantes da Corte para enfraquecer o apoio a Messias: “Não faz o menor sentido. Não vejo sentido nesse tipo de teoria conspiratória”.