Durante o programa ALive desta segunda-feira (18), o apresentador Claudio Dantas levantou questionamentos sobre o motivo pelo qual a Polícia Federal (PF) não avança nas investigações envolvendo o PT no caso Master.
“Eu fico me perguntando: a PF não sabe que a origem do Master é na Bahia?”, indagou o jornalista. “A PF não se interessa em saber como o [senador] Jaques Wagner e o [ministro da Casa Civil] Rui Costa entregaram o CredCesta. Um negócio que é bilionário, entregaram por uma bagatela de 15 milhões de reais”.
Segundo Dantas, os petistas baianos teriam feito a “virada de chave” que transformou o CredCesta em um negócio bilionário, sustentando a operação do Master e outras estruturas posteriores.
“O Augusto Lima, o sócio do Daniel [Vorcaro e dono do CredCesta], ele ia pessoalmente abrindo as portas nas prefeituras ali, nos governos estaduais, abriu as portas lá, até no governo do Ratinho Júnior”, disse o apresentador. “O CredCesta, que é esse cartão de benefício consignado, ele está hoje no país inteiro, ou estava, agora não está mais, mas estava no país inteiro e era uma grande sacada, porque é uma espécie de empréstimo indireto”.
“Você entrega o cartão de benefício para o servidor, ele tem lá um crédito e ele usa esse crédito, quer dizer: é um consignado indireto, é como se fosse um pré-pago, ele antecipa um dinheiro para você e você gasta no cartão”, prosseguiu Dantas. “Aí você gasta no cartão e vai se endividando e aí as taxas de juros extorsivas daquilo ali, aquilo vai virando uma bola de neve”.
O CredCesta, de Guga Lima, marcou a entrada do Master no mercado de crédito consignado, representando mais da metade do lucro do banco de Vorcaro.
De acordo com Dantas, Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, foi quem indicou Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, a Daniel Vorcaro, dono do Master, “justamente por essa relação com Augusto Lima”. Mantega também teria levado o banqueiro para conversar com Lula (PT).
“Então eu fico pensando aqui: a Polícia Federal não tem interesse em olhar esse celular do Augusto Lima?”, indagou o jornalista.
Dantas também citou reportagens recentes que indicam que o plano A de Vorcaro era o FGC “assumir a bronca” e o plano B era vender o Master para o BTG, de André Esteves. O empresário, segundo essas reportagens, já sabia da gravidade da situação do banco e teria avaliado a compra por R$ 1.
“Eu fico imaginando aqui: se tinha uma ‘solução’ de mercado e que ela tinha sido negociada dentro do Banco Central e se ela tinha o apoio do FGC, ou seja, dos grandes bancos, me parece que tem muito mais coisa por trás dessa história do que a gente pode imaginar”, disse Dantas.
“Está muito claro”, na visão do jornalista, que a liquidação do Master e a prisão de Vorcaro têm um “efeito também de apagamento, tem o efeito de tentar fazer uma implosão controlada”: “Talvez eles não imaginassem que isso fosse explodir da forma como explodiu, que viessem à tona as informações relacionando o Toffoli, relacionando o Alexandre de Moraes, e tentam até agora controlar essa implosão com uma investigação que não se interessa em apurar o que o PT tem [no caso Master]”.
Dantas disse ainda considerar curioso o fato de a mídia não se aprofundar nas relações de Vorcaro com Lula: “[…] Vorcaro tinha o Guido Mantega como conselheiro, tinha o Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça, ministro do Supremo, o filho do Lewandowski, o Henrique, foi colocado, substituiu o Lewandowski no contrato de assessoria jurídica [com o Banco Master], enquanto o Lewandowski era ministro da Justiça, senhoras e senhores”.
“Troca o Lula por Jair Bolsonaro pra você ver como cai a República”, criticou Dantas. “É uma hipocrisia tão grande, é tão escancarada, que realmente a gente precisa fazer esse debate, porque senão a gente fica de otário”.
“Não dá para a gente ter uma Polícia Federal que não investiga tudo e a todos. Não dá para ter uma Polícia Federal que desconsidera o óbvio, desconsidera fatos flagrantes, desconsidera relações flagrantes”, afirmou Dantas. “É isso que não dá”.
“A gente tem que lidar com a realidade dos fatos e fazer o exercício da crítica no limite da nossa responsabilidade”, completou o apresentador.
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