A coordenação jurídica da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) ingressou há pouco no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com uma representação contra a pesquisa AtlasIntel registrada sob o número BR-06939/2026 e divulgada nesta manhã (19).
A ação questiona a metodologia do levantamento, sustenta que o questionário teria sido elaborado para induzir uma percepção negativa sobre o senador e visa suspender a divulgação da pesquisa.
Segundo a defesa, a sequência das perguntas, a apresentação dos temas e as associações feitas entre Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e o Banco Master comprometeriam a neutralidade da pesquisa e contaminariam as respostas dos entrevistados.
A iniciativa da equipe jurídica ocorreu após denúncia do jornalista Claudio Dantas, que revelou que, em determinado trecho do questionário, a Atlas solicita aos entrevistados que reproduzam o áudio da conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, divulgado pelo site The Intercept.
Na avaliação de Dantas, isso pode funcionar como um “indutor da resposta”: “A questão, por exemplo, não contém a justificativa apresentada por Flávio para o financiamento do filme Dark Horse, nem sua explicação de que não houve contrapartida. Ou seja, o instituto toma isoladamente o áudio, sem o contexto completo”.
Para a defesa do senador, a pesquisa criou um “precedente manipulativo grave” e “deixou de observar a neutralidade esperada em levantamentos eleitorais destinados à divulgação pública”.
O pedido ao TSE afirma que o questionário não apenas mediu a opinião dos eleitores, mas apresentou elementos capazes de influenciar a percepção dos entrevistados antes de perguntas relacionadas à imagem, rejeição e viabilidade eleitoral.
A representação também solicita apuração de possível crime eleitoral diante do que a defesa classifica como risco de divulgação de pesquisa fraudulenta.
A pré-campanha afirma ainda que pesquisas eleitorais devem seguir critérios técnicos de transparência, equilíbrio e imparcialidade, sem funcionar como instrumento de direcionamento da opinião pública.
A ação foi protocolada no TSE como representação sobre “Pesquisa Eleitoral – Divulgação de Pesquisa Eleitoral Fraudulenta”, com pedido de liminar. O pedido apresentadoinclui solicitação para suspender a divulgação da pesquisa.