Mensagens analisadas pela Polícia Federal mostram cobranças por repasses financeiros e ameaças contra Henrique Vorcaro
Novas mensagens analisadas pela Polícia Federal (PF) mostram que Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, enviou ameaças a Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. De acordo com os investigadores, a mulher afirmou possuir documentos e materiais que poderiam comprometer integrantes da família Vorcaro.
O conteúdo integra os desdobramentos da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraude, lavagem de dinheiro, intimidação e obtenção de informações sigilosas ligadas ao grupo.
Em uma das conversas analisadas pela PF, Joana conversou com Manoel Mendes Rodrigues, operador do jogo do bicho investigado na última fase da Operação Compliance Zero, que levou à prisão de Henrique.
Em mensagens envidadas em 26 de abril, Joana reclamou da falta de repasses financeiros de Henrique. “HV não se manifesta com nada $”, escreveu. Na sequência, a mulher fez ameaças. “Estou muito perto do abismo”, afirmou. “E, se estiver, tenho como levar ele junto. Acabo com a delação do filho, do cunhado e ainda jogo ele atrás das grades também.” Em outra mensagem, Joana declarou: “Tenho material pra acabar com a família inteira”.
Segundo a PF, os diálogos sugerem que Manoel atuou para intermediar a situação e viabilizar repasses financeiros à família de Mourão.
Ligação com o “Sicário”
Luiz Phillipi Mourão era conhecido pelo apelido de Sicário. A PF o apontava como um dos operadores responsáveis por ações de intimidação, monitoramento e obtenção de informações utilizadas pelo grupo investigado.
Segundo depoimentos colhidos pela PF, Sicário orientou a própria mãe e a irmã a procurarem Henrique quando este foi preso durante uma das fases da Operação Compliance Zero. Para os investigadores, o episódio reforça a proximidade entre os envolvidos.
Sicário morreu em março deste ano, depois de ser encontrado desacordado em uma cela da Polícia Federal. A morte gerou uma investigação própria, conduzida sob sigilo.
Até o momento, a PF não divulgou conclusões definitivas sobre o conteúdo das mensagens atribuídas à irmã de Sicário. O material segue sob análise dos investigadores e faz parte do conjunto de provas reunidas no inquérito.