Uma eventual redução da jornada de trabalho por lei e o fim da escala 6×1 afetariam 97% das indústrias brasileiras, segundo sondagem divulgada nesta quinta-feira (2) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O levantamento também mostra que 73% das empresas rejeitam a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e 57% são contrárias à proibição da escala 6×1.
Realizada entre 2 e 11 de março, a pesquisa ouviu 1.664 empresas, sendo 1.366 das indústrias extrativa e de transformação e 298 da construção civil, de pequeno, médio e grande porte.
Segundo a CNI, a jornada semanal de 44 horas continua predominante no setor e é adotada por 85% das empresas. Outras 12% operam com jornadas entre 40 e 44 horas, enquanto apenas 2% trabalham entre 36 e 40 horas e 1% utiliza outros regimes. Com esse cenário, a entidade conclui que praticamente todo o setor seria alcançado por uma mudança na legislação.
A pesquisa também mostra que a maior parte das empresas prevê impactos econômicos caso as propostas avancem. Para 85% dos entrevistados, haverá aumento dos custos com empregados. Outros 82% projetam elevação dos custos com fornecedores, 70% apontam perda de competitividade e 68% estimam redução do volume de produção. Além disso, 62% avaliam que mudanças na jornada podem afetar benefícios definidos em negociações coletivas.
De acordo com o presidente da CNI, Ricardo Alban, os efeitos não se restringiriam às empresas.
“Quando a indústria aponta esses impactos, não está falando apenas da realidade do empresário, está falando sobre a viabilidade do negócio. Esses custos tendem a se espalhar pela cadeia produtiva, afetando fornecedores, investimentos e a competitividade das empresas. E perda de competitividade significa menor capacidade de disputar mercados, produzir e crescer, o que vai se refletir na economia do país e na vida do consumidor”, alerta Alban.
A sondagem aponta que 37% das indústrias já definem a jornada de trabalho por meio de negociação coletiva. Entre as médias empresas, esse percentual chega a 40%, enquanto nas grandes alcança 39%. No total, 66% afirmam adotar o limite previsto em lei e 13% estabelecem jornadas por política interna.
Segundo a CNI, 62% das empresas entendem que mudanças na legislação podem comprometer benefícios negociados coletivamente. Apenas 20% discordam dessa avaliação, enquanto o restante adotou posição neutra.
Escala 6×1 ainda é adotada por parte do setor
Embora o regime 5×2 seja o mais comum, utilizado por 66% das empresas, a pesquisa mostra que 30% das indústrias ainda adotam a escala 6×1. Outros modelos representam 4% do total. O levantamento também identificou que cerca de quatro em cada dez empresas utilizam algum tipo de escala de revezamento, principalmente na linha de produção.
Custos e investimentos
Questionadas sobre como reagiriam às mudanças, 51% das empresas disseram que o caminho mais provável seria o repasse de custos ao consumidor. Outras 41% afirmaram que investiriam em automação, enquanto 34% apontaram redução de reajustes salariais ou promoções como alternativa para compensar o aumento das despesas.
A pesquisa ainda mostra que 46% das indústrias afirmam que uma eventual redução da jornada ou proibição da escala 6×1 alteraria seus planos atuais de investimento e expansão. Entre as pequenas empresas, esse percentual é ainda maior, indicando maior sensibilidade às mudanças propostas.