A lobista Roberta Luchsinger chamou Lulinha, seu sócio, de “guloso” em troca de mensagens com o ex-secretário de Saúde da Prefeitura de Goiânia (GO), Quesede Henrique. As conversas foram recuperadas pela Polícia Federal (PF) no celular da empresária e divulgadas pelo site Metrópoles.
Em dezembro de 2023, Luchsinger comentou com Quesede, com quem mantinha relação como lobista, que seu sócio era “guloso”, sem dar mais detalhes. Na sequência, acrescentou: “Eu também seria”, “No lugar dlee (dele) né”.
As mensagens também registram uma cobrança de R$ 100 mil feita por Luchsinger a Quesede em 8 de novembro de 2024. Segundo a conversa, o dinheiro seria usado para pagar uma pessoa que embarcaria em breve, sem que o nome fosse citado. Na mesma noite, no entanto, Lulinha embarcou para Lisboa.
“Ô Quesede, tu dá um jeito de fazer esse pix, porra, que o homem tá me cobrando, criatura”, diz Luchsinger em uma mensagem de áudio.
“Já tá indo”, respondeu o ex-secretário. Às 18h20 daquele dia, a lobista voltou a cobrar o pagamento: “Fez? Ele vai embarcar e tá me enchendo o saco”.

Segundo investigações da PF, Luchsinger auxiliava Quesede na liberação de recursos do governo federal para a Prefeitura de Goiânia. Em contrapartida, o ex-secretário pagava comissões à lobista por meio de transferências realizadas a partir de contas de terceiros.
Quesede se entregou à polícia em dezembro de 2024. Ele era investigado por suspeitas de desvio de R$ 10 milhões na Secretaria de Saúde da Prefeitura de Goiânia.
Luchsinger e Lulinha são investigados no Supremo Tribunal Federal (STF) por tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro.