Os juros futuros abriram a sessão de segunda-feira (5) em forte queda após Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminar o primeiro turno à frente do presidente Lula (PT). As taxas recuavam perto de 100 pontos-base nos contratos mais longos, enquanto os vencimentos curtos também registravam forte redução.
Às 9h37, o contrato de DI para janeiro de 2028 estava em 12,735%, queda de 77 pontos-base em relação ao ajuste anterior, de 13,509%.
Na ponta mais longa da curva, o DI para janeiro de 2035 era negociado a 13,16%, recuo de 97 pontos-base ante os 14,131% registrados na sessão anterior.
Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença foi de cerca de dois pontos percentuais. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
A reação do mercado indica uma percepção de menor probabilidade de reversão do resultado na segunda etapa. A queda dos prêmios foi mais acentuada nos contratos longos, que respondem com maior intensidade às expectativas sobre a política fiscal.
Mercado precifica cenário eleitoral
Flávio é visto por participantes do mercado como um candidato mais propenso a priorizar o ajuste das contas públicas. Seus planos para a área, porém, ainda não estão definidos com clareza.
Lula, por outro lado, enfrenta desconfiança de parte dos investidores em relação à condução fiscal do governo.
Nos contratos de curto prazo, a queda também foi expressiva. O movimento reflete a expectativa de que uma eventual vitória de Flávio aumentaria o espaço para novos cortes da Selic pelo Banco Central.
A taxa básica está em 13,75% ao ano. Analistas avaliam que a política fiscal do governo atual é um dos fatores que limitam a flexibilização monetária.
Nesse cenário, o mercado passou a considerar a possibilidade de um corte de 25 pontos-base na reunião de novembro. Também há apostas em uma redução de 50 pontos-base, caso Flávio seja eleito.
Exterior tem pouca influência
O movimento dos juros brasileiros ocorreu apesar da estabilidade dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
O rendimento do Treasury de dez anos, referência para os mercados globais, estava em 5,275%.
A forte queda dos juros futuros, portanto, concentrou-se nas expectativas relacionadas ao cenário eleitoral brasileiro após o primeiro turno.