A Americanas informou ontem (19) que a Justiça do Rio de Janeiro decretou o encerramento de sua recuperação judicial, iniciada em janeiro de 2023 após a revelação de um esquema bilionário de fraudes contábeis. Segundo a varejista, todas as metas previstas no plano de recuperação, aprovado por 91% dos credores, foram cumpridas integralmente.
No 1º semestre de 2026, as vendas nas lojas em funcionamento cresceram 9,3%, enquanto os ganhos de eficiência operacional somaram R$ 500 milhões, informou a companhia.
O fim do processo atende a um pedido apresentado pela empresa em março deste ano. A decisão foi tomada pela 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, após manifestações favoráveis da Administração Judicial e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.
“Com a conclusão dessa etapa, a companhia segue comprometida com o crescimento de suas operações, o fortalecimento sustentável do seu modelo de negócio e o desenvolvimento da experiência de seus clientes”, afirmou a Americanas, em fato relevante. As ações da varejista encerraram o pregão em alta de quase 7%, cotadas a R$ 5,97.
A Americanas revelou um rombo contábil bilionário em 11 de janeiro de 2023. Na ocasião, a empresa informou ter identificado “inconsistências em lançamentos contábeis” em seus balanços, inicialmente estimadas em cerca de R$ 20 bilhões.
Após a divulgação do caso, Sergio Rial deixou a presidência da companhia, cargo que havia assumido apenas nove dias antes, no lugar de Miguel Gutierrez.
A revelação provocou uma corrida de investidores pessoas físicas e institucionais para vender ações da varejista. Os papéis caíram quase 80% em um único dia, e o movimento de venda continuou nos pregões seguintes.
Em uma conferência após deixar o cargo, Rial afirmou que “a primeira grande conclusão é que não estamos falando de um número que está fora do balanço”. “A questão é que ele não está registrado de forma apropriada ao longo dos últimos anos”, acrescentou.
Em 19 de janeiro de 2023, a Americanas pediu recuperação judicial à Justiça do Rio de Janeiro, e suas ações foram retiradas da B3. A primeira versão do plano foi apresentada em março daquele ano, mas a aprovação só ocorreu em 19 de dezembro.
A dívida total considerada no plano superava R$ 50 bilhões. Desse montante, cerca de R$ 42 bilhões correspondiam a débitos concursais, sujeitos à renegociação com os credores.
Entre as medidas previstas estava um aporte de R$ 12 bilhões dos acionistas de referência da companhia: os bilionários Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Herrmann Telles.