A Meta negou ter favorecido candidaturas ou interferido nas eleições presidenciais de 2026. Em resposta enviada na segunda-feira (19) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a empresa afirmou ter cumprido as determinações da Corte para garantir igualdade de tratamento às campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
A companhia também solicitou uma reunião nesta terça-feira (20) para prestar esclarecimentos sobre as medidas adotadas e declarou atuar com “absoluta boa-fé” diante das exigências da Justiça Eleitoral.
A manifestação foi apresentada após determinação do ministro Marco Aurélio Bellizze, juiz auxiliar da propaganda eleitoral, para que a empresa comprovasse o cumprimento das regras de isonomia entre os candidatos.
A Meta entrou no centro da disputa depois que a campanha de Lula acusou a plataforma de restringir o alcance de publicações do petista, bloquear a criação de imagens políticas pela ferramenta Meta AI e favorecer conteúdos associados a Flávio Bolsonaro por meio de uma suposta “seletividade algorítmica”.
A controvérsia ganhou força após a circulação de exemplos em que a inteligência artificial produzia imagens com a inscrição “Flávio 22”, mas não atendia a pedidos semelhantes relacionados a “Lula 13”. O TSE determinou medidas para assegurar tratamento igual às candidaturas.
Meta apresenta medidas ao TSE
Na resposta à Corte, a empresa afirmou que aplica os mesmos critérios de distribuição às contas e publicações dos dois candidatos. Também informou ter adotado procedimentos para revisar restrições a anúncios, controlar propaganda eleitoral e apurar denúncias.
Entre as medidas apresentadas estão a revisão humana de eventuais restrições automáticas às contas oficiais de anúncios, a autorização de publicidade eleitoral apenas para candidatos, partidos e coligações cadastrados no TSE e a previsão de bloqueio de conteúdos gerados por inteligência artificial no intervalo de 72 horas antes até 24 horas depois da votação.
A Meta também informou ter analisado 255 contas e desativado o perfil “@narrativascuriosastv3.0”, por suposta tentativa de contornar o bloqueio aplicado anteriormente a outra conta do mesmo proprietário.
Dos 1.204 conteúdos analisados por determinação do TSE, 270 já tinham a identificação exigida, 720 foram removidos por falta de rotulagem e 214 não apresentavam relação com conteúdo eleitoral, segundo a empresa.
Sobre as publicações em colaboração, conhecidas como collabs, a Meta afirmou ter suspendido a recomendação desses conteúdos como um todo devido a uma limitação técnica que impediria liberar a publicação em um perfil e restringi-la no outro.
A empresa declarou ainda que reverteu, no mesmo dia, o bloqueio temporário da conta de anúncios da campanha de Lula. Segundo a companhia, a restrição não prejudicou o alcance das publicações e todos os anúncios contratados foram veiculados, sem entregas pendentes.
A Meta informou que apresentará até quarta-feira (21) a comprovação final das regras de silêncio eleitoral e do sistema de identificação de conteúdos. O relatório final deverá ser entregue ao TSE cinco dias após o segundo turno.
Campanha de Lula questiona atuação da plataforma
Além das acusações sobre a geração de imagens pela Meta AI, a campanha petista alegou que a empresa não atuou adequadamente contra perfis automatizados e publicações sintéticas. A coligação também relatou o bloqueio temporário de sua conta de anúncios.
A empresa, por sua vez, afirmou que o assistente de inteligência artificial foi configurado para responder com neutralidade e aplicar critérios idênticos às duas candidaturas. Também declarou que as denúncias apresentadas pelas campanhas seguem os mesmos procedimentos e prazos de análise.
A disputa ocorre a poucos dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro, e envolve a aplicação das regras eleitorais às ferramentas de inteligência artificial e aos sistemas de distribuição de conteúdo das redes sociais.