O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Ricardo Villas Bôas Cueva determinou na noite de ontem (22) que a Meta, dona do Instagram, Facebook e WhatsApp, explique em até 12h os motivos de um suposto alcance “privilegiado” dos perfis de Nikolas Ferreira (PL), Pablo Marçal (PRTB), Flávio Bolsonaro (PL) e Alfredo Gaspar (PL).
Na decisão, Cueva exige que a big tech detalhe a origem das visualizações, a proporção de seguidores e não seguidores que viram as publicações e a quantidade de contas alcançadas. A ordem atende a um pedido da campanha de Lula (PT), que tenta a reeleição.
“Os dados deverão ser acompanhados de explicação objetiva das métricas de distribuição do alcance utilizadas, com identificação da origem das visualizações, da proporção proveniente de seguidores e não seguidores e das principais superfícies de distribuição, esclarecendo-se, na medida tecnicamente possível, a distinção entre visualizações, contas efetivamente alcançadas e reproduções repetidas, bem como eventuais limitações das informações fornecidas”, diz trecho da decisão.
O descumprimento do prazo poderá resultar em multa de R$ 100 mil por hora de atraso, o equivalente a R$ 2,4 milhões por dia.
Para justificar a ordem, Cueva citou dados do perfil de Nikolas Ferreira no X (antigo Twitter) e afirmou que o alcance das publicações do deputado no Instagram exige esclarecimentos técnicos. Segundo a decisão, o perfil @nikolas_dm esteve submetido, entre 25 de agosto e 14 de outubro, a um filtro que impedia a recomendação do candidato.
De acordo com ele, com o filtro ativo, os seguidores respondiam por entre 80% e 91% das impressões do perfil em setembro. Após a retirada do filtro, entre 14 e 18 de outubro, essa proporção caiu para entre 28% e 41%.
Com a retirada do filtro, a maior parte das visualizações passou a vir de não seguidores. Para o ministro do TSE, os dados indicam uma possível “influência” dos mecanismos de recomendação na circulação do conteúdo e “reforça[m] a necessidade de esclarecimentos técnicos acerca das métricas de distribuição e alcance”.
Em posicionamento divulgado também ontem, a Meta afirmou que “é o engajamento, e não o número de seguidores, que impulsiona o alcance e o desempenho de um conteúdo”. Segundo a plataforma, vídeos que acumulam visualizações, curtidas, comentários e compartilhamentos em pouco tempo tendem a alcançar mais usuários.
“Uma conta com um número relativamente pequeno de seguidores pode alcançar mais pessoas se uma parcela maior de seu público estiver ativa e visualizar, interagir, republicar ou compartilhar seu conteúdo”, diz a empresa. A Meta acrescentou que isso não representaria “qualquer tratamento preferencial”.