A Polícia Federal (PF) investiga o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino de Almeida, dono da OnilX, por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional (SFN). O inquérito foi aberto em fevereiro deste ano e tramita sob sigilo na Justiça Federal do Paraná. A informação é do site Metrópoles.
De acordo com o portal, Guedes atuou “na linha de frente da OnilX, empresa que tem dado calote em dezenas de investidores que aportaram seus recursos em criptomoedas diante da promessa de rendimentos de até 2,8% ao mês”.
O ex-ministro do governo Jair Bolsonaro teria prestado “consultoria à companhia, participou de reuniões estratégicas, recebeu potenciais investidores em conversas privadas e teve a imagem utilizada em materiais de divulgação da empresa”.
Guedes também teria participado, segundo o site, de “palestras para investidores e assessores da OnilX. Em uma delas, para uma plateia de quase 500 pessoas, elogiou a empresa e afirmou que ela teria papel central no avanço do mundo digital”.
Em uma publicação da OnilX, Guedes aparece ao lado de Fábio Lino e de executivos da Visa em uma reunião descrita como de “alta relevância estratégica”. Na ocasião, foi apresentado como alguém que dava “suporte e visão” ao negócio.
Um casal que cobra R$ 876,5 mil da OnilX afirmou à Justiça que decidiu manter e ampliar os investimentos após participar de uma reunião com Guedes na sede da empresa, em abril. Quatro meses depois, segundo os investidores, uma tentativa de resgate dos valores não teve sucesso.
Em outro processo, uma assessora da empresa citou Guedes ao tentar convencer um potencial cliente a investir. Segundo mensagem anexada aos autos, ela afirmou que o ex-ministro “tá dentro da empresa” e que seria possível marcar uma reunião com ele para discutir estratégias caso o interessado tivesse entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões para aplicar.
Em janeiro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários pelo grupo. Em abril, a autarquia manteve a decisão, mas esclareceu que a medida não abrangia a simples intermediação de criptoativos, como Bitcoin, Ethereum e USDT, sem promessa de rendimento ou contrato de investimento.
O Metrópoles identificou 108 ações judiciais contra o grupo entre 12 de junho e 10 de setembro. Investidores da PF “alegam dificuldades para resgatar valores aplicados em produtos relacionados a criptomoedas e stablecoins e, em alguns casos, levantam suspeitas de pirâmide financeira”.
O inquérito foi autuado em 10 de fevereiro, na 9ª Vara Federal de Curitiba, e apura suspeitas de crimes previstos na Lei nº 7.492/1986. A investigação está sob responsabilidade da PF no Paraná, com participação do Ministério Público Federal (MPF). Em 21 de setembro, houve despacho judicial e expedição de intimações relacionadas a Fábio Lino, à PF e ao MPF. Em outubro, o processo registrou novas petições e diligências policiais.
A OnilX nega as acusações e afirma que atua regularmente no mercado de ativos virtuais.
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