{"id":104352,"date":"2025-02-19T02:04:29","date_gmt":"2025-02-19T02:04:29","guid":{"rendered":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/2025\/02\/19\/como-cidades-brasileiras-estao-transformando-lixo-em-energia\/"},"modified":"2025-02-19T02:04:30","modified_gmt":"2025-02-19T02:04:30","slug":"como-cidades-brasileiras-estao-transformando-lixo-em-energia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/2025\/02\/19\/como-cidades-brasileiras-estao-transformando-lixo-em-energia\/","title":{"rendered":"Como cidades brasileiras est\u00e3o transformando lixo em energia"},"content":{"rendered":"<p> <script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8864793242727901\"\r\n     crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<\/p>\n<div id=\"taboola-read-more\" style=\"display:block; width:100%\">\n<p>Diante do problema cr\u00f4nico do descarte de lixo no Brasil, estados buscam reduzir os impactos dessa produ\u00e7\u00e3o com solu\u00e7\u00f5es inovadoras e mais sustent\u00e1veis. Um dos pioneiros nessa iniciativa \u00e9 o Cear\u00e1, que desde 2018 transforma lixo em g\u00e1s.\n<\/p>\n<p>Chamado biog\u00e1s, ele \u00e9 gerado pela decomposi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica dos res\u00edduos domiciliares.<\/p>\n<p>Enquanto o chorume, um l\u00edquido altamente corrosivo, exige tratamento espec\u00edfico, o biog\u00e1s pode ser aproveitado na gera\u00e7\u00e3o de energia. Ele pode ser utilizado diretamente em turbinas ou passar por um processo de purifica\u00e7\u00e3o, onde s\u00e3o removidos CO2 e outros contaminantes, resultando no biometano &#8211; substituto do g\u00e1s natural que pode ser utilizado em ind\u00fastrias, com\u00e9rcios e ve\u00edculos, sem necessidade de adapta\u00e7\u00f5es.\n<\/p>\n<p>Em cidades cearenses, a produ\u00e7\u00e3o j\u00e1 acontece em grande escala. &#8220;O biometano vem de uma produ\u00e7\u00e3o de seis mil toneladas de material coletado diariamente em Fortaleza e Caucaia. A usina GNR capta e trata o biog\u00e1s produzido no Aterro Municipal Oeste de Caucaia&#8221;, diz Hugo Nery, diretor-presidente da Marquise Ambiental e conselheiro da Abrema (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Res\u00edduos e Meio Ambiente).\n<\/p>\n<p>A experi\u00eancia do Cear\u00e1 n\u00e3o \u00e9 isolada. Outras cidades do pa\u00eds tamb\u00e9m investem nessa tecnologia para transformar lixo em energia limpa. No Rio de Janeiro, por exemplo, a cidade de Serop\u00e9dica j\u00e1 tem seus rejeitos transformados em g\u00e1s. Uma das respons\u00e1veis pelo processo \u00e9 a companhia G\u00e1s Verde, que trata os res\u00edduos do maior aterro sanit\u00e1rio da Am\u00e9rica do Sul, localizado na cidade.\n<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s a partir de mat\u00e9ria org\u00e2nica \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o renov\u00e1vel importante no combate \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Esse processo reduz significativamente as emiss\u00f5es de metano, um g\u00e1s 27 vezes mais poluente que o CO2, segundo especialistas ouvidos pela reportagem.\n<\/p>\n<p>Segundo Mona Lisa Moura, professora do departamento de f\u00edsica da Uece (Universidade Estadual do Cear\u00e1), institui\u00e7\u00e3o associada \u00e0 Rede de Energias Renov\u00e1veis e Inova\u00e7\u00e3o do Estado do Cear\u00e1, o Brasil possui um enorme potencial para a produ\u00e7\u00e3o de biog\u00e1s, especialmente devido \u00e0 sua grande produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria.\n<\/p>\n<p>&#8220;O aproveitamento de res\u00edduos como esterco, palha de cana-de-a\u00e7\u00facar e res\u00edduos org\u00e2nicos permite n\u00e3o apenas a gera\u00e7\u00e3o de energia, mas tamb\u00e9m a redu\u00e7\u00e3o de impactos ambientais&#8221;, diz Moura.\n<\/p>\n<p>Biog\u00e1s como alternativa energ\u00e9tica<br \/>A transforma\u00e7\u00e3o do lixo em energia come\u00e7a nos aterros sanit\u00e1rios, onde a mat\u00e9ria org\u00e2nica descartada passa por um processo de decomposi\u00e7\u00e3o bacteriana em um ambiente sem oxig\u00eanio. \u00c9 da\u00ed que sai o biog\u00e1s, composto majoritariamente por metano, al\u00e9m de outros gases como nitrog\u00eanio e \u00f3xidos de enxofre e nitrog\u00eanio. Esse g\u00e1s pode ser aproveitado diretamente na gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica por meio da queima para movimentar turbinas.\n<\/p>\n<p>Para que o biog\u00e1s seja convertido em biometano, ele passa por um processo de purifica\u00e7\u00e3o em usinas instaladas nos aterros. Nessa etapa, as mol\u00e9culas s\u00e3o transformadas em um g\u00e1s combust\u00edvel pronto para uso. Esse biometano pode ent\u00e3o ser injetado na rede de distribui\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural ou utilizado como combust\u00edvel.\n<\/p>\n<p>A infraestrutura para essa convers\u00e3o inclui uma rede de dutos nos aterros sanit\u00e1rios, respons\u00e1vel por captar o biog\u00e1s gerado na decomposi\u00e7\u00e3o do lixo e lev\u00e1-lo at\u00e9 as usinas.\n<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil tem uma grande oportunidade nesse sentido, pois ainda possui lix\u00f5es a c\u00e9u aberto que precisam ser transformados em aterros sanit\u00e1rios e, consequentemente, podem ampliar a produ\u00e7\u00e3o de biometano no pa\u00eds&#8221;, afirma Marcel Jorand, CEO da G\u00e1s Verde.\n<\/p>\n<p>Atualmente, a empresa administra dois aterros sanit\u00e1rios na regi\u00e3o Sudeste que geram biog\u00e1s e biometano: um em Serop\u00e9dica (RJ) e outro em S\u00e3o Paulo. Apenas a unidade de Serop\u00e9dica recebe cerca de 10 mil toneladas de res\u00edduos por dia.\n<\/p>\n<p>No Cear\u00e1, uma parceria entre o setor p\u00fablico, a empresa que distribui g\u00e1s de petr\u00f3leo no estado e companhias privadas permitiu que a regi\u00e3o se tornasse refer\u00eancia no uso do biometano. &#8220;Hoje, 15% do g\u00e1s consumido no Cear\u00e1 j\u00e1 vem do aterro sanit\u00e1rio&#8221;, explica Nery, da Marquise Ambiental.\n<\/p>\n<p>A usina cearense tem capacidade para produzir 100 mil metros c\u00fabicos por dia e, segundo Nery, se destaca por oferecer uma alternativa energ\u00e9tica com pre\u00e7os mais previs\u00edveis, j\u00e1 que sua atualiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 atrelada ao barril de petr\u00f3leo ou \u00e0 varia\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar.\n<\/p>\n<p>Al\u00e9m de reduzir a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa, a utiliza\u00e7\u00e3o desse combust\u00edvel renov\u00e1vel contribui para a diversifica\u00e7\u00e3o da matriz energ\u00e9tica nacional. No entanto, o avan\u00e7o do setor depende da substitui\u00e7\u00e3o de lix\u00f5es a c\u00e9u aberto por aterros sanit\u00e1rios, garantindo a infraestrutura necess\u00e1ria para capta\u00e7\u00e3o e aproveitamento do g\u00e1s.\n<\/p>\n<p>\u00c9 vi\u00e1vel em todo o Brasil?<br \/>A expans\u00e3o do biog\u00e1s e do biometano no Brasil, embora promissora, enfrenta desafios estruturais e regulat\u00f3rios.\n<\/p>\n<p>Estimativas da Abiog\u00e1s (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Biog\u00e1s e do Biometano) apontam que \u00e9 poss\u00edvel produzir mais de 120 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de biometano por dia, volume suficiente para atender at\u00e9 70% da demanda de diesel do pa\u00eds.\n<\/p>\n<p>Por\u00e9m, como destaca Nery, a ado\u00e7\u00e3o dessa tecnologia em outras cidades e centros urbanos depende da coleta eficiente e da separa\u00e7\u00e3o adequada dos res\u00edduos, da quantidade de mat\u00e9ria org\u00e2nica dispon\u00edvel e da infraestrutura e demanda para escoamento do g\u00e1s. &#8220;O biometano requer um grande volume de res\u00edduos org\u00e2nicos para que a produ\u00e7\u00e3o seja vi\u00e1vel e tenha escala&#8221;, explica.\n<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 obst\u00e1culos log\u00edsticos, especialmente pela concentra\u00e7\u00e3o dos gasodutos no litoral. Isso torna mais desafiadora a implementa\u00e7\u00e3o de usinas em cidades menores e no interior. &#8220;Cidades pequenas precisam se conectar aos aterros regionais j\u00e1 existentes ou em constru\u00e7\u00e3o, pois solu\u00e7\u00f5es individuais seriam economicamente invi\u00e1veis&#8221;, diz Maranh\u00e3o, da Abrema.\n<\/p>\n<p>&#8220;Muitos Estados ainda est\u00e3o em fase inicial de discuss\u00e3o sobre o biometano&#8221;, pondera Nery. &#8220;\u00c9 um mercado relativamente novo, mas est\u00e1 numa tend\u00eancia de crescimento.&#8221;\n<\/p>\n<p>Internacionalmente, o Brasil ainda est\u00e1 come\u00e7ando, mas outros pa\u00edses j\u00e1 adotam modelos semelhantes com sucesso. Na Alemanha, por exemplo, 99% dos aterros sanit\u00e1rios capturam metano para gerar energia, e o pa\u00eds apresenta uma taxa de reciclagem de 67%. Nos Estados Unidos, muitos aterros geram eletricidade e biometano para abastecer frotas de caminh\u00f5es e redes de g\u00e1s.\n<\/p>\n<p>O problema do lixo no Brasil<br \/>Embora os aterros sanit\u00e1rios sejam previstos como a solu\u00e7\u00e3o ambientalmente adequada pela PNRS (Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos), apenas 58,5% dos res\u00edduos urbanos do pa\u00eds s\u00e3o destinados corretamente, segundo dados de 2023 da Abrema. O restante acaba em lix\u00f5es a c\u00e9u aberto ou em locais inadequados, ampliando os riscos ambientais.\n<\/p>\n<p>Especialistas ouvidos pela DW apontam que um dos principais entraves para uma gest\u00e3o mais eficiente do lixo \u00e9 a falta de comprometimento dos munic\u00edpios com a destina\u00e7\u00e3o correta dos res\u00edduos, agravada pela aus\u00eancia de financiamento para a infraestrutura necess\u00e1ria.\n<\/p>\n<p>A cobran\u00e7a pelo servi\u00e7o de coleta e tratamento de res\u00edduos, essencial para garantir sua viabilidade, ainda n\u00e3o \u00e9 realidade em muitas cidades. Enquanto \u00e1gua, luz e telefonia s\u00e3o cobrados dos consumidores, a gest\u00e3o do lixo segue sem um modelo sustent\u00e1vel de financiamento em diversos munic\u00edpios, o que compromete os investimentos na \u00e1rea.\n<\/p>\n<p>&#8220;Muitas prefeituras n\u00e3o cobram por esse servi\u00e7o e acabam sem condi\u00e7\u00f5es de cobrir os custos&#8221;, afirma Pedro Maranh\u00e3o, presidente da Abrema.\n<\/p>\n<p>Al\u00e9m da falta de recursos, outro problema \u00e9 que mais de 95% do material coletado no pa\u00eds ainda \u00e9 descartado no solo, sem reaproveitamento.\n<\/p>\n<p>&#8220;Temos quase dois mil lix\u00f5es ainda em opera\u00e7\u00e3o no Brasil, e esse cen\u00e1rio reflete a aus\u00eancia de estrat\u00e9gias adequadas por parte dos munic\u00edpios&#8221;, pontua Carlos Silva Filho, presidente honor\u00e1rio da ISWA (International Solid Waste Association).\n<\/p>\n<p>A reciclagem, apontada como uma solu\u00e7\u00e3o para reduzir a sobrecarga dos aterros, enfrenta desafios econ\u00f4micos. O alto custo da mat\u00e9ria-prima reciclada em compara\u00e7\u00e3o com a virgem torna o processo menos atraente financeiramente. Al\u00e9m disso, empres\u00e1rios do setor apontam que a bitributa\u00e7\u00e3o sobre materiais recicl\u00e1veis desestimula sua reutiliza\u00e7\u00e3o.\n<\/p>\n<p>&#8220;A mat\u00e9ria-prima que j\u00e1 pagou imposto quando foi transformada em produto volta a ser tributada ao retornar como material reciclado. Isso impede avan\u00e7os&#8221;, afirma Maranh\u00e3o.\n<\/p>\n<p>Transformar essa realidade requer planejamento e investimentos, dizem especialistas. Um estudo do Instituto Brasileiro de Res\u00edduos S\u00f3lidos calcula que o Brasil precisaria de R$ 60 bilh\u00f5es para atingir as metas do Plano Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos, que previa o encerramento de todos os lix\u00f5es ainda em 2024 e a recupera\u00e7\u00e3o de 20% de recicl\u00e1veis secos at\u00e9 2040 (partindo de um \u00edndice de 2,2% em 2020). No entanto, ainda n\u00e3o h\u00e1 uma fonte de financiamento definida para viabilizar essa estrutura.\n<\/p>\n<p>Silva Filho, da ISWA, v\u00ea grande potencial do setor de res\u00edduos s\u00f3lidos para a mitiga\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es globais. Ele enfatiza que, al\u00e9m de reduzir suas pr\u00f3prias emiss\u00f5es, o setor pode ajudar outros segmentos ao substituir combust\u00edveis f\u00f3sseis e mat\u00e9ria-prima virgem. &#8220;\u00c9 fundamental fechar os lix\u00f5es e avan\u00e7ar nas pr\u00e1ticas de gest\u00e3o de res\u00edduos, para que o setor se torne um aliado no combate ao aquecimento global&#8221;, diz.\n<\/p>\n<p>Fonte: Uol              <\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodobrasilnoticias.com.br\/noticia\/como-cidades-brasileiras-estao-transformando-lixo-em-energia-67b51a4ac72cc\">Source link <\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diante do problema cr\u00f4nico do descarte de lixo no Brasil, estados buscam reduzir os impactos dessa produ\u00e7\u00e3o com solu\u00e7\u00f5es inovadoras e mais sustent\u00e1veis. 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