{"id":109361,"date":"2025-03-08T15:47:52","date_gmt":"2025-03-08T15:47:52","guid":{"rendered":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/2025\/03\/08\/saiba-como-o-lagarto-monstro-de-gila-contribuiu-para-o-desenvolvimento-do-ozempic\/"},"modified":"2025-03-08T15:47:53","modified_gmt":"2025-03-08T15:47:53","slug":"saiba-como-o-lagarto-monstro-de-gila-contribuiu-para-o-desenvolvimento-do-ozempic","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/2025\/03\/08\/saiba-como-o-lagarto-monstro-de-gila-contribuiu-para-o-desenvolvimento-do-ozempic\/","title":{"rendered":"Saiba como o lagarto &#8216;monstro-de-gila&#8217; contribuiu para o desenvolvimento do Ozempic"},"content":{"rendered":"<p> <script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8864793242727901\"\r\n     crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<\/p>\n<div id=\"taboola-read-more\" style=\"display:block; width:100%\">\n<p>\u00c9 uma pequena criatura, de pele brilhante e escamosa, que vagueia pelos desertos da Am\u00e9rica do Norte com passos lentos e que, indiretamente, serviu para promover uma revolu\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica.\n<\/p>\n<p>Seu nome cient\u00edfico \u00e9 Heloderma suspectum, mas a maioria das pessoas conhece este r\u00e9ptil como monstro-de-gila.<\/p>\n<p>E embora sua mordida venenosa possa causar s\u00e9rias complica\u00e7\u00f5es para um ser humano \u2014 em novembro de 2024, um homem morreu no Estado do Colorado, nos EUA, ap\u00f3s ser mordido por seu monstro-de-gila de estima\u00e7\u00e3o \u2014, este pequeno animal um tanto desajeitado est\u00e1 por tr\u00e1s de uma das descobertas m\u00e9dicas que mais prometem salvar vidas no futuro.\n<\/p>\n<p>Em seu veneno, pesquisadores descobriram uma enzima que inspiraria os cientistas a desenvolver medicamentos que aumentam a atividade do receptor GLP-1, que hoje s\u00e3o vendidos nas farm\u00e1cias com os nomes Ozempic, Wegovy e Mounjaro \u2014 e prometem ser uma revolu\u00e7\u00e3o no combate ao diabetes tipo 2 e \u00e0 obesidade.\n<\/p>\n<p>Assim como o monstro-de-gila foi a esp\u00e9cie-chave para o desenvolvimento destes medicamentos, o estudo do veneno de outros animais tamb\u00e9m j\u00e1 rendeu avan\u00e7os importantes, como o desenvolvimento de medicamentos para controle da press\u00e3o arterial e anticoagulantes.\n<\/p>\n<p>Mas, afinal, o que h\u00e1 de t\u00e3o especial neste lagarto? E como \u00e9 poss\u00edvel obter a partir de uma de suas toxinas, um dos medicamentos mais promissores das \u00faltimas d\u00e9cadas?\n<\/p>\n<p><strong>O veneno do monstro<\/strong>\n<\/p>\n<p>&#8220;As toxinas evoluem para desempenhar fun\u00e7\u00f5es muito espec\u00edficas, como se defender contra predadores ou incapacitar suas presas&#8221;, explica \u00e0 BBC News Mundo, servi\u00e7o de not\u00edcias em espanhol da BBC, o professor Kini, que dedicou sua vida a explorar diferentes tipos de toxinas para encontrar usos alternativos para elas.\n<\/p>\n<p>No caso do monstro-de-gila \u2014 uma das duas esp\u00e9cies de lagartos venenosos nativos da Am\u00e9rica do Norte \u2014 seu veneno evoluiu para imobilizar pequenas presas, devido \u00e0 sua falta de agilidade.\n<\/p>\n<p>O que os cientistas descobriram \u00e9 que, al\u00e9m de ter um efeito sobre a presa, um horm\u00f4nio presente no veneno do monstro-de-gila parecia ajudar o metabolismo deste lagarto a desacelerar a tal ponto, que ele \u00e9 capaz de sobreviver por at\u00e9 um ano com apenas seis refei\u00e7\u00f5es, de acordo com a Universidade de Queensland, na Austr\u00e1lia.\n<\/p>\n<p>Ao isol\u00e1-lo, os pesquisadores descobriram que este horm\u00f4nio, que chamaram de exendina-4, era muito semelhante ao GLP-1, uma subst\u00e2ncia que o ser humano produz naturalmente para regular os n\u00edveis de a\u00e7\u00facar no sangue ap\u00f3s as refei\u00e7\u00f5es.\n<\/p>\n<p>No entanto, a exendina-4 \u00e9 diferente do GLP-1 em uma caracter\u00edstica fundamental: enquanto o GLP-1 humano deixa o corpo rapidamente por meio de mecanismos de excre\u00e7\u00e3o natural, a exendina-4 permanece por mais tempo no organismo, o que faz com que seu efeito na regula\u00e7\u00e3o da glicose seja mais duradouro.\n<\/p>\n<p>Isso fornece a base para o desenvolvimento de medicamentos que atuam como agonistas do receptor de GLP-1.\n<\/p>\n<p><strong>De t\u00f3xico a terap\u00eautico<\/strong>\n<\/p>\n<p>A primeira grande aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica da exendina-4 foi no desenvolvimento de um medicamento chamado Byetta (exenatida), especificamente para tratar diabetes tipo 2.\n<\/p>\n<p>Este tratamento ajuda a reduzir os n\u00edveis de glicose e, com pequenas modifica\u00e7\u00f5es, lan\u00e7ou as bases para outros compostos mais resistentes e duradouros, como a semaglutida (princ\u00edpio ativo do Ozempic e Wegovy).\n<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 impressionante como uma mudan\u00e7a em um ou dois amino\u00e1cidos pode fazer com que a mol\u00e9cula dure mais tempo na corrente sangu\u00ednea, mantendo ou at\u00e9 mesmo aumentando sua efic\u00e1cia terap\u00eautica&#8221;, diz Kini \u00e0 BBC News Mundo.\n<\/p>\n<p>No caso da semaglutida, ele explicou, o que foi feito foi adicionar uma cadeia de \u00e1cidos graxos que a liga \u00e0 albumina s\u00e9rica \u2014 a prote\u00edna no sangue que ajuda a transportar horm\u00f4nios, vitaminas e enzimas pelo corpo \u2014, o que faz com que ela permane\u00e7a na circula\u00e7\u00e3o por mais tempo.<br \/>Kini afirma, no entanto, que a semaglutida n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico caso em que as toxinas serviram de base para o desenvolvimento de um medicamento.\n<\/p>\n<p><strong>Imitando a natureza<\/strong>\n<\/p>\n<p>Como destacou Kini, pesquisadores do mundo todo analisam venenos de diferentes esp\u00e9cies h\u00e1 d\u00e9cadas, revelando compostos que depois s\u00e3o transformados em medicamentos para uso em massa.\n<\/p>\n<p>Segundo ele, &#8220;j\u00e1 na d\u00e9cada de 1970, foi isolado um pept\u00eddeo do veneno da cobra brasileira Bothrops jararaca, que deu origem aos inibidores da ECA (enzima conversora da angiotensina)&#8221;, medicamentos que hoje s\u00e3o essenciais para o controle da press\u00e3o arterial e da insufici\u00eancia card\u00edaca.\n<\/p>\n<p>Com o tempo, foram sintetizados produtos como o captopril e o enalapril, que ainda s\u00e3o receitados para milh\u00f5es de pacientes ao redor do mundo.\n<\/p>\n<p>Os exemplos s\u00e3o muitos: desde carac\u00f3is marinhos, cujas neurotoxinas permitem tratar a dor cr\u00f4nica quando modificadas em laborat\u00f3rio, at\u00e9 sanguessugas medicinais, cujo anticoagulante natural deu origem a medicamentos que reduzem o risco de embolias.<br \/>O princ\u00edpio \u00e9 sempre o mesmo: &#8220;As toxinas evoluem para causar efeitos muito precisos no organismo de suas presas ou predadores. Se conseguirmos isolar e compreender esses mecanismos, podemos transformar o veneno em um aliado terap\u00eautico&#8221;, explica Kini.\n<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Kini estuda o veneno de cobras e a saliva de mosquitos com o objetivo de desenvolver medicamentos que previnam danos ao cora\u00e7\u00e3o ap\u00f3s um ataque card\u00edaco e controlem problemas de diurese.\n<\/p>\n<p>Em sua experi\u00eancia, muitas destas toxinas apresentam pequenas varia\u00e7\u00f5es em um ou dois amino\u00e1cidos que desencadeiam efeitos fisiol\u00f3gicos altamente espec\u00edficos, sendo uma quest\u00e3o de isol\u00e1-las e modific\u00e1-las para cria\u00e7\u00e3o de novas terapias.\n<\/p>\n<p><strong>Um futuro com toxinas<\/strong>\n<\/p>\n<p>A experi\u00eancia com o monstro-de-gila demonstra o potencial de combinar a biologia molecular, a farmacologia e o estudo detalhado de venenos.\n<\/p>\n<p>Para Kini, o fato de um r\u00e9ptil relativamente lento e inofensivo \u00e0 primeira vista \u2014capaz de sobreviver com poucas refei\u00e7\u00f5es e portar um veneno est\u00e1vel \u2014, ter fornecido a base para medicamentos revolucion\u00e1rios \u00e9 uma amostra do que poderia ser encontrado em outras criaturas.\n<\/p>\n<p>&#8220;Vivemos em uma era em que novas ferramentas nos permitem avan\u00e7ar mais r\u00e1pido do que nunca. Ainda assim, o maior desafio costuma ser o financiamento: transformar uma descoberta de laborat\u00f3rio em um medicamento dispon\u00edvel comercialmente leva anos de ensaios cl\u00ednicos e grandes investimentos&#8221;, ele adverte.\n<\/p>\n<p>No entanto, ele acredita que os resultados mais do que justificam o esfor\u00e7o, especialmente considerando o profundo impacto de doen\u00e7as como diabetes, obesidade e hipertens\u00e3o.\n<\/p>\n<p>&#8220;As pr\u00f3ximas d\u00e9cadas podem nos reservar novas surpresas&#8221;, diz Kini.\n<\/p>\n<p>&#8220;Podemos encontrar compostos ainda mais eficazes no veneno de algum outro animal, ou criar vers\u00f5es sint\u00e9ticas que ataquem doen\u00e7as por novos \u00e2ngulos.&#8221;\n<\/p>\n<p>Fonte: g1              <\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodobrasilnoticias.com.br\/noticia\/saiba-como-o-lagarto-monstro-de-gila-contribuiu-para-o-desenvolvimento-do-ozempic-67cc42759121b\">Source link <\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 uma pequena criatura, de pele brilhante e escamosa, que vagueia pelos desertos da Am\u00e9rica do Norte com passos lentos e que, indiretamente, serviu para promover uma revolu\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica. 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