{"id":110780,"date":"2025-03-13T19:15:19","date_gmt":"2025-03-13T19:15:19","guid":{"rendered":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/2025\/03\/13\/brasileiros-recorrem-a-carcaca-de-frango-e-espinha-de-porco-para-enfrentar-inflacao-a-gente-se-vira\/"},"modified":"2025-03-13T19:15:21","modified_gmt":"2025-03-13T19:15:21","slug":"brasileiros-recorrem-a-carcaca-de-frango-e-espinha-de-porco-para-enfrentar-inflacao-a-gente-se-vira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/2025\/03\/13\/brasileiros-recorrem-a-carcaca-de-frango-e-espinha-de-porco-para-enfrentar-inflacao-a-gente-se-vira\/","title":{"rendered":"Brasileiros recorrem a carca\u00e7a de frango e espinha de porco para enfrentar infla\u00e7\u00e3o: &#8216;A gente se vira&#8217;"},"content":{"rendered":"<p> <script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8864793242727901\"\r\n     crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<\/p>\n<div id=\"taboola-read-more\" style=\"display:block; width:100%\">\n<p>&#8220;Driblar os pre\u00e7os.&#8221; \u00c9 assim que Ionara de Jesus, de 43 anos, tenta explicar sua \u00fanica estrat\u00e9gia para alimentar a casa onde vive com tr\u00eas filhos, de 24 (uma mo\u00e7a acamada), 15 e 13 anos, no Parque Santo Ant\u00f4nio, na periferia de S\u00e3o Paulo.\n<\/p>\n<p>Enquanto a DW atravessa os corredores de um supermercado do bairro da Zona Sul com ela, por\u00e9m, d\u00e1 para ver que, com a atual infla\u00e7\u00e3o, os dribles est\u00e3o sendo menos poss\u00edveis.<\/p>\n<p>De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), a infla\u00e7\u00e3o dos alimentos chegou a 7,69% no ano passado \u2014um valor bem acima dos 1,11% registrados em 2023. No acumulado do \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) de 12 meses at\u00e9 fevereiro, houve uma pequena desacelera\u00e7\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o com janeiro (7,49%), mas seguiu em alta 7,12%.\n<\/p>\n<p>Realidades como a de Ionara t\u00eam preocupado o governo federal desde o fim de 2024, mas, depois que atingiram a popularidade do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, se transformaram num verdadeiro entrave. Na \u00faltima investida, h\u00e1 alguns dias, o Planalto retirou impostos de importa\u00e7\u00e3o de alguns produtos b\u00e1sicos, como caf\u00e9, a\u00e7\u00facar, azeite de oliva e sardinha.\n<\/p>\n<p>&#8220;Ainda que uma infla\u00e7\u00e3o de alimentos caia, inevitavelmente, na conta de qualquer governo, fato \u00e9 que a atual administra\u00e7\u00e3o tem pouca responsabilidade no que est\u00e1 acontecendo&#8221;, explica o economista Andr\u00e9 Braz, do FGV-Ibre, no Rio de Janeiro.\n<\/p>\n<p>Segundo Braz, a alta no pre\u00e7o dos alimentos se deve a fatores que v\u00e3o de resqu\u00edcios da pandemia de Covid-19 a quest\u00f5es clim\u00e1ticas, que fizeram produtos como o caf\u00e9 e o azeite dispararem, por exemplo. &#8220;A \u00fanica coisa que podemos culpar esse governo \u00e9 pela valoriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar causada pela incerteza fiscal&#8221;, continua.\n<\/p>\n<h2 id=\"mudanca-no-carrinho\" class=\"c-news__subtitle\">MUDAN\u00c7A NO CARRINHO<\/h2>\n<p>Vinculada h\u00e1 cerca um ano ao Programa Opera\u00e7\u00e3o Trabalho (POT), da prefeitura de S\u00e3o Paulo, desde que ficou vi\u00fava, Ionara de Jesus recebe R$ 1.500 mensalmente \u2013um\u00a0<a href=\"https:\/\/12ft.io\/proxy?q=https%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Ffolha-topicos%2Fsalario-minimo%2F\" target=\"_parent\">sal\u00e1rio\u00a0<\/a><a href=\"https:\/\/12ft.io\/proxy?q=https%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Ffolha-topicos%2Fsalario-minimo%2F\" target=\"_parent\">m\u00ednimo<\/a>\u2013 fazendo algumas atividades espor\u00e1dicas do projeto, como fiscalizar barracas de feiras de rua ou tecer tapetes.\n<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Como a\u00a0<a href=\"https:\/\/12ft.io\/proxy?q=https%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Ffolha-topicos%2Frenda%2F\" target=\"_parent\">renda<\/a>\u00a0n\u00e3o \u00e9 suficiente para alimentar a fam\u00edlia o m\u00eas inteiro, ela confia em doa\u00e7\u00f5es de cestas b\u00e1sicas para completar a dispensa. No bairro, esse circuito \u00e9 intermediado pelo Instituto Josefina Bakhita, ligado \u00e0 ONG A\u00e7\u00e3o da Cidadania, sediada no Rio de Janeiro.\n<\/p>\n<p>&#8220;Algumas coisas que eram comuns na mesa daqui, como caf\u00e9 ou ovos, por exemplo, viraram artigos de luxo nos \u00faltimos meses&#8221;, lamenta a diretora da entidade, Marisa Mun\u00e7\u00e3o, lembrando do aumento de 50% do primeiro no acumulado de 12 meses registrado em janeiro e de mais de 40% no pre\u00e7o do segundo em fevereiro.\n<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que ali, diante das g\u00f4ndolas, os &#8220;dribles&#8221; de Ionara t\u00eam que ser certeiros. Um deles \u00e9 no feij\u00e3o que, ao inv\u00e9s do tipo tradicional (R$ 7 por quilo), agora ela substitui pelo fradinho, quase pela metade do pre\u00e7o. &#8220;E eu vou adicionando \u00e1gua toda vez que requento a panela. Vai rendendo mais&#8221;.\n<\/p>\n<p>Depois, diante das farinhas de trigo, ela corre para pegar um pacote, explicando que, com ele, d\u00e1 para &#8220;inventar&#8221; um tipo de &#8220;bolinho de chuva&#8221; que sempre ajuda a matar a fome.\n<\/p>\n<p>Outro &#8220;drible&#8221; \u00e9 sobre o caf\u00e9 que, vendido por R$ 32 em uma embalagem de 500 gramas, \u00e9 trocado h\u00e1 alguns meses por uma caixinha de ch\u00e1 \u2013dessa vez, de capim-santo, mas podia ser de camomila, diz Ionara. Mudar o sabor \u00e9 um jeito de burlar o desejo.\n<\/p>\n<p>&#8220;Estamos aprendendo a depender menos de cafe\u00edna&#8221;, sorri, encabulada. Alguns minutos depois, quando ela retorna involuntariamente ao corredor do produto, revela \u00e0 DW outra estrat\u00e9gia recente. &#8220;A gente reveza l\u00e1 em casa: cada dia um de n\u00f3s toma caf\u00e9. Da\u00ed o pacote dura mais.&#8221;\n<\/p>\n<p>J\u00e1 alguns itens que faziam parte da compra dom\u00e9stica \u2014ultraprocessados, como bolachas e salgadinhos, mas tamb\u00e9m latic\u00ednios, como iogurtes e queijos\u2014 foram sumariamente tirados da lista. &#8220;Se n\u00e3o sobra dinheiro nem para comprar fruta na feira, como vou comprar essas coisas?&#8221;, questiona.\n<\/p>\n<h2 id=\"carcaca-de-frango-e-sua-de-porco\" class=\"c-news__subtitle\">CARCA\u00c7A DE FRANGO E SU\u00c3 DE PORCO<\/h2>\n<p>A advogada L\u00e9a Vidigal, que acabou de lan\u00e7ar o livro Direito Econ\u00f4mico e Soberania Alimentar, lembra como, em meio \u00e0 alta no pre\u00e7o dos alimentos, o risco de que fam\u00edlias mais pobres tenham um acesso prec\u00e1rio \u00e0s prote\u00ednas se intensifica, &#8220;o que \u00e9 grave, porque a falta delas tem uma s\u00e9rie de preju\u00edzos \u00e0 forma\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, por exemplo&#8221;, observa.\n<\/p>\n<p>&#8220;A desigualdade se mede muito pela qualidade dos alimentos que as pessoas das diferentes classes comem.&#8221;\n<\/p>\n<p>Na casa de Ionara, a presen\u00e7a di\u00e1ria de\u00a0<a href=\"https:\/\/12ft.io\/proxy?q=https%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Ffolha-topicos%2Fcarne%2F\" target=\"_parent\">carne<\/a>\u00a0vermelha na mesa cessou h\u00e1 mais ou menos seis meses, quando o pre\u00e7o dos bovinos disparou al\u00e9m do que ela podia pagar. Segundo o IBGE, essa eleva\u00e7\u00e3o foi de mais de 20% s\u00f3 em 2024. Hoje, entre dois e tr\u00eas dias da semana, ela e os filhos comem apenas arroz e feij\u00e3o, sem nada mais.\n<\/p>\n<p>&#8220;Eles n\u00e3o gostam de salsicha&#8221;, lamenta, contando que, com o ovo mais caro, ela perdeu um dos substitutos comuns das classes mais baixas diante da impossibilidade de comer carne.\n<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Mas Ionara tem outras estrat\u00e9gias: uma \u00e9 a carca\u00e7a de frango, que n\u00e3o se vende no supermercado, mas \u00e9 facilmente encontrada em granjas do bairro. Custa cerca de R$ 30 e pesa em torno de 4 kg. &#8220;E da\u00ed a gente inventa, n\u00e9? Faz uma sopa, refoga, cozinha uma canja, e ela vai durando umas duas semanas. \u00c0s vezes at\u00e9 mais.&#8221;\n<\/p>\n<p>Outra \u00e9 a espinha do porco, que se encontra nos a\u00e7ougues pelo nome de su\u00e3. \u00c9 uma mistura de osso, carne e gordura su\u00edna. Ionara o encontra por R$ 10 o quilo. &#8220;A gente faz a festa com isso! &#8220;, sorri de novo. Com as doa\u00e7\u00f5es dando conta do suprimento de carboidratos (macarr\u00e3o, arroz, farinha), uma vez ou outra ela tem conseguido comprar ovos ou at\u00e9 mesmo pe\u00e7as bovinas, como ac\u00e9m (R$ 32 o quilo). &#8220;Mas o dinheiro ainda \u00e9 muito pouco.&#8221;\n<\/p>\n<p>De fato, segundo dados do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), uma cesta b\u00e1sica em S\u00e3o Paulo estava custando cerca de R$ 851 em janeiro deste ano \u2014ou 56% de um sal\u00e1rio m\u00ednimo.\n<\/p>\n<p>Segundo o Dieese, diante da infla\u00e7\u00e3o, o sal\u00e1rio m\u00ednimo necess\u00e1rio para sustentar uma fam\u00edlia de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.156,15.\n<\/p>\n<h2 id=\"aproveitar-o-momento-para-emagrecer-\" class=\"c-news__subtitle\">&#8220;APROVEITAR O MOMENTO PARA EMAGRECER&#8221;<\/h2>\n<p>Do outro lado da metr\u00f3pole, mas ainda na periferia \u2013no bairro da Vila Nova Cachoeirinha, na Zona Norte\u2013, a casa do motorista de aplicativo Luiz Benedito, de 40 anos, tamb\u00e9m est\u00e1 comendo diferente h\u00e1 alguns meses. Nela vivem, al\u00e9m dele, a esposa, Suelen Camargo, de 36 anos, e os dois filhos, uma garota de 13 anos e um menino de 3.\n<\/p>\n<p>Na pandemia, Luiz trocou um emprego est\u00e1vel em uma construtora civil, de ajudante de pedreiro, pelas longas jornadas di\u00e1rias ao volante. Valeu a pena, ele acredita. &#8220;Meu sal\u00e1rio mais do que dobrou&#8221;, revela, contente. Hoje, sua renda fica em torno de R$ 4.000.\n<\/p>\n<p>No entanto, assim como Ionara, n\u00e3o est\u00e1 dando para comer carne bovina todos os dias. &#8220;Basicamente comemos s\u00f3 frango agora&#8221;, conta Luiz, defronte \u00e0 estufa do a\u00e7ougue de um pequeno mercado da regi\u00e3o. Do outro lado do balc\u00e3o, o a\u00e7ougueiro ouve a conversa com a reportagem e adiciona: &#8220;N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ele. Todo mundo est\u00e1 fazendo isso aqui agora.&#8221;\n<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 que, al\u00e9m de ser mais barato, o frango tem mais prote\u00edna do que qualquer carne vermelha&#8221;, prossegue Luiz. &#8220;Minha esposa est\u00e1 at\u00e9 aproveitando o momento para emagrecer.&#8221;\n<\/p>\n<p>Os rendimentos um pouco mais altos d\u00e3o a ele algumas alternativas imposs\u00edveis a quem tem uma renda semelhante a de Ionara. O caf\u00e9, por exemplo, n\u00e3o rareou, porque &#8220;como a gente \u00e9 pobre desde sempre, n\u00e3o se importa muito com r\u00f3tulo. \u00c9 sempre o mais barato mesmo&#8221;, diz enquanto coloca no carrinho um pacote que, na promo\u00e7\u00e3o, sai por R$ 25 o quilo.\n<\/p>\n<p>A mesma coisa com o arroz: ele e Suelen tinham uma marca preferida que, no ano passado, chegou a custar R$ 40. &#8220;N\u00e3o dava para comprar. A gente trocou por outra. [A qualidade] Era pior, mas a conta fechava.&#8221;\n<\/p>\n<p>Processados, por\u00e9m, entraram em uma negocia\u00e7\u00e3o tensa com os filhos, que antes consumiam iogurtes, salgadinhos e cereais com frequ\u00eancia. Hoje, como a compra b\u00e1sica do m\u00eas ficou mais cara, sobra pouco dinheiro para esse tipo de item, e a sa\u00edda t\u00eam sido regul\u00e1-los. &#8220;Tem dia que tem e tem dia que n\u00e3o tem. Paci\u00eancia.&#8221;\n<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9 Braz, do FGV-Ibre, h\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica central para isso: o fato da comida ter pesos diferentes nos or\u00e7amentos dom\u00e9sticos.\n<\/p>\n<p>&#8220;As classes mais altas, al\u00e9m de protegidas da infla\u00e7\u00e3o pelos rendimentos de todos os seus investimentos, comprometem sua renda com uma cesta maior de consumos, que v\u00e3o dos servi\u00e7os a bens dur\u00e1veis&#8221;, diz. &#8220;Mas, quanto menor a renda, menos espa\u00e7o para outra despesa que n\u00e3o seja comer. Logo, se a pessoa s\u00f3 compra comida, ela s\u00f3 pode sentir a infla\u00e7\u00e3o da comida.&#8221;\n<\/p>\n<p>Uma estrat\u00e9gia comum para lidar com isso \u00e9 recorrer a compras por atacado. Com os alimentos mais caros, Luiz, por exemplo, mudou recentemente de h\u00e1bito para produtos de limpeza ou de higiene pessoal: duas vezes por m\u00eas, ele vai a mercados atacadistas, que se tornaram populares nas periferias de S\u00e3o Paulo, em busca de grandes embalagens. L\u00e1 ele compra detergente, \u00e1gua sanit\u00e1ria, desinfetante e xampu. Os gal\u00f5es variam entre 5 e 10 litros.\n<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um dilema, porque, de um lado, voc\u00ea precisa ter o dinheiro ali na hora para pagar. Nem sempre a gente tem, n\u00e9? Mas, por outro, eles rendem por muito mais tempo em casa. Alguns at\u00e9 mais, porque a gente joga \u00e1gua para durar mais um pouco.&#8221;\n<\/p>\n<p>Na casa da gestora de marketing Marcella Dragone, 40 anos, na Vila Madalena, regi\u00e3o famosa pelos bares e restaurantes da Zona Oeste de S\u00e3o Paulo, a comida chega de diversos lugares. Um a\u00e7ougue entrega periodicamente as carnes para\u00a0<a href=\"https:\/\/12ft.io\/proxy?q=https%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Ffolha-topicos%2Falimentacao%2F\" target=\"_parent\">alimenta\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0da fam\u00edlia, composta por Marcella, a filha, de 7 anos, e o marido, que gerencia a \u00e1rea de atendimento de um banco.\n<\/p>\n<p>Um servi\u00e7o por assinatura supre os org\u00e2nicos, dos quais ela n\u00e3o abre m\u00e3o desde que a garota nasceu \u2013e que ficou mais caro no come\u00e7o de 2025. O que falta ela costuma comprar em um hortifruti perto de casa, e \u00e9 ali onde sente a infla\u00e7\u00e3o dos alimentos na pele. &#8220;Mas eu n\u00e3o fa\u00e7o muita conta&#8221;, admite.\n<\/p>\n<p>Quando o pre\u00e7o aperta, a solu\u00e7\u00e3o tem sido comprar &#8220;sob demanda&#8221; \u2013caso de salames e presuntos crus que, antes, estavam sempre \u00e0 m\u00e3o na dispensa. &#8220;Agora s\u00f3 compramos essas coisas quando vamos receber algu\u00e9m em casa, amigos ou familiares.&#8221; Em outros momentos, ela troca as marcas de antes. &#8220;Nesse caso, n\u00e3o precisa deixar de consumir: \u00e9 s\u00f3 baratear o pr\u00f3prio produto&#8221;, explica.\n<\/p>\n<p>O iogurte, por exemplo, foi um dos substitu\u00eddos: saiu um fabricante importado cujo pote de 200 gramas custa R$ 32 \u2013&#8221;uma fortuna!&#8221;, exclama Marcella\u2013 por v\u00e1rios copinhos de uma conhecida marca nacional, cerca de R$ 2 cada. A mesma coisa com o suco de uva que, at\u00e9 alguns meses atr\u00e1s tamb\u00e9m tinha r\u00f3tulo certo, independente do custo.\n<\/p>\n<p>&#8220;Mas o suco est\u00e1 com o pre\u00e7o do vinho agora&#8221;, comenta ela. Na geladeira do hortifruti se v\u00ea, enorme, o valor de R$ 32. &#8220;Custava R$ 20 at\u00e9 alguns dias atr\u00e1s!&#8221;. A solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 logo ali: a bebida feita pelo pr\u00f3prio supermercado \u2013e de sabor laranja, &#8220;que est\u00e1 saindo mais em conta&#8221;. O pre\u00e7o, no dia em que conversou com a DW, estava em R$ 15.\n<\/p>\n<p>Mas Marcella n\u00e3o abre n\u00e3o de comer alimentos saud\u00e1veis. &#8220;Antes de ser m\u00e3e, eu n\u00e3o tinha problema em comer ultraprocessados, mas agora n\u00e3o entram em casa de jeito nenhum&#8221;, revela. \u00c9 por isso que alguns itens permanecem na lista apesar de estarem bem mais caros. Al\u00e9m do leite integral, \u00e9 o caso dos pr\u00f3prios org\u00e2nicos, por exemplo, que chegam \u00e0 sua casa semanalmente.\n<\/p>\n<p>Em janeiro, segundo o IPCA, s\u00f3 a cenoura disparou 36%, enquanto o tomate, 20%. A explica\u00e7\u00e3o, por ora, est\u00e1 nas safras. &#8220;Alimentos in natura s\u00e3o mais sens\u00edveis \u00e0s varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, e o ver\u00e3o \u00e9 especialmente ruim nesse sentido, porque ou chove muito ou o calor \u00e9 forte&#8221;, explica Braz.\n<\/p>\n<p>Na rotina apressada dela \u2013e do marido\u2013, comer fora n\u00e3o \u00e9 trivial: acontece entre duas e tr\u00eas vezes por semana, principalmente por delivery.\n<\/p>\n<p>Segundo a Federa\u00e7\u00e3o de Hot\u00e9is, Restaurantes e Bares do Estado de S\u00e3o Paulo (FHORESP), essa chamada &#8220;alimenta\u00e7\u00e3o fora do lar&#8221; subiu 6,29% em 2024. Uma taxa alta, mas ainda assim menor que a infla\u00e7\u00e3o dos alimentos em geral. &#8220;\u00c0s vezes, parada no tr\u00e2nsito, eu j\u00e1 vou pedindo alguma coisa ou at\u00e9 fazendo mercado.&#8221;\n<\/p>\n<p>Algumas estrat\u00e9gias de Marcella at\u00e9 se assemelham \u00e0 de Luiz, da Vila Nova Cachoeirinha, e at\u00e9 \u00e0s de Ionara, no Parque Santo Ant\u00f4nio. Com o primeiro, ela divide a ideia de adquirir embalagens grandes de produtos de limpeza\u2013 e at\u00e9 pelos mesmos motivos: rendimento e pre\u00e7o.\n<\/p>\n<p>Uma diferen\u00e7a \u00e9 que, no caso dela, a compra \u00e9 feita por uma plataforma online, que tamb\u00e9m entrega no seu domic\u00edlio. O h\u00e1bito, adquirido na pandemia, permaneceu. &#8220;Praticidade tamb\u00e9m n\u00e3o abro m\u00e3o.&#8221;\n<\/p>\n<p>E como Ionara, Marcella tem a mesma estrat\u00e9gia de substitui\u00e7\u00e3o de carne bovina por su\u00edna, mas na ordem do fil\u00e9 mignon, porque se o vermelho sai por R$ 127 o quilo \u2013quase 8% de um sal\u00e1rio m\u00ednimo\u2013, o de porco custa menos de R$ 35, &#8220;e \u00e9 t\u00e3o saboroso e nutritivo quanto o outro&#8221;, observa.<\/p>\n<p>Fonte: Folha de S. Paulo              <\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodobrasilnoticias.com.br\/noticia\/brasileiros-recorrem-a-carcaca-de-frango-e-espinha-de-porco-para-enfrentar-inflacao-a-gente-se-vira-67d31031e0847\">Source link <\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Driblar os pre\u00e7os.&#8221; \u00c9 assim que Ionara de Jesus, de 43 anos, tenta explicar sua \u00fanica estrat\u00e9gia para alimentar a casa onde vive com tr\u00eas filhos, de 24 (uma mo\u00e7a&hellip;<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":110781,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"content-type":"","footnotes":""},"categories":[16],"tags":[123,2448,5313,1267],"class_list":["post-110780","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-brasil","tag-diario","tag-noticia","tag-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110780","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=110780"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110780\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":110782,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110780\/revisions\/110782"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/110781"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=110780"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=110780"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=110780"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}