{"id":115561,"date":"2025-03-31T21:45:52","date_gmt":"2025-03-31T21:45:52","guid":{"rendered":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/2025\/03\/31\/inca-enfrenta-falta-de-insumos-e-remedios-escassez-ja-impacta-tratamento-de-pacientes\/"},"modified":"2025-03-31T21:45:53","modified_gmt":"2025-03-31T21:45:53","slug":"inca-enfrenta-falta-de-insumos-e-remedios-escassez-ja-impacta-tratamento-de-pacientes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/2025\/03\/31\/inca-enfrenta-falta-de-insumos-e-remedios-escassez-ja-impacta-tratamento-de-pacientes\/","title":{"rendered":"Inca enfrenta falta de insumos e rem\u00e9dios; escassez j\u00e1 impacta tratamento de pacientes"},"content":{"rendered":"<p> <script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8864793242727901\"\r\n     crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<\/p>\n<div id=\"taboola-read-more\" style=\"display:block; width:100%\">\n<p>O Instituto Nacional de C\u00e2ncer (Inca), refer\u00eancia no tratamento oncol\u00f3gico no Brasil, enfrenta uma grave crise de abastecimento de medicamentos e insumos b\u00e1sicos desde janeiro deste ano. Profissionais de sa\u00fade denunciam que a escassez est\u00e1 resultando em atrasos nas altas hospitalares, dificultando a libera\u00e7\u00e3o de leitos e, em alguns casos, amea\u00e7ando a sa\u00fade dos pacientes. Faltam rem\u00e9dios essenciais n\u00e3o apenas para o tratamento do c\u00e2ncer, mas para o controle de sintomas e complica\u00e7\u00f5es da doen\u00e7a.\n<\/p>\n<p>A lista de medicamentos em falta \u00e9 extensa: morfina, fentanil e baclofeno, fundamentais para o controle da dor, al\u00e9m de antibi\u00f3ticos e at\u00e9 insulina. Os riscos de complica\u00e7\u00f5es intestinais aumentam sem as op\u00e7\u00f5es de lactulose e loperamida. M\u00e9dicos e o pessoal da enfermagem n\u00e3o t\u00eam tido nem mesmo luvas cir\u00fargicas, cateteres e esparadrapo. A aus\u00eancia de cateter venoso central, por exemplo, compromete o suporte a pacientes cr\u00edticos. Diante da car\u00eancia, fam\u00edlias de pacientes t\u00eam tido que arcar com despesas inesperadas para garantir os medicamentos necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>O drama dos doentes<br \/>Al\u00e9m de enfrentar a dura batalha contra a doen\u00e7a da filha, Anatiele Rodrigues, de 32 anos, lida com a incerteza do tratamento. Ela e Sayrah, de 9 anos, viajam toda semana oito horas de Maca\u00e9 at\u00e9 o Inca, na Pra\u00e7a da Cruz Vermelha. Desde janeiro, o instituto n\u00e3o fornece prednisona, um rem\u00e9dio essencial para continuidade do tratamento da crian\u00e7a \u2014 que tem um tumor na cabe\u00e7a \u2014 e que custa R$ 15 na farm\u00e1cia.\n<\/p>\n<p>\u2014 O Inca n\u00e3o quer comprar a medica\u00e7\u00e3o. Eles dizem que est\u00e1 em falta desde janeiro. Minha filha tem que tomar todos os dias, n\u00e3o pode ficar sem, pois \u00e9 reposi\u00e7\u00e3o hormonal. A sa\u00edda tem sido comprar por nossa conta; s\u00e3o duas caixas todos os meses \u2014 lamenta a m\u00e3e.\n<\/p>\n<p>Roberto Fernandes, de 62 anos, tamb\u00e9m \u00e9 paciente do instituto e est\u00e1 em fase final de recupera\u00e7\u00e3o. Mas, como perdeu 40 quilos durante o tratamento, ele precisa de um suplemento alimentar para recuperar peso. Inicialmente, foi f\u00e1cil conseguir a medica\u00e7\u00e3o prescrita, mas, nas \u00faltimas vezes, o idoso conseguiu apenas uma dose menor.\n<\/p>\n<p>\u2014 Antes, a m\u00e9dica me receitava o suplemento de que eu precisava, e eu conseguia retirar na farm\u00e1cia do instituto. Nas duas primeiras vezes, foi bem tranquilo. Mas, agora, s\u00f3 estou conseguindo o mais leve. Eles dizem que n\u00e3o t\u00eam a vers\u00e3o mais forte, que faria efeito mais r\u00e1pido \u2014 relata o aposentado.\n<\/p>\n<p>A dona de casa Ana J\u00falia Macedo, de 33 anos, que trata um c\u00e2ncer de pele h\u00e1 um ano e meio, enfrentou um epis\u00f3dio ainda mais cr\u00edtico. Em janeiro, ao iniciar um procedimento de quimioterapia, sofreu com dores intensas, mas n\u00e3o havia morfina na unidade da Cruz Vermelha. Sem outra op\u00e7\u00e3o, teve que comprar o rem\u00e9dio numa farm\u00e1cia fora, gastando R$ 74,71.\n<\/p>\n<p>\u2014 O atendimento do Inca \u00e9 maravilhoso, mas o hospital vem sofrendo com a falta de rem\u00e9dios e m\u00e9dicos. Fiquei semanas sentindo dor at\u00e9 conseguir acesso \u00e0 medica\u00e7\u00e3o \u2014 diz.\n<\/p>\n<p>Aos 58 anos, Eliane Tavares luta contra um c\u00e2ncer no pulm\u00e3o. O uso do cateter nasal de oxig\u00eanio sempre foi essencial para ela, mas, em sua \u00faltima interna\u00e7\u00e3o, foi surpreendida pela falta do insumo:\n<\/p>\n<p>\u2014 Passei uma noite inteira sem conseguir respirar direito. O hospital tentou improvisar com outro material, mas n\u00e3o era adequado. Fiquei apavorada, achando que n\u00e3o ia aguentar.\n<\/p>\n<p>O diretor-geral do Inca, Roberto de Almeida Gil, nega que a unidade esteja enfrentando uma crise, mas reconhece dificuldades de abastecimento.\n<\/p>\n<p>\u2014 Alguns desses medicamentos fazem parte de grandes programas do SUS e s\u00e3o comprados em escala pelos governos (estaduais e municipais). Quando tentamos adquiri-los para o Inca, que compra em menor volume, \u00e0s vezes n\u00e3o h\u00e1 interesse dos fornecedores, e a licita\u00e7\u00e3o d\u00e1 \u201cdeserta\u201d \u2014 explica.\n<\/p>\n<p>Segundo ele, o hospital tem buscado fazer a substitui\u00e7\u00e3o de itens e reestruturar os fluxos internos. No entanto, acrescenta, h\u00e1 entraves burocr\u00e1ticos que dificultam a reposi\u00e7\u00e3o r\u00e1pida dos produtos:\n<\/p>\n<p>\u2014 Somos obrigados, por lei, a reapresentar o processo quando uma licita\u00e7\u00e3o d\u00e1 \u201cdeserta\u201d e tentar a mesma compra pelo mesmo valor. Se n\u00e3o conseguimos, fazemos compras emergenciais, mas isso n\u00e3o pode ser regra.\n<\/p>\n<p>Roberto Gil afirma que h\u00e1 desafios na gest\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria. O Inca recebeu uma verba de R$ 469 milh\u00f5es para 2025, sendo R$ 184 milh\u00f5es destinados \u00e0 compra de insumos e medicamentos \u2014 um aumento em rela\u00e7\u00e3o a 2024, quando o hospital gastou R$ 160 milh\u00f5es.\n<\/p>\n<p>\u2014 Sempre teremos desafios or\u00e7ament\u00e1rios e decis\u00f5es dif\u00edceis a tomar. Precisamos pensar no conjunto de pacientes e na essencialidade dos medicamentos. N\u00e3o podemos escolher o \u00f3timo, mas o bom \u2014 conclui.\n<\/p>\n<p>O n\u00famero de procedimentos oncol\u00f3gicos no Inca caiu 22% desde a pandemia. De 2017 a 2025, foram realizadas 61.866 consultas, cirurgias e procedimentos, com um pico de 8.984 em 2019. Desde ent\u00e3o, a quantidade de atendimentos se manteve abaixo do que era, reduzindo a m\u00e9dia anual de 8.800 para 6.800 procedimentos, segundo dados do Data SUS.\n<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m preocupa. No Hospital do C\u00e2ncer II, no Santo Cristo, por exemplo, h\u00e1 83 leitos, mas apenas 39 est\u00e3o sendo usados \u2014 um \u00edndice de 46% de ocupa\u00e7\u00e3o. No Hospital do C\u00e2ncer I, na Cruz Vermelha, o maior do instituto, 43 leitos est\u00e3o impedidos, resultando em uma ocupa\u00e7\u00e3o de 65%.\n<\/p>\n<p>Fila cruel<br \/>Enquanto isso, quem descobre estar doente tem dificuldade de conseguir atendimento especializado, como o oferecido pelo Inca. A lei federal 12.732\/2012 garante aos pacientes com c\u00e2ncer o direito ao primeiro tratamento no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) em at\u00e9 60 dias. Mas, na pr\u00e1tica, n\u00e3o \u00e9 isso o que acontece. De acordo com dados do Sistema Estadual de Regula\u00e7\u00e3o (SER), 780 pacientes esperam h\u00e1 mais de 60 dias pela primeira consulta. No ano passado, a fila chegou a ter 900 pacientes. Em nota enviada nesta sexta-feira, o Inca afirma &#8220;que mant\u00e9m seu fluxo de atendimento regular \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, sem interrup\u00e7\u00f5es, apesar da falta pontual de alguns medicamentos&#8221;.\n<\/p>\n<p>Procurado, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade informou que o Inca \u00e9 que passaria informa\u00e7\u00f5es. Em nota, o instituto explicou que \u00e9 respons\u00e1vel por fazer as pr\u00f3prias compras de insumos e medicamentos &#8220;conforme planejamento t\u00e9cnico rigoroso e dentro das normas estabelecidas&#8221;. Assim como Roberto Gil alegou, o texto afirmou que \u201ca baixa demanda do Inca frente aos programas nacionais de compra n\u00e3o \u00e9 atraente para os fornecedores, que buscam vender diretamente grandes volumes para as secretarias estaduais e municipais\u201d. Em nota nesta sexta-feira, acrescentou que &#8220;eventuais desabastecimentos ocorrem devido a fatores externos, como o desinteresse do mercado em fornecer pequenas quantidades, a alta dos custos de insumos farmac\u00eauticos importados e a sa\u00edda de fornecedores do mercado brasileiro&#8221;. Acrescentou que medicamentos em falta est\u00e3o sendo substitu\u00eddos por outros equivalentes e que &#8220;a maioria dos insumos e medicamentos citados na reportagem j\u00e1 foi adquirida, e os estoques est\u00e3o regularizados, considerando a din\u00e2mica cont\u00ednua desses fluxos&#8221;.\n<\/p>\n<p>Fonte: O Globo              <\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodobrasilnoticias.com.br\/noticia\/inca-enfrenta-falta-de-insumos-e-remedios-escassez-ja-impacta-tratamento-de-pacientes-67eaee8a67361\">Source link <\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Instituto Nacional de C\u00e2ncer (Inca), refer\u00eancia no tratamento oncol\u00f3gico no Brasil, enfrenta uma grave crise de abastecimento de medicamentos e insumos b\u00e1sicos desde janeiro deste ano. 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