{"id":33894,"date":"2024-09-08T19:55:12","date_gmt":"2024-09-08T19:55:12","guid":{"rendered":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/2024\/09\/08\/veja-como-sera-o-fim-definitivo-do-titanic-que-ja-esta-ha-mais-de-112-anos-no-fundo-do-mar\/"},"modified":"2024-09-08T19:55:13","modified_gmt":"2024-09-08T19:55:13","slug":"veja-como-sera-o-fim-definitivo-do-titanic-que-ja-esta-ha-mais-de-112-anos-no-fundo-do-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/2024\/09\/08\/veja-como-sera-o-fim-definitivo-do-titanic-que-ja-esta-ha-mais-de-112-anos-no-fundo-do-mar\/","title":{"rendered":"Veja como ser\u00e1 o fim definitivo do Titanic, que j\u00e1 est\u00e1 h\u00e1 mais de 112 anos no fundo do mar"},"content":{"rendered":"<p> <script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8864793242727901\"\r\n     crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<\/p>\n<div id=\"taboola-read-more\" style=\"display:block; width:100%\">\n<p>O RMS Titanic j\u00e1 passou mais de 112 anos na total e aniquiladora escurid\u00e3o do fundo do oceano.<\/p>\n<p>Quando afundou com seus 269 metros de comprimento, na noite escura de 14 de abril de 1912, o navio se rompeu em duas partes, lan\u00e7ando uma chuva de detritos por cerca de 3,8 km, at\u00e9 os sedimentos do leito do oceano.<\/p>\n<p>Mais de 1,5 mil pessoas perderam a vida, entre passageiros e tripulantes.<\/p>\n<p>Exceto pelas visitas ocasionais dos submers\u00edveis e das miss\u00f5es de salvamento que trazem pequenos artefatos para a superf\u00edcie, os destro\u00e7os permanecem intocados no seu lento e cont\u00ednuo processo de degrada\u00e7\u00e3o. E as imagens de uma recente expedi\u00e7\u00e3o para o local dos destro\u00e7os do Titanic, a cerca de 640 km a sudeste do litoral da Terra Nova, no Canad\u00e1, revelam os efeitos da deteriora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As imagens da proa do Titanic, com suas grades caracter\u00edsticas emergindo da escurid\u00e3o, s\u00e3o emblem\u00e1ticas desde a descoberta dos destro\u00e7os, em 1985.<\/p>\n<p>No entanto, em 2022, varreduras de imagem dos destro\u00e7os mostraram que as grades come\u00e7avam a ceder \u2013 e, na visita mais recente ao local do naufr\u00e1gio, em 2024, foi poss\u00edvel observar que uma parte significativa delas j\u00e1 caiu.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma indica\u00e7\u00e3o muito clara de como o ambiente extremo das profundezas do oceano est\u00e1 destruindo o que resta do navio mais famoso do mundo.<\/p>\n<p>A press\u00e3o do oceano acima dele, as correntes de \u00e1gua no leito do oceano e as bact\u00e9rias que se alimentam de ferro est\u00e3o levando ao colapso da estrutura.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o navio causa impactos surpreendentes sobre o habitat marinho \u00e0 sua volta.<\/p>\n<p><strong>Sob press\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Durante o naufr\u00e1gio, o Titanic se dividiu em duas se\u00e7\u00f5es principais \u2013 a proa e a popa. A se\u00e7\u00e3o da popa afundou diretamente at\u00e9 o fundo, enquanto a proa submergiu de forma mais gradual.<\/p>\n<p>Hoje, as duas se\u00e7\u00f5es repousam a cerca de 600 metros de dist\u00e2ncia uma da outra, sobre o leito do oceano.<\/p>\n<p>Espalhado por mais de 2 km entre a parte de tr\u00e1s da popa e at\u00e9 al\u00e9m da proa, fica um conjunto de pertences, equipamentos, acess\u00f3rios, carv\u00e3o e partes do navio, que ca\u00edram enquanto o Titanic afundava.<\/p>\n<p>A maioria dos detritos se re\u00fane em volta da se\u00e7\u00e3o da popa \u2013 um emaranhado de a\u00e7o retorcido. J\u00e1 a proa permaneceu, em grande parte, intacta.<\/p>\n<p>Isso ocorreu porque, quando o navio atingiu o iceberg, o impacto rasgou uma se\u00e7\u00e3o rebitada do casco, permitindo que cerca de 43 mil toneladas de \u00e1gua invadissem a proa. E, quando a se\u00e7\u00e3o da popa se rompeu, ainda havia compartimentos cheios de ar no seu interior.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que o Titanic submergia em dire\u00e7\u00e3o ao fundo do mar, a press\u00e3o cada vez maior da \u00e1gua fez com que a estrutura em volta desses bols\u00f5es de ar implodisse, espalhando metais, est\u00e1tuas, garrafas de champanhe e pertences dos passageiros \u00e0 sua volta.<\/p>\n<p>Sobre o leito do oceano, o Titanic enfrenta press\u00f5es da \u00e1gua de cerca de 40 MPa \u2013 390 vezes mais altas que as da superf\u00edcie. Mas, como n\u00e3o h\u00e1 mais bols\u00f5es de ar no navio, \u00e9 improv\u00e1vel que ocorram novas implos\u00f5es catastr\u00f3ficas.<\/p>\n<p>Atualmente, o pr\u00f3prio peso da vasta embarca\u00e7\u00e3o colabora para o seu desaparecimento. \u00c0 medida que as 52 mil toneladas de a\u00e7o se acomodam no leito do oceano, elas criam uma for\u00e7a de tor\u00e7\u00e3o ao longo do casco de a\u00e7o, desmembrando o navio.<\/p>\n<p>As sucessivas miss\u00f5es de submers\u00edveis v\u00eam observando o surgimento de grandes fissuras e rachaduras nas placas de a\u00e7o do casco \u2013 e as \u00e1reas de conv\u00e9s est\u00e3o desabando para o seu lado interno.<\/p>\n<\/p>\n<p>Getty Images<\/p>\n<p>&#8220;A emblem\u00e1tica silhueta dos destro\u00e7os ir\u00e1 se alterar gradualmente, ano ap\u00f3s ano \u2013 e n\u00e3o a seu favor&#8221;, afirma o arque\u00f3logo marinho de \u00e1guas profundas Gerhard Seiffert.<\/p>\n<p>Em 2022, ele liderou uma expedi\u00e7\u00e3o para capturar imagens de alta resolu\u00e7\u00e3o dos destro\u00e7os do Titanic, com a companhia de mapeamento em mares profundos Magellan.<\/p>\n<p>&#8220;A queda do segmento das grades, que ainda estava no lugar em 2022, quando estive nos destro\u00e7os com a Magellan, e o colapso do teto do banheiro do capit\u00e3o ocorrido anos antes s\u00e3o alguns exemplos&#8221;, explica ele.<\/p>\n<p>Seiffert afirma que a corros\u00e3o est\u00e1 enfraquecendo gradualmente a estrutura do navio, deixando mais finas as placas de a\u00e7o, as vigas e outros elementos de sustenta\u00e7\u00e3o de peso.<\/p>\n<p><strong>Devorado por bact\u00e9rias<\/strong><\/p>\n<p>Como qualquer estrutura de ferro ou a\u00e7o, o Titanic est\u00e1 enferrujando.<\/p>\n<p>Mas, com 3,8 km de \u00e1gua do mar acima dele, os processos envolvidos s\u00e3o diferentes dos que acontecem em terra, onde o oxig\u00eanio e a \u00e1gua ativam uma rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica para produzir \u00f3xido de ferro.<\/p>\n<p>No Titanic, grande parte da corros\u00e3o \u00e9 causada por bact\u00e9rias.<\/p>\n<p>Os destro\u00e7os est\u00e3o cobertos por um biofilme \u2013 um cobertor vivo de bact\u00e9rias, fungos marinhos e outros micr\u00f3bios. Este biofilme se alimenta do pr\u00f3prio naufr\u00e1gio.<\/p>\n<p>Inicialmente, os materiais org\u00e2nicos, como os estofados, travesseiros, toalhas e m\u00f3veis, serviram de rica fonte de nutrientes para os micr\u00f3bios que passavam pelas profundezas do oceano, fazendo com que eles colonizassem o local.<\/p>\n<p>Ao longo do tempo, outros micr\u00f3bios mais extremos tamb\u00e9m se estabeleceram, talvez arrancados do fundo do mar quando os destro\u00e7os afundaram, ou carregados por ventos hidrotermais distantes da dorsal mesoatl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Diversas bact\u00e9rias que oxidam o ferro do navio, al\u00e9m de outras produtoras de \u00e1cidos, est\u00e3o se alimentando das superf\u00edcies met\u00e1licas. E outros micr\u00f3bios que consomem a corros\u00e3o produzida pelos primeiros tamb\u00e9m foram encontrados se multiplicando pelos destro\u00e7os.<\/p>\n<p>Os visitantes do naufr\u00e1gio j\u00e1 observaram que os restos do navio est\u00e3o cobertos de crostas de ferrugem \u2013 forma\u00e7\u00f5es de estalactites suspensas a partir da estrutura, compostas de metal oxidado. Nelas, mora um conjunto de micro-organismos, alguns em colabora\u00e7\u00e3o e, outros, concorrentes entre si.<\/p>\n<p>Durante a expedi\u00e7\u00e3o do navio russo Akademik Mstislav Keldysh aos destro\u00e7os, em 1991, os cientistas conseguiram partir uma dessas crostas e transport\u00e1-la at\u00e9 a superf\u00edcie, em um recipiente lacrado.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/ace\/ws\/800\/cpsprodpb\/a8fc\/live\/789c06a0-6c41-11ef-b970-9f202720b57a.png.webp\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"1133\"\/><\/p>\n<p>Entre os micr\u00f3bios descobertos pelos pesquisadores, foi encontrada nos destro\u00e7os uma esp\u00e9cie de bact\u00e9ria totalmente nova para a ci\u00eancia. Ela recebeu o nome de Halomonas titanicae e seus genes permitem que ela decomponha o ferro.<\/p>\n<p>Bact\u00e9rias redutoras de enxofre tamb\u00e9m se infiltraram em \u00e1reas onde n\u00e3o h\u00e1 oxig\u00eanio, como fissuras microsc\u00f3picas criadas pelo processo de colapso da estrutura. Elas produzem enxofre, que \u00e9 convertido em \u00e1cido sulf\u00farico na \u00e1gua do mar e corr\u00f3i o metal do navio, liberando o ferro para que seja consumido por outros micr\u00f3bios.<\/p>\n<p>Os cientistas acreditam que a popa do navio tenha acumulado maiores n\u00edveis de danos durante o naufr\u00e1gio, fazendo com que ela se deteriorasse 40 anos mais r\u00e1pido que a se\u00e7\u00e3o da proa.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 por isso que a proa do Titanic est\u00e1 se deteriorando mais a partir da parte de tr\u00e1s, onde o navio se partiu, e a deteriora\u00e7\u00e3o caminha para frente, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 regi\u00e3o frontal ou da proa, que est\u00e1 relativamente mais intacta&#8221;, explica o microbi\u00f3logo Anthony El-Khouri, da Faculdade Estadual do Leste da Fl\u00f3rida, nos Estados Unidos. Ele trabalha com o cineasta canadense e explorador dos oceanos James Cameron, para entender como os micr\u00f3bios est\u00e3o colaborando com a degrada\u00e7\u00e3o do Titanic.<\/p>\n<p>&#8220;A se\u00e7\u00e3o da popa parece estar se misturando com o leito do oceano, pois est\u00e1 totalmente danificada, exceto pelos motores alternativos, a pr\u00f3pria popa, o leme e as h\u00e9lices, que s\u00e3o resistentes, est\u00e3o mais intactos e, por isso, permanecem um pouco reconhec\u00edveis&#8221;, explica El-Khouri.<\/p>\n<p>Um detalhe estranho descoberto por Cameron no interior dos banhos turcos do Titanic durante sua expedi\u00e7\u00e3o at\u00e9 os escombros em 2005 foi a forma\u00e7\u00e3o de cristais de corros\u00e3o, delicados e sofisticados. O cineasta as chama de &#8220;flores de corros\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Com um ve\u00edculo operado por controle remoto, Cameron descobriu que o trabalho de carpintaria em teca e mogno no spa foi preservado de forma incomum, j\u00e1 que os banheiros ficavam em local profundo dentro do navio e, por isso, ficaram livres de oxig\u00eanio.<\/p>\n<p>Este ambiente an\u00f3xico evitou que as bact\u00e9rias e outros micr\u00f3bios pudessem morar ali e danificar a madeira.<\/p>\n<p>Em vez disso, os banheiros ficaram cobertos de estranhas ramifica\u00e7\u00f5es da corros\u00e3o, que se elevam at\u00e9 1,5 metro acima do piso. E, curiosamente, todas essas &#8220;flores de corros\u00e3o&#8221; parecem apontar na mesma dire\u00e7\u00e3o, seguindo as linhas geomagn\u00e9ticas.<\/p>\n<p>El-Khouri, Cameron e seus colegas encontraram indica\u00e7\u00f5es que sugerem que as &#8220;flores&#8221; s\u00e3o formadas por col\u00f4nias de bact\u00e9rias produtoras de corros\u00e3o e bact\u00e9rias &#8220;magnetot\u00e1ticas&#8221; que vivem nos destro\u00e7os. Estes micr\u00f3bios incomuns cont\u00eam nanocristais de ferro, que fazem com que eles se alinhem aos campos magn\u00e9ticos.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que estas col\u00f4nias de bact\u00e9rias se deliciam com o a\u00e7o do Titanic, elas deixam para tr\u00e1s rastros de corros\u00e3o que &#8220;florescem&#8221; verticalmente ao longo das linhas do campo magn\u00e9tico da Terra, explica El-Khouri.<\/p>\n<p><strong>Banquete de ferro<\/strong><\/p>\n<p>A imensa quantidade de metal rico em ferro levada pelo Titanic para o fundo do mar criou um ecossistema incomum \u00e0 sua volta.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que se corroem, as part\u00edculas de ferro se dissolvem na \u00e1gua \u00e0 sua volta, que fica enriquecida com um nutriente vital, mas escasso no fundo do oceano.<\/p>\n<p>&#8220;O ferro \u00e9 o elemento mais comum na Terra como um todo, mas o ferro solubilizado \u00e9 o nutriente mais escasso do oceano, o que limita o sucesso de qualquer ecossistema marinho&#8221;, explica El-Khouri.<\/p>\n<p>As aberturas hidrotermais vulc\u00e2nicas costumam ser uma fonte importante de ferro no fundo do oceano. Elas podem ajudar a sustentar uma ampla variedade de formas de vida, enquanto as bact\u00e9rias desempenham papel importante para disponibilizar o ferro para outras criaturas pr\u00f3ximas.<\/p>\n<p>&#8220;Os destro\u00e7os do Titanic se comportam essencialmente como um grande o\u00e1sis de ferro no leito do oceano \u2013 uma fonte de 46 mil toneladas de ferro na forma de um antigo cruzeiro de luxo&#8221;, segundo El-Khouri.<\/p>\n<p>&#8220;Este o\u00e1sis fornece um cobi\u00e7ado nutriente, gerando um vibrante recife no fundo do oceano, habitado por estrelas-do-mar, an\u00eamonas, esponjas-de-vidro, corais bent\u00f4nicos e pepinos-do-mar. E, \u00e9 claro, col\u00f4nias bacterianas de ferro.&#8221;<\/p>\n<p>El-Khouri e seus colegas descobriram que as bact\u00e9rias relacionadas ao ferro n\u00e3o apenas comem o ferro do Titanic, mas &#8220;tamb\u00e9m s\u00e3o capazes de respir\u00e1-lo&#8221; no lugar do oxig\u00eanio.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um ecossistema not\u00e1vel, muito distante do Sol, com implica\u00e7\u00f5es sobre os tipos de extrem\u00f3filos que poderemos encontrar, algum dia, na Europa e em outros oceanos c\u00f3smicos fora da Terra&#8221;, explica ele.<\/p>\n<p>O ferro do Titanic tamb\u00e9m causa efeitos sobre o leito do oceano.<\/p>\n<p>Fluxos de corros\u00e3o se espalham a partir dos destro\u00e7os \u00e0 velocidade de 10 cm por ano. Eles se estendem por at\u00e9 15 cm de sedimento \u2013 e estes fluxos de terra est\u00e3o particularmente concentrados em torno do casco da proa.<\/p>\n<p>Ao todo, os cientistas estimam que o Titanic esteja perdendo cerca de 130 a 200 kg de ferro das suas forma\u00e7\u00f5es de crosta todos os dias. Por isso, estimativas indicam que o ferro da proa do navio poder\u00e1 se dissolver totalmente em 280 a 420 anos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/ace\/ws\/800\/cpsprodpb\/b27e\/live\/a31e9cf0-6be5-11ef-b43e-6916dcba5cbf.png.webp\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\"\/><\/p>\n<p>Getty Images<\/p>\n<p><strong>Correntes mar\u00edtimas profundas<\/strong><\/p>\n<p>Outros fatores tamb\u00e9m podem acelerar a destrui\u00e7\u00e3o do Titanic.<\/p>\n<p>Da mesma forma que as fortes correntes na superf\u00edcie podem carregar barcos e nadadores, as profundezas do oceano tamb\u00e9m s\u00e3o varridas por correntes submarinas. Elas podem n\u00e3o ser t\u00e3o poderosas quanto as da superf\u00edcie, mas envolvem grandes quantidades de \u00e1gua.<\/p>\n<p>As correntes submarinas podem ser causadas pelos ventos na superf\u00edcie que afetam a coluna de \u00e1gua mais abaixo, por mar\u00e9s de \u00e1guas profundas ou por diferen\u00e7as da densidade da \u00e1gua, causadas pela temperatura e pela salinidade. Estas s\u00e3o conhecidas como correntes termoalinas.<\/p>\n<p>Eventos raros, conhecidos como tempestades bent\u00f4nicas (normalmente relacionadas a redemoinhos na superf\u00edcie), tamb\u00e9m podem causar correntes espor\u00e1dicas poderosas, que podem carregar material do leito do oceano.<\/p>\n<p>As pesquisas sobre os padr\u00f5es dos sedimentos no leito oce\u00e2nico em torno do Titanic, aliadas ao movimento das lulas em volta dos destro\u00e7os, forneceram indica\u00e7\u00f5es sobre a forma em que as correntes submarinas atingem o navio.<\/p>\n<p>Sabe-se que parte dos destro\u00e7os do Titanic fica perto de um trecho de leito oce\u00e2nico afetado por um fluxo de \u00e1gua fria em dire\u00e7\u00e3o ao sul. Este fluxo \u00e9 conhecido como a Corrente de Contorno Oeste Profunda.<\/p>\n<p>O fluxo desta corrente cria dunas que se movimentam, ondula\u00e7\u00f5es e padr\u00f5es em forma de faixas nos sedimentos e na lama. E a maior parte das forma\u00e7\u00f5es observadas sobre o leito do oceano \u00e9 associada a correntes relativamente fracas a moderadas.<\/p>\n<p>As ondula\u00e7\u00f5es de areia ao longo da extremidade leste do campo de destro\u00e7os do Titanic indicam que existe uma corrente que flui no fundo do mar, de leste para oeste. E, no local principal do naufr\u00e1gio, cientistas afirmam que a tend\u00eancia das correntes \u00e9 fluir de noroeste para sudoeste, talvez porque os peda\u00e7os maiores dos destro\u00e7os alterem a sua dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 em dire\u00e7\u00e3o ao sul da se\u00e7\u00e3o de proa, as correntes parecem particularmente irregulares. Elas variam de nordeste para noroeste at\u00e9 sudoeste.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/ace\/ws\/800\/cpsprodpb\/406a\/live\/1764d930-6be6-11ef-8c32-f3c2bc7494c6.png.webp\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"800\"\/><\/p>\n<p>Alamy<\/p>\n<p>Nenhuma destas correntes \u00e9 considerada particularmente forte, mas elas ainda podem criar dist\u00farbios, que far\u00e3o com que os destro\u00e7os se desfa\u00e7am \u00e0 medida que se enfraquecerem.<\/p>\n<p>&#8220;As pr\u00f3prias correntes geradas pelos submers\u00edveis podem causar o colapso de estruturas fracas&#8221;, explica Gerhard Seiffert. &#8220;Mas elas [tamb\u00e9m] podem retirar parte da crosta, o que ir\u00e1 atrasar a corros\u00e3o naquelas regi\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>Existe tamb\u00e9m a possibilidade de que a passagem dessas correntes acabe enterrando os destro\u00e7os do Titanic nos sedimentos, antes que eles se desintegrem completamente.<\/p>\n<p>Mas, antes disso, algumas das se\u00e7\u00f5es mais emblem\u00e1ticas dos destro\u00e7os poder\u00e3o desaparecer, como o recente colapso da inesquec\u00edvel grade da proa, onde Cameron colocou seus personagens Jack e Rose de p\u00e9, na famosa cena do filme Titanic (1997).<\/p>\n<p>&#8220;Calculo que as partes mais simb\u00f3licas do navio, como a sua superestrutura \u2013 a grande escadaria, a sala Marconi e os aposentos dos oficiais \u2013, desapare\u00e7am perto do ano 2100, o que ir\u00e1 dificultar o pouso de submers\u00edveis sobre o Titanic&#8221;, afirma Anthony El-Khouri.<\/p>\n<p>&#8220;O a\u00e7o mais fino desaparece primeiro, como as grades e as casotas do conv\u00e9s. Mas, mesmo nesta velocidade de degrada\u00e7\u00e3o, os destro\u00e7os levar\u00e3o v\u00e1rios s\u00e9culos para desaparecer completamente.&#8221;<\/p>\n<p>El-Khouri estima que grandes peda\u00e7os de a\u00e7o enterrados nos sedimentos \u2013 e, portanto, protegidos dos piores ataques dos micr\u00f3bios destruidores de metais \u2013 poder\u00e3o durar por mais tempo, talvez v\u00e1rias centenas de anos.<\/p>\n<p>Mas o destino que aguarda os restos do naufr\u00e1gio mais famoso do mundo \u00e9 se tornar uma mancha de \u00f3xido de ferro no leito do oceano, cravejada de azulejos, vasos sanit\u00e1rios e acess\u00f3rios de lat\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Objetos de porcelana, como os vibrantes azulejos dos banhos turcos, compostos de s\u00edlica, ir\u00e3o durar quase pela eternidade&#8221;, prev\u00ea El-Khouri.<\/p>\n<p>O Titanic ser\u00e1 ent\u00e3o um humilde monumento para relembrar um dos exemplos mais tr\u00e1gicos da arrog\u00e2ncia e da falibilidade humana. Mas talvez seja tamb\u00e9m um final silencioso e comovente para um navio marcado por tanto sofrimento.<\/p>\n<p>Fonte: BBC News Brasil<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodobrasilnoticias.com.br\/noticia\/veja-como-sera-o-fim-definitivo-do-titanic-que-ja-esta-ha-mais-de-112-anos-no-fundo-do-mar-66ddcb424da47\">Source link <\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O RMS Titanic j\u00e1 passou mais de 112 anos na total e aniquiladora escurid\u00e3o do fundo do oceano. 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