{"id":50185,"date":"2024-10-20T19:58:45","date_gmt":"2024-10-20T19:58:45","guid":{"rendered":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/2024\/10\/20\/conheca-cidades-que-se-inspiraram-em-plantacoes-de-arroz-para-evitar-enchentes\/"},"modified":"2024-10-20T19:58:46","modified_gmt":"2024-10-20T19:58:46","slug":"conheca-cidades-que-se-inspiraram-em-plantacoes-de-arroz-para-evitar-enchentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/2024\/10\/20\/conheca-cidades-que-se-inspiraram-em-plantacoes-de-arroz-para-evitar-enchentes\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a cidades que se inspiraram em planta\u00e7\u00f5es de arroz para evitar enchentes"},"content":{"rendered":"<p> <script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8864793242727901\"\r\n     crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<\/p>\n<div id=\"taboola-read-more\" style=\"display:block; width:100%\">\n<p>Um dos momentos mais memor\u00e1veis vividos por Kotchakorn Voraakhom quando era crian\u00e7a em Bangkok, na Tail\u00e2ndia, nos anos 1980, foi o dia em que ela brincou nas \u00e1guas da enchente em frente \u00e0 sua casa, em um pequeno barco constru\u00eddo pelo seu pai.\n<\/p>\n<p>&#8220;Eu fiquei t\u00e3o feliz por n\u00e3o precisar ir \u00e0 escola porque n\u00e3o sab\u00edamos como chegar l\u00e1&#8221;, relembra a arquiteta paisagista, moradora na capital tailandesa.<\/p>\n<p>Mas, cerca de 30 anos depois, as cheias deixaram de ser uma alegre recorda\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia e se tornaram uma experi\u00eancia devastadora.\n<\/p>\n<p>Em 2011, Voraakhom e sua fam\u00edlia, entre milh\u00f5es de outras pessoas em Bangkok, foram desalojados, quando fortes chuvas inundaram grande parte da Tail\u00e2ndia e as \u00e1guas chegaram at\u00e9 a capital.\n<\/p>\n<p>Foram as maiores enchentes do pa\u00eds em d\u00e9cadas \u2013 um desastre nacional que durou mais de tr\u00eas meses e matou mais de 800 pessoas. Os cientistas relacionaram o aumento das chuvas e as enchentes \u00e0s emiss\u00f5es de gases do efeito estufa, causadas pelas atividades humanas.\n<\/p>\n<p>O desastre abalou Voraakhom profundamente. Ela acreditou que aquela seria a hora de usar seus conhecimentos para fazer algo pela sua cidade natal.\n<\/p>\n<p>Ela abriu seu pr\u00f3prio escrit\u00f3rio de arquitetura e paisagismo, chamado Landprocess. E, na \u00faltima d\u00e9cada, Voraakhom projetou parques, telhados verdes e espa\u00e7os p\u00fablicos na baixa altitude da cidade, para ajudar as pessoas a aumentar sua resist\u00eancia \u00e0s enchentes.\n<\/p>\n<p>Seu projeto mais curioso at\u00e9 agora talvez seja o enorme teto de uma universidade tomada pela natureza, inspirado nos terra\u00e7os de produ\u00e7\u00e3o de arroz \u2013 uma forma de agricultura tradicional, praticada na \u00c1sia h\u00e1 cerca de 5 mil anos.\n<\/p>\n<p>A Tail\u00e2ndia, a China e outros pa\u00edses asi\u00e1ticos s\u00e3o vulner\u00e1veis aos impactos clim\u00e1ticos.\n<\/p>\n<p>Neste ano, o n\u00famero de enchentes significativas na China foi o mais alto desde o in\u00edcio dos registros. J\u00e1 os agricultores tailandeses est\u00e3o expostos ao aumento do calor, das secas e das cheias, causado pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.\n<\/p>\n<p>O teto da universidade, projetado por Voraakhom, faz parte de uma tend\u00eancia maior. Os arquitetos asi\u00e1ticos est\u00e3o buscando inspira\u00e7\u00e3o nos terra\u00e7os de arroz e em outras tradi\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas da regi\u00e3o, para ajudar as comunidades urbanas a reduzir enchentes e alagamentos.\n<\/p>\n<p>Os exemplos incluem parques alag\u00e1veis em cidades chinesas at\u00e9 casas no Vietn\u00e3 com telhados inspirados em campos de arroz.\n<\/p>\n<p>Para Voraakhom, &#8220;muitas das respostas para o futuro das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, na verdade, est\u00e3o no passado.&#8221;\n<\/p>\n<p>Na Universidade Thammasat, na zona norte de Bangkok, pequenos campos de arroz em diferentes n\u00edveis caem em cascata do topo do edif\u00edcio, ao longo do telhado verde projetado por Voraakhom. A estrutura permite que o campus colete \u00e1gua da chuva e cultive alimentos.\n<\/p>\n<p>Existem quatro tanques em torno do edif\u00edcio para capturar e reter o fluxo de \u00e1gua. Nos dias secos, esta \u00e1gua \u00e9 bombeada de volta para cima, utilizando a energia limpa gerada pelos pain\u00e9is solares instalados no teto. A \u00e1gua \u00e9 ent\u00e3o usada para irrigar os campos de arroz no telhado.\n<\/p>\n<p>Constru\u00eddo em 2019, o local formava, na \u00e9poca, a maior fazenda urbana em telhados do continente asi\u00e1tico. Dos seus 22 mil metros quadrados, 7 mil foram dedicados \u00e0 agricultura org\u00e2nica.\n<\/p>\n<p>Em compara\u00e7\u00e3o com um projeto feito de concreto, o telhado verde pode reduzir a velocidade de escoamento da \u00e1gua da chuva em cerca de 20 vezes, segundo as estimativas de Voraakhom. O fluxo excessivo de \u00e1gua da chuva para a terra \u00e9 um dos grandes problemas de Bangkok.\n<\/p>\n<p>O telhado verde tamb\u00e9m pode reduzir a temperatura dentro do edifico em 2 a 4 \u00b0C durante os quentes ver\u00f5es que marcam a capital tailandesa, segundo a arquiteta.\n<\/p>\n<p>Os terra\u00e7os s\u00e3o formados por campos de arroz em diferentes n\u00edveis. Eles s\u00e3o normalmente criados por pequenos agricultores ao longo das encostas de morros e montanhas, para maximizar o uso da terra.\n<\/p>\n<p>Os terra\u00e7os de arroz podem ser encontrados em muitos pa\u00edses asi\u00e1ticos, como a China, Jap\u00e3o, Tail\u00e2ndia, Vietn\u00e3 e Filipinas. Sua origem pode ser tra\u00e7ada at\u00e9 a bacia do rio Yangtze, na China, mais de 5 mil anos atr\u00e1s.\n<\/p>\n<p>Embora seus formatos e tamanhos possam variar, todos os terra\u00e7os de arroz s\u00e3o constru\u00eddos acompanhando as linhas de contorno naturais. Isso significa que cada camada possui a mesma eleva\u00e7\u00e3o sobre o n\u00edvel do mar.\n<\/p>\n<p>Este feito permite a coleta e reten\u00e7\u00e3o da \u00e1gua da chuva, que \u00e9 utilizada para irrigar o solo e os campos agr\u00edcolas.\n<\/p>\n<p>Alguns terra\u00e7os de arroz, como os da etnia Han, no sul da China, ficam nas margens dos rios. Isso permite que o solo escalonado reduza, desacelere e purifique o excesso de \u00e1gua da chuva que corre do topo da montanha em dire\u00e7\u00e3o ao vale.\n<\/p>\n<p>Toda esta tecnologia nativa foi transmitida ao longo de gera\u00e7\u00f5es de pequenos agricultores. Agora, ela pode trazer imensos benef\u00edcios para as cidades asi\u00e1ticas que lutam para enfrentar as tempestades, segundo o professor de arquitetura e paisagismo Yu Kongjian, da Universidade de Pequim, na China. Ele \u00e9 o respons\u00e1vel pelo conceito chin\u00eas de &#8220;cidades-esponja&#8221;.\n<\/p>\n<p>Como ocorre em muitas outras partes da \u00c1sia, o clima das cidades chinesas \u00e9 de mon\u00e7\u00f5es, caracterizado por ver\u00f5es chuvosos e invernos mais secos. Elas podem receber at\u00e9 um ter\u00e7o das suas chuvas anuais (300-500 mm) em um \u00fanico dia, segundo Yu.\n<\/p>\n<p>O professor defende que, devido a estas fortes precipita\u00e7\u00f5es, as medidas de controle de enchentes precisam fazer uso dos modos locais de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s cheias, que foram testados e comprovados por milhares de anos.\n<\/p>\n<p>Os terra\u00e7os de arroz s\u00e3o um dos pilares da teoria das cidades-esponja, desenvolvida por Yu. O arquiteto aconselha as cidades a recorrer ao solo e \u00e0s \u00e1reas verdes \u2013 sem a\u00e7o, nem cimento \u2013 para solucionar os problemas de excesso de chuvas e enchentes.\n<\/p>\n<p>Yu destaca que a \u00e1gua da chuva precisa ser absorvida e retida na fonte. Seu fluxo deve ser desacelerado e dirigido at\u00e9 o seu destino. E os terra\u00e7os de arroz tratam de reduzir os fluxos de \u00e1gua na fonte.\n<\/p>\n<p>Desde 1997, Yu j\u00e1 desenvolveu projetos para mais de 500 &#8220;cidades-esponja&#8221; em toda a China, usando a forma\u00e7\u00e3o de terra\u00e7os. E os estudos demonstraram que alguns deles est\u00e3o trazendo resultados impressionantes.\n<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 o parque Yanweizhou, em Jinhua, no leste da China \u2013 a cidade natal de Yu. Inaugurado em 2014, o parque inclui um banco em forma de terra\u00e7o de arroz, plantado com gram\u00edneas que podem se adaptar ao ambiente subaqu\u00e1tico.\n<\/p>\n<p>Esta fun\u00e7\u00e3o de &#8220;esponja&#8221; consegue reduzir o n\u00edvel m\u00e1ximo de cheia anual do parque em at\u00e9 63% em compara\u00e7\u00e3o com um parque de concreto, segundo um estudo realizado em 2019.\n<\/p>\n<p>Estes projetos tamb\u00e9m podem filtrar a \u00e1gua das enchentes, que \u00e9 frequentemente contaminada por esgotos, produtos qu\u00edmicos e outros poluentes.\n<\/p>\n<p>Outro projeto de Yu \u2013 o parque Houtan de Xangai, no leste da China \u2013 fica situado em um terreno que, antes, era altamente polu\u00eddo, por ter sido usado como aterro de res\u00edduos industriais. O parque tamb\u00e9m utiliza o conceito de forma\u00e7\u00e3o de terra\u00e7os de Yu.\n<\/p>\n<p>Desde sua inaugura\u00e7\u00e3o, em 2009, o parque \u00e9 capaz de purificar 800 toneladas de \u00e1gua altamente polu\u00edda por hectare, todos os dias, segundo relatou Yu em um estudo de 2019, depois de diversos testes realizados no local.\n<\/p>\n<p>Agora, segundo o estudo, a \u00e1gua do parque atende ao padr\u00e3o chin\u00eas de terceira categoria \u2013 \u00e1gua suficientemente limpa para os peixes.\n<\/p>\n<p><strong>Outros pa\u00edses<\/strong>\n<\/p>\n<p>A tend\u00eancia de forma\u00e7\u00e3o de terra\u00e7os j\u00e1 se espalhou para o Vietn\u00e3.\n<\/p>\n<p>Doan Thanh Ha \u00e9 o fundador e principal arquiteto do escrit\u00f3rio H&#038;P Architects, com sede em Han\u00f3i. Ele combina a sabedoria da agricultura tradicional com seus projetos de constru\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica desde 2009.\n<\/p>\n<p>Seus trabalhos incluem uma casa de tr\u00eas pavimentos com teto inspirado em terra\u00e7os de arroz, onde seu morador pode cultivar produtos agr\u00edcolas.\n<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m criou uma casa flutuante de baixo custo, feita de bambu, que pode ser adaptada para enfrentar enchentes e o aumento do n\u00edvel do mar em resid\u00eancias mais pobres. Nas Filipinas, as casas de bambu flutuantes j\u00e1 est\u00e3o ajudando os moradores locais a enfrentar enchentes, furac\u00f5es e o aumento do n\u00edvel das \u00e1guas.\n<\/p>\n<p>Para Ha, os campos de arroz em terra\u00e7os do Vietn\u00e3 s\u00e3o um exemplo de conhecimento local que transmite profunda compreens\u00e3o das leis naturais, particularmente da \u00e1gua.\n<\/p>\n<p>Segundo ele, este tipo de conhecimento local tamb\u00e9m pode desempenhar &#8220;papel significativo&#8221; para ajudar as comunidades modernas a preservar a biodiversidade e os ecossistemas, enfrentando as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.\n<\/p>\n<p>Yu \u00e9 da mesma opini\u00e3o. Com o aquecimento global trazendo chuvas mais fortes para o continente europeu, por exemplo, o uso dos terra\u00e7os de arroz poderia ser levado at\u00e9 para cidades como Londres, segundo ele.\n<\/p>\n<p>&#8220;Qualquer encosta ou superf\u00edcie inclinada pode ser transformada em terra\u00e7os ocupados pela natureza, para absorver a \u00e1gua da chuva&#8221;, destaca ele.\n<\/p>\n<p><strong>Toques de despertar<\/strong>\n<\/p>\n<p>Muitas das cidades asi\u00e1ticas s\u00e3o vastas e densamente povoadas. A dupla amea\u00e7a causada pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e por d\u00e9cadas de urbaniza\u00e7\u00e3o desenfreada fez com que elas come\u00e7assem a repensar suas estrat\u00e9gias de gest\u00e3o da \u00e1gua da chuva nos \u00faltimos anos.\n<\/p>\n<p>Em muitos lugares, as chuvas das mon\u00e7\u00f5es est\u00e3o ficando mais intensas, os furac\u00f5es est\u00e3o ficando mais destrutivos e o n\u00edvel do mar est\u00e1 subindo. Algumas cidades est\u00e3o afundando rapidamente, devido \u00e0 perda do len\u00e7ol fre\u00e1tico e ao peso das constru\u00e7\u00f5es, como Jacarta, na Indon\u00e9sia, e Ho Chi Minh, no Vietn\u00e3.\n<\/p>\n<p>Em muitas destas cidades, a \u00e1gua da chuva n\u00e3o consegue penetrar nas superf\u00edcies pavimentadas. Por isso, o solo n\u00e3o tem a chance de absorver e armazenar a \u00e1gua da chuva para colaborar com o sistema natural do ciclo da \u00e1gua, explica a professora de design e planejamento urbano Lei Yanhui, da Universidade Xi&#8217;an Jiaotong-Liverpool em Suzhou, na China.\n<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os sistemas de drenagem de algumas cidades n\u00e3o separam a \u00e1gua da chuva do esgoto, ficando sujeitos a sobrecargas e transbordamentos durante as tempestades, segundo Lei. A contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua pelo esgoto \u00e9 um problema que tamb\u00e9m ocorre no Reino Unido e no Brasil.\n<\/p>\n<p>No ver\u00e3o de 2012, um ano depois das fortes cheias que atingiram a Tail\u00e2ndia, imensos volumes de chuva atingiram Pequim, resultando em um recorde de 460 mm de chuva em apenas 18 horas. O evento causou 79 mortes e preju\u00edzos de cerca de US$ 1,6 bilh\u00e3o (cerca de R$ 9 bilh\u00f5es).\n<\/p>\n<p>Mas a enchente de 2012 em Pequim trouxe transforma\u00e7\u00f5es.\n<\/p>\n<p>&#8220;Depois do evento, a China come\u00e7ou a dedicar mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 drenagem da \u00e1gua da chuva [em \u00e1reas urbanas] e \u00e0 preven\u00e7\u00e3o de enchentes&#8221;, afirma a professora de controle das cheias urbanas Shao Zhiyu, da Universidade de Chongqing, na China.\n<\/p>\n<p>Em 2014, a China adotou oficialmente o conceito de &#8220;cidades-esponja&#8221; como programa nacional. No ano seguinte, 16 cidades foram escolhidas para servir de &#8220;pilotos&#8221; de teste do modelo.\n<\/p>\n<p>Chongqing foi uma delas \u2013 uma megacidade montanhosa no centro da China, com 32 milh\u00f5es de habitantes.\n<\/p>\n<p>&#8220;Costum\u00e1vamos pensar que dever\u00edamos controlar as enchentes&#8221;, explica Shao. &#8220;Agora, percebemos que as enchentes n\u00e3o podem ser controladas e [precisamos] nos adaptar a elas, pois o poder da natureza \u00e9 grande demais.&#8221;\n<\/p>\n<p>Shao tem forma\u00e7\u00e3o em engenharia. Ela participou de uma equipe que recebeu a tarefa de projetar uma nova \u00e1rea &#8220;esponjosa&#8221; nas margens do rio em Chongqing. A \u00e1rea inclui terra\u00e7os repletos de plantas nas encostas.\n<\/p>\n<p>&#8220;O projeto pretendia inicialmente purificar a \u00e1gua da chuva antes que ela flu\u00edsse para o rio&#8221;, ela conta, &#8220;mas ele tamb\u00e9m consegue reduzir o n\u00edvel de pico das enchentes, exceto em chuvas excepcionais.&#8221;\n<\/p>\n<p>Para Voraakhom, em Bangkok, os terra\u00e7os de arroz s\u00e3o uma lembran\u00e7a do estilo de vida dos seus ancestrais \u2013 simples, mas adapt\u00e1vel. Afinal, eles viveram em harmonia com a \u00e1gua e as mudan\u00e7as sazonais por mil\u00eanios.\n<\/p>\n<p>A chuva costumava ser bem recebida pelos tailandeses. Ela alimenta a terra e permite o cultivo do arroz.\n<\/p>\n<p>&#8220;Mas estamos transformando a melhor regi\u00e3o agr\u00edcola do mundo na pior cidade que voc\u00ea pode imaginar, que \u00e9 Bangkok&#8221;, segundo a arquiteta.\n<\/p>\n<p>Com 11 milh\u00f5es de habitantes e situada a 1,5 metro acima do n\u00edvel do mar, a capital tailandesa tem apenas sete metros quadrados de \u00e1reas verdes p\u00fablicas por habitante, um dos n\u00edveis mais baixos da \u00c1sia.\n<\/p>\n<p>Bangkok passou 30 anos sem construir um \u00fanico parque p\u00fablico. Apenas em 2017, foi inaugurado o Parque Centen\u00e1rio Chulalongkorn, com 4,5 hectares \u2013 outro projeto de Voraakhom, criado para reter as enchentes.\n<\/p>\n<p>O parque foi constru\u00eddo em um \u00e2ngulo de tr\u00eas graus, que permite canalizar a \u00e1gua das tempestades do seu ponto mais alto at\u00e9 um tanque de reten\u00e7\u00e3o. Ao todo, ele \u00e9 capaz de reter 4,5 milh\u00f5es de litros de \u00e1gua \u2013 o equivalente a cerca de uma vez e meia a capacidade de uma piscina ol\u00edmpica.\n<\/p>\n<p>Para Voraakhom, &#8220;aumentar a resili\u00eancia urbana \u00e9 [nossa] \u00fanica forma de sobreviver&#8221;.\n<\/p>\n<p><strong>Plantas vs. canos<\/strong>\n<\/p>\n<p>As solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza \u2013 na forma de infraestrutura &#8220;verde&#8221;, como margens de rios inspiradas em terra\u00e7os de arroz, parques urbanos arborizados ou telhados verdes \u2013 v\u00eam chamando cada vez mais a aten\u00e7\u00e3o.\n<\/p>\n<p>Com isso, os especialistas come\u00e7aram a discutir se elas realmente poderiam enfrentar tempestades cada vez mais implac\u00e1veis, em compara\u00e7\u00e3o com a infraestrutura &#8220;cinza&#8221; convencional, como represas e canos.\n<\/p>\n<p>O professor de engenharia Wang Yuhong, da Universidade Polit\u00e9cnica de Hong Kong, na China, acredita que a infraestrutura verde pode ser &#8220;um suplemento significativo&#8221; para a infraestrutura cinza, se for aplicada em condi\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas adequadas.\n<\/p>\n<p>Para ele, os projetos baseados em terra\u00e7os de arroz poder\u00e3o beneficiar cidades montanhosas, como Hong Kong, onde a \u00e1gua da chuva pode descer com rapidez pelas suas encostas inclinadas.\n<\/p>\n<p>Famosa pela selva urbana vista do topo do pico Victoria, Hong Kong construiu um enorme t\u00fanel de concreto para interceptar a \u00e1gua da chuva em altitudes intermedi\u00e1rias da ilha e lev\u00e1-la para o mar, evitando inunda\u00e7\u00f5es no centro da cidade.\n<\/p>\n<p>&#8220;Mas este m\u00e9todo de coleta de \u00e1gua da chuva \u00e9 caro&#8221;, explica Wang. O projeto foi inaugurado em 2012 e custou cerca de 3,9 bilh\u00f5es de d\u00f3lares de Hong Kong (cerca de US$ 504 milh\u00f5es ou R$ 2,8 bilh\u00f5es).\n<\/p>\n<p>&#8220;Se copiarmos o princ\u00edpio do terra\u00e7o de arroz, podemos reter a \u00e1gua da chuva em altitude intermedi\u00e1ria de formas diferentes \u2013 construindo jardins de chuva, por exemplo. Para muitas cidades, este seria um m\u00e9todo mais econ\u00f4mico.&#8221;\n<\/p>\n<p>O professor destaca que, em algumas cidades, esta ideia ainda pode ser muito cara, de dif\u00edcil implementa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e causar altos n\u00edveis de emiss\u00f5es de carbono. \u00c9 o caso de locais que exigem a constru\u00e7\u00e3o de estruturas de concreto a partir do solo, para imitar as encostas.\n<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil oferecer qualquer tipo de infraestrutura verde \u00e0s cidades mais densamente povoadas do mundo. As cidades asi\u00e1ticas s\u00e3o compactas e, &#8220;por isso, \u00e9 muito dif\u00edcil encontrar espa\u00e7os com tamanho suficiente para agirem como &#8216;esponjas&#8217; que absorvam a \u00e1gua das enchentes&#8221;, explica Wang.\n<\/p>\n<p>Uma forma mais eficaz, segundo ele, \u00e9 construir enormes reservat\u00f3rios subterr\u00e2neos para armazenar a \u00e1gua das tempestades, como fizeram Hong Kong e T\u00f3quio, no Jap\u00e3o.\n<\/p>\n<p>Wang e sua equipe est\u00e3o trabalhando em uma solu\u00e7\u00e3o para permitir que as cidades armazenem \u00e1gua da chuva sob as ruas, utilizando pedras de pavimenta\u00e7\u00e3o &#8220;porosas&#8221;. Mas as &#8220;instala\u00e7\u00f5es artificiais&#8221;, como reservat\u00f3rios subterr\u00e2neos, trazem desvantagens.\n<\/p>\n<p>&#8220;Eles s\u00e3o isolados e n\u00e3o conseguem ajudar muito a formar um sistema de reciclagem natural da \u00e1gua da chuva, como [os baseados em] terra\u00e7os de arroz&#8221;, destaca Lei Yanhui.\n<\/p>\n<p>Shao Zhiyu afirma que a infraestrutura verde pode trazer efeitos \u00f3bvios, como reduzir os n\u00edveis de pico das cheias, no caso das fortes chuvas normalmente observadas uma vez a cada tr\u00eas a cinco anos.\n<\/p>\n<p>&#8220;Mas, para [tempestades] mais severas, como as que ocorrem uma vez a cada 10 anos ou mais, ainda precisamos depender da infraestrutura cinza, como a drenagem urbana, esta\u00e7\u00f5es de bombeamento e comportas contra enchentes&#8221;, explica ela.\n<\/p>\n<p>A infraestrutura das cidades-esponja tamb\u00e9m pode ser combinada com outros mecanismos para reduzir as enchentes, segundo Shao.\n<\/p>\n<p>Ela destaca que o planejamento urbano sistem\u00e1tico pode, por exemplo, desviar as \u00e1guas das cheias de algumas ruas principais para ruas menos importantes. Com isso, a cidade ainda pode manter suas fun\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas, principalmente tarefas de resgate, durante as enchentes.\n<\/p>\n<p>J\u00e1 para Yu Kongjian, o conceito de cidades-esponja n\u00e3o \u00e9 uma rejei\u00e7\u00e3o completa da infraestrutura cinza. Ele afirma que as cidades deveriam priorizar o uso de infraestrutura verde, &#8220;mas, se for realmente imposs\u00edvel, podemos usar canos&#8221;.\n<\/p>\n<p>Deixando de lado as discuss\u00f5es sobre o uso de infraestrutura verde ou cinza, muitos concordam que as cidades precisam aproveitar a experi\u00eancia dos seus ancestrais para poderem se adaptar ao mundo natural e \u00e0s suas mudan\u00e7as.\n<\/p>\n<p>Em vez de temer e bloquear as enchentes, as pessoas deveriam &#8220;ser amigas da \u00e1gua&#8221; para sobreviver em um clima menos previs\u00edvel, segundo Yu. Ou seja, as cidades deveriam reprojetar suas \u00e1reas mais baixas e transform\u00e1-las em terra\u00e7os \u00famidos, por exemplo. Isso permitir\u00e1 que essas \u00e1reas sejam inundadas com seguran\u00e7a, em \u00e9pocas de fortes chuvas.\n<\/p>\n<p>Para Yu, estas medidas poder\u00e3o manter em seguran\u00e7a as principais fun\u00e7\u00f5es das cidades durante os desastres naturais. E tamb\u00e9m formar\u00e3o um sistema natural de reciclagem da \u00e1gua da chuva \u2013 algo que as selvas de concreto urbanas de hoje em dia ainda n\u00e3o conseguem oferecer.\n<\/p>\n<p>Fonte: BBC Brasil\n<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodobrasilnoticias.com.br\/noticia\/conheca-cidades-que-se-inspiraram-em-plantacoes-de-arroz-para-evitar-enchentes-671532256c0e2\">Source link <\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos momentos mais memor\u00e1veis vividos por Kotchakorn Voraakhom quando era crian\u00e7a em Bangkok, na Tail\u00e2ndia, nos anos 1980, foi o dia em que ela brincou nas \u00e1guas da enchente&hellip;<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":50186,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"content-type":"","footnotes":""},"categories":[16],"tags":[123,2448,5313,1267],"class_list":["post-50185","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-brasil","tag-diario","tag-noticia","tag-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50185","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50185"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50185\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":50187,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50185\/revisions\/50187"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/50186"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50185"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50185"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50185"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}