{"id":50273,"date":"2024-10-21T01:43:11","date_gmt":"2024-10-21T01:43:11","guid":{"rendered":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/2024\/10\/21\/brasil-possui-36-milhoes-de-unidades-de-ar-condicionado-previsao-para-2050-e-de-160-milhoes-o-que-pode-contribuir-para-o-aumento-do-calor-entenda\/"},"modified":"2024-10-21T01:43:12","modified_gmt":"2024-10-21T01:43:12","slug":"brasil-possui-36-milhoes-de-unidades-de-ar-condicionado-previsao-para-2050-e-de-160-milhoes-o-que-pode-contribuir-para-o-aumento-do-calor-entenda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/2024\/10\/21\/brasil-possui-36-milhoes-de-unidades-de-ar-condicionado-previsao-para-2050-e-de-160-milhoes-o-que-pode-contribuir-para-o-aumento-do-calor-entenda\/","title":{"rendered":"Brasil possui 36 milh\u00f5es de unidades de ar-condicionado; previs\u00e3o para 2050 \u00e9 de 160 milh\u00f5es, o que pode contribuir para o aumento do calor; entenda"},"content":{"rendered":"<p> <script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8864793242727901\"\r\n     crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<\/p>\n<div id=\"taboola-read-more\" style=\"display:block; width:100%\">\n<p>No Brasil, com o clima predominantemente quente, os atuais 36 milh\u00f5es de unidades de ar-condicionado v\u00e3o se multiplicar e chegar a 160 milh\u00f5es em 2050, alta de quase 350%. Essa \u00e9 a proje\u00e7\u00e3o, levando em conta o aumento do PIB apenas, feita recentemente pela Ag\u00eancia Internacional de Energia (AIE). No mundo, o salto ser\u00e1 de 2 milh\u00f5es para 5,5 milh\u00f5es.\n<\/p>\n<p>Dos muitos desafios que a crise do clima imp\u00f5e \u00e0 economia global, nenhum \u00e9 t\u00e3o representativo da complexidade do problema quanto o ar-condicionado. O eletrodom\u00e9stico cada vez mais presente em todo o mundo j\u00e1 gera sozinho 2,7% das emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa e consome 7% da eletricidade da Terra. Torna-se, cada vez mais, parte do problema que ele mesmo busca aliviar.<\/p>\n<p>Com mais ondas de calor acima de 30\u00b0C, n\u00e3o surpreende a demanda por ar-condicionado disparar. Um relat\u00f3rio recente da AIE prev\u00ea que o n\u00famero de aparelhos funcionando no mundo salte dos atuais 2 bilh\u00f5es para 5,5 bilh\u00f5es em 2050.\n<\/p>\n<p>Mesmo com uma melhora na efici\u00eancia dos aparelhos, num cen\u00e1rio sem interven\u00e7\u00f5es, o gasto de energia vai dobrar, com esses aparelhos consumindo 14% da eletricidade mundial em 2050. O acr\u00e9scimo previsto at\u00e9 2035, apenas, \u00e9 equivalente \u00e0 energia el\u00e9trica consumida hoje em todo o Oriente M\u00e9dio.\n<\/p>\n<p>Cerca de 90% dessa demanda, diz a ag\u00eancia, est\u00e3o em economias emergentes, como \u00cdndia, China e Brasil. Nas cidades brasileiras, basta olhar para cima e ver os condicionadores de ar pipocarem das fachadas dos pr\u00e9dios, tornando-se parte da paisagem. Em pa\u00edses emergentes, espera-se incremento num ritmo ainda mais acentuado.\n<\/p>\n<p>\u2014 Hoje o ar-condicionado n\u00e3o \u00e9 mais visto tanto como produto de luxo para conforto, ele impacta em horas de trabalho e no desempenho das pessoas, reduz o estresse t\u00e9rmico e tem impacto positivo em sa\u00fade tamb\u00e9m, sobretudo da popula\u00e7\u00e3o idosa \u2014 diz Thiago Pietrobon, executivo de uma empresa do setor que lidera a \u00e1rea ambiental da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Refrigera\u00e7\u00e3o, Ar-Condicionado, Ventila\u00e7\u00e3o e Aquecimento (Abrava).\n<\/p>\n<p>No come\u00e7o deste ano, a Abrava projetava venda de 4,9 milh\u00f5es de unidades, mas a onda de calor no final do inverno em v\u00e1rias cidades populosas do pa\u00eds acelerou a procura. A Eletros, associa\u00e7\u00e3o de fabricantes do setor, diz que at\u00e9 julho o volume entregue ao varejo foi 83% maior que no mesmo per\u00edodo de 2023, totalizando 3,28 milh\u00f5es de unidades em sete meses. E depois disso ainda houve outra onda.\n<\/p>\n<p>\u2014 A resposta \u00e9 muito r\u00e1pida quando ocorre um pico de calor como esse do fim de agosto. N\u00e3o foi o calor mais extremo deste ano, mas suficiente para acelerar ainda mais as vendas, numa velocidade acima do normal \u2014 afirma Pietrobon, que comemora o momento favor\u00e1vel para o setor, mas reconhece que \u00e9 preciso planejamento para que o boom de ar-condicionados n\u00e3o impacte ainda mais o clima.\n<\/p>\n<p><strong>Tratados internacionais<\/strong>\n<\/p>\n<p>Os aparelhos de ar-condicionado geram gases de efeito estufa de duas maneiras. A primeira \u00e9 pelo uso de hidrofluorcarbonetos (HFCs) na tecnologia de resfriamento por compressores. Os HFCs substitu\u00edram os antigos clorofluorocarbonetos (CFCs), usados em eletrodom\u00e9sticos mais antigos. Estes outros gases foram banidos num tratado implementado em 1989, o Protocolo de Montreal, pois prejudicavam a camada de oz\u00f4nio, que protege o planeta da radia\u00e7\u00e3o ultravioleta.\n<\/p>\n<p>Os HFCs n\u00e3o deterioram o oz\u00f4nio, mas s\u00e3o gases de efeito estufa muito poderosos. Por isso, um outro tratado internacional, a Emenda de Kigali, entrou em vigor em 2019 prevendo descontinuar gradualmente os HFCs. Aparelhos com esses gases s\u00f3 poder\u00e3o ser produzidos at\u00e9 2045.\n<\/p>\n<p>A outra fonte de emiss\u00f5es dos refrigeradores de ar tem solu\u00e7\u00e3o mais dif\u00edcil: a alta do consumo de energia. Se a proje\u00e7\u00e3o da AIE se materializar, um planeta com 5,5 bilh\u00f5es de aparelhos precisar\u00e1 de mais energia para oper\u00e1-los, e, atualmente, mais da metade da eletricidade global ainda vem da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, que emitem di\u00f3xido de carbono (CO2), principal vil\u00e3o do aquecimento da Terra.\n<\/p>\n<p><strong>\u2018Inverter\u2019 ajuda<\/strong>\n<\/p>\n<p>No Brasil, o cen\u00e1rio \u00e9 um pouco diferente. O pa\u00eds possui mais de 90% de sua energia de fontes renov\u00e1veis, sobretudo hidrel\u00e9trica. Entretanto, o acionamento de usinas t\u00e9rmicas a g\u00e1s tem sido cada vez mais comum, sobretudo em per\u00edodos de muito calor e seca, quando reservat\u00f3rios de \u00e1gua das grandes barragens est\u00e3o mais vazios. E \u00e9 justamente nessas horas que a demanda por refrigera\u00e7\u00e3o de ambientes sobe, puxando para cima o gasto de uma eletricidade \u201csuja\u201d.\n<\/p>\n<p>Por causa disso, entidades sociais e ambientalistas pressionam o governo e a ind\u00fastria para o pa\u00eds adotar padr\u00f5es mais r\u00edgidos de efici\u00eancia energ\u00e9tica. O Brasil j\u00e1 possui o programa Procel e uma pol\u00edtica de etiquetagem que orienta o consumidor a escolher produtos mais econ\u00f4micos, mas se as exig\u00eancias n\u00e3o continuarem sendo atualizadas, o impacto ambiental do ar-condicionado n\u00e3o ser\u00e1 freado, alerta Rodolfo Gomes, diretor da Iniciativa Internacional de Energia (IEI) no Brasil:\n<\/p>\n<p>\u2014 A pol\u00edtica energ\u00e9tica tem que conversar com a pol\u00edtica industrial e vice-versa.\n<\/p>\n<p>Ambientalistas defendem que o esfor\u00e7o da ind\u00fastria para substituir os aparelhos baseados em HFC precisa embutir tamb\u00e9m uma exig\u00eancia para que gastem menos energia. Os aparelhos mais evolu\u00eddos, com um dispositivo interno chamado \u201cinverter\u201d (que faz o compressor funcionar em diversas intensidades), s\u00e3o muito mais econ\u00f4micos que os convencionais, que precisam desligar e religar para controlar a temperatura.\n<\/p>\n<p>Hoje, no Brasil, a diferen\u00e7a de pre\u00e7o entre os dois tipos j\u00e1 torna vantajosa a compra do \u201cinverter\u201d, pois o custo adicional \u00e9 compensado pela economia na conta de luz.\n<\/p>\n<p>A inova\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o d\u00e1 conta de segurar o aumento na demanda por eletricidade no planeta, e para isso o ar-condicionado precisar\u00e1 se tornar ainda mais econ\u00f4micos, explica Rodrigo Bernardello, professor da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI):\n<\/p>\n<p>\u2014 Ainda d\u00e1 para melhorar a efici\u00eancia dos aparelhos, s\u00f3 que isso vai ter um certo limite, imposto pela f\u00edsica termodin\u00e2mica. Eu diria que a gente n\u00e3o est\u00e1 nem muito perto nem muito longe desse limite. Talvez a gente consiga gastar metade da energia que se gasta hoje para resfriar uma sala do mesmo tamanho.\n<\/p>\n<p><strong>Uso consciente ajuda a economizar<\/strong>\n<\/p>\n<p>Um corte de 50% no consumo seria algo extraordin\u00e1rio, mas ainda assim n\u00e3o conseguiria compensar o aumento de 280% no n\u00famero de aparelhos projetado pela IEA para o planeta.\n<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o com aparelhos dom\u00e9sticos tamb\u00e9m existe no setor corporativo, porque sistemas de ar-condicionado centrais, de pr\u00e9dios comerciais, s\u00e3o tipicamente mais eficientes e t\u00eam menos margem para evoluir. Al\u00e9m disso, o setor empresarial tamb\u00e9m passa por um ciclo de aumento de demanda com digitaliza\u00e7\u00e3o da economia, que faz aumentar o n\u00famero de data-centers onde grandes computadores precisam de ar frio para funcionar.\n<\/p>\n<p>Bernardello, que n\u00e3o possui (ainda) ar-condicionado em casa, recomenda um uso consciente do aparelho, em ambientes fechados adequadamente, para n\u00e3o consumir energia demais.\n<\/p>\n<p>\u2014 Um ar-condicionado de 12 mil BTUs (3.500 W) pode consumir at\u00e9 R$ 330 a mais na conta de luz se usado na pot\u00eancia m\u00e1xima. Por isso, o ideal \u00e9 colocar na maior temperatura poss\u00edvel que a pessoa fique confort\u00e1vel. Para cada 1\u00b0C que deixamos a mais, a economia na conta de luz pode variar de 3% a 10% \u2014 estima o engenheiro.\n<\/p>\n<p>Sob condi\u00e7\u00e3o de calor moderado, o ventilador \u00e9 a op\u00e7\u00e3o mais recomendada, porque gasta muito menos energia e proporciona um conforto razo\u00e1vel.\n<\/p>\n<p><strong>Justi\u00e7a clim\u00e1tica<\/strong>\n<\/p>\n<p>O problema ambiental e tecnol\u00f3gico que desafia os aparelhos de ar-condicionado vale tamb\u00e9m para as geladeiras, mas o primeiro \u00e9 mais preocupante. Por ser produto de primeira necessidade, a geladeira j\u00e1 est\u00e1 perto do teto de sua demanda &#8220;per capita&#8221;, mas o ar-condicionado n\u00e3o.\n<\/p>\n<p>Um levantamento da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE) indica que, em resid\u00eancias brasileiras com renda de dois a tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos por pessoa, um indiv\u00edduo consome em m\u00e9dia 60 kilowatts-hora (Kwh) por ano com ar condicionado. J\u00e1 na faixa de cinco a dez sal\u00e1rios m\u00ednimos esse consumo \u00e9 de 194 Kwh, ou seja, de 223% a mais. Quando se olha para a geladeira, essa diferen\u00e7a \u00e9 de apenas 35% entre os dois n\u00edveis de renda.\n<\/p>\n<p>Por isso, no plano social, a discuss\u00e3o sobre acesso ao uso de ar-condicionado passa por uma quest\u00e3o de &#8220;justi\u00e7a clim\u00e1tica&#8221;, quando muitas cidades v\u00eam o term\u00f4metro ultrapassar os 35\u00b0C em ondas de calor. Com o aumento da renda, o barateamento dos aparelhos os torna acess\u00edveis para quem rompe a barreira da classe D para a C, e com ele um al\u00edvio para o calor insalubre.\n<\/p>\n<p>A desigualdade no acesso ao conforto t\u00e9rmico n\u00e3o \u00e9, por\u00e9m, algo novo no pa\u00eds, sobretudo nas ilhas de calor dos centros urbanos.\n<\/p>\n<p>\u2014 A mudan\u00e7a do clima \u00e9 apenas um pequeno aspecto de algo que uma grande parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira sentiu na pele desde sempre \u2014 diz Gomes, do IEI. \u2014 Quem vive nas periferias, em favelas, em habita\u00e7\u00f5es que s\u00e3o quentes pela pr\u00f3pria configura\u00e7\u00e3o ou pelo ambiente constru\u00eddo, experimenta temperaturas alt\u00edssimas debaixo dos telhados.\n<\/p>\n<p>Para o pesquisador, a discuss\u00e3o sobre acesso ao conforto t\u00e9rmico precisa ir al\u00e9m do debate sobre o aparelho de ar-condicionado. A constru\u00e7\u00e3o civil precisa ser considerada, e padr\u00f5es sustent\u00e1veis de edifica\u00e7\u00f5es com ventila\u00e7\u00e3o e controle do sol precisam ser incentivados, ele afirma.\n<\/p>\n<p>O setor p\u00fablico, por sua vez, pode evitar que uma urbaniza\u00e7\u00e3o descontrolada transforme as cidades em selvas de pedra sem vegeta\u00e7\u00e3o, sem corpos d&#8217;\u00e1gua e sem sombra.\n<\/p>\n<p>\u2014 A mudan\u00e7a clim\u00e1tica, nesse caso, n\u00e3o trouxe algo totalmente novo: ela est\u00e1 exacerbando problemas antigos do Brasil \u2014 afirma.\n<\/p>\n<p>Fonte: O Globo <\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodobrasilnoticias.com.br\/noticia\/brasil-possui-36-milhoes-de-unidades-de-ar-condicionado-previsao-para-2050-e-de-160-milhoes-o-que-pode-contribuir-para-o-aumento-do-calor-entenda-671563cc5bc84\">Source link <\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, com o clima predominantemente quente, os atuais 36 milh\u00f5es de unidades de ar-condicionado v\u00e3o se multiplicar e chegar a 160 milh\u00f5es em 2050, alta de quase 350%. 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