{"id":51760,"date":"2024-10-25T05:33:00","date_gmt":"2024-10-25T05:33:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/2024\/10\/25\/como-milei-conseguiu-reduzir-a-inflacao-e-o-valor-do-dolar-na-argentina\/"},"modified":"2024-10-25T05:33:02","modified_gmt":"2024-10-25T05:33:02","slug":"como-milei-conseguiu-reduzir-a-inflacao-e-o-valor-do-dolar-na-argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/2024\/10\/25\/como-milei-conseguiu-reduzir-a-inflacao-e-o-valor-do-dolar-na-argentina\/","title":{"rendered":"Como Milei conseguiu reduzir a infla\u00e7\u00e3o e o valor do d\u00f3lar na Argentina"},"content":{"rendered":"<p> <script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8864793242727901\"\r\n     crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<\/p>\n<div id=\"taboola-read-more\" style=\"display:block; width:100%\">\n<p>Quando Javier Milei assumiu a presid\u00eancia da Argentina em dezembro de 2023, a infla\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 chegava a quase 13% ao m\u00eas, dobrou.\n<\/p>\n<p>O d\u00f3lar &#8220;azul&#8221; &#8211; como os argentinos chamam o d\u00f3lar livre, ou de mercado, principal refer\u00eancia de pre\u00e7os no pa\u00eds &#8211; subiu, atingindo uma alta de 25% at\u00e9 o final de janeiro.<\/p>\n<p>E os sinais de alerta come\u00e7avam a soar \u00e0 medida que o homem que tinha entrado na pol\u00edtica havia pouco, apenas tr\u00eas anos antes, fazia &#8220;o maior ajuste na hist\u00f3ria da humanidade&#8221; (como o pr\u00f3prio descreveu), cortando imediatamente os gastos p\u00fablicos em cerca de um ter\u00e7o.\n<\/p>\n<p>Os mais pessimistas (e opositores) previram que o presidente n\u00e3o estaria no cargo ao final do ano e reviveram os traumas de 2001-2002, quando o pa\u00eds sofreu uma das suas piores explos\u00f5es econ\u00f4micas, pol\u00edticas e sociais, e teve cinco presidentes em apenas um ano e duas semanas.\n<\/p>\n<p>Outros alertaram que uma nova hiperinfla\u00e7\u00e3o estava a caminho, como a de 1989, quando os pre\u00e7os subiram 5.000% ao ano.\n<\/p>\n<p>Mesmo muitos dos 56% do eleitorado que escolheram Milei e rejeitaram o ministro peronista da Economia, Sergio Massa, no segundo turno eleitoral preparavam-se para a possibilidade de o &#8220;azul&#8221; subir sem freios ap\u00f3s o novo governo de La Libertad Avanza (LLA) dobrar o valor do d\u00f3lar oficial (desvalorizando o peso em 50%), ap\u00f3s promessas de campanha de dolarizar a economia.\n<\/p>\n<p>No entanto, dez meses ap\u00f3s a posse de Milei &#8211; o primeiro economista a tornar-se presidente da Argentina e o primeiro pol\u00edtico libert\u00e1rio a liderar uma na\u00e7\u00e3o &#8211; nenhum destes cen\u00e1rios pessimistas se concretizou.\n<\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio: a infla\u00e7\u00e3o foi reduzida para 3,5% ao m\u00eas, o valor mais baixo em quase tr\u00eas anos.\n<\/p>\n<p>E o d\u00f3lar paralelo, que atingiu o recorde de 1.500 pesos em julho, hoje est\u00e1 em n\u00edveis semelhantes aos de janeiro.\n<\/p>\n<p>Embora tenha perdido cerca de 10 pontos de popularidade &#8211; ele ainda est\u00e1 acima dos 40% &#8211; Milei consolidou seu poder, obtendo importantes vit\u00f3rias legislativas apesar de ter uma pequena minoria no Parlamento e de n\u00e3o haver nenhum governador do seu grupo pol\u00edtico partid\u00e1rio.\n<\/p>\n<p>&#8220;Votei nele porque queria uma mudan\u00e7a e ele est\u00e1 conseguindo&#8221;, diz Diego, 56 anos, passeador de cachorros em Buenos Aires.\n<\/p>\n<p>&#8220;Embora tenham sido meses muito dif\u00edceis, principalmente para meu velho [pai], que est\u00e1 aposentado, com a infla\u00e7\u00e3o e o d\u00f3lar baixo estamos em melhor situa\u00e7\u00e3o&#8221;, disse ele \u00e0 BBC Mundo.\n<\/p>\n<p>Apesar disso, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a Argentina atravessa um momento bastante dif\u00edcil: segundo os \u00faltimos n\u00fameros oficiais, no primeiro semestre do ano o pa\u00eds registou o seu pior salto na pobreza em duas d\u00e9cadas, com mais de metade da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de pobreza (quase 53%), incluindo quase 7 em cada 10 crian\u00e7as.\n<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o consumo despencou e o Produto Interno Bruto (PIB), \u00edndice que mede a atividade econ\u00f4mica, caiu 3,4% em compara\u00e7\u00e3o com o primeiro semestre do ano anterior. Tanto o Banco Mundial quanto o Fundo Monet\u00e1rio Internacional concordam que a Argentina ser\u00e1 a economia latino-americana com a maior contra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica este ano.\n<\/p>\n<p>No entanto, pelo menos por agora, Milei est\u00e1 cumprindo sua promessa de limpar a macroeconomia, reduzir a infla\u00e7\u00e3o e estabilizar o d\u00f3lar.\n<\/p>\n<p>&#8220;Estamos saindo do inferno com sucesso&#8221;, anunciou o presidente em entrevista recente ao canal de not\u00edcias LN+.\n<\/p>\n<p>A BBC Mundo explica como ele est\u00e1 conseguindo isso (e por que nem todos acreditam que sua estrat\u00e9gia seja bem-sucedida).\n<\/p>\n<p>&#8220;Para entender como Milei reduziu a infla\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso entender essencialmente a origem da infla\u00e7\u00e3o&#8221;, explicou \u00e0 BBC Mundo o economista Miguel Boggiano, um dos membros do Conselho de Assessores Econ\u00f4micos do governo argentino.\n<\/p>\n<p>&#8220;Na Argentina, a explica\u00e7\u00e3o \u00e9 relativamente simples: como os diferentes governos gastaram mais do que arrecadaram, o que acabou acontecendo foi que esse excesso de gastos acabou sendo financiado pela impress\u00e3o de papel-moeda, ou seja, com emiss\u00e3o monet\u00e1ria, porque ningu\u00e9m empresta dinheiro \u00e0 Argentina.&#8221;\n<\/p>\n<p>Boggiano garante que &#8220;o problema foi piorando&#8221; porque, al\u00e9m de imprimir dinheiro para o Tesouro, o Banco Central tamb\u00e9m passou a conceder empr\u00e9stimos ao Tesouro, o que deixou ambas as organiza\u00e7\u00f5es endividadas.\n<\/p>\n<p>&#8220;O Banco Central sabia que geraria infla\u00e7\u00e3o com todos aqueles pesos que deu ao Tesouro, porque havia um excesso de pesos que o p\u00fablico n\u00e3o demandava e depois iria para o d\u00f3lar ou para os pre\u00e7os.&#8221;\n<\/p>\n<p>Para evitar que isso acontecesse, explicou, o Banco Central criou um mecanismo para absorver uma parte importante desse dinheiro: os chamados passivos remunerados, d\u00edvida de curto prazo que foi contra\u00edda com os bancos.\n<\/p>\n<p>E essa d\u00edvida foi se acumulando.\n<\/p>\n<p>Quando Milei assumiu o cargo, o d\u00e9ficit do Tesouro equivalia a 4,6% do PIB. Mas o do Banco Central era o dobro, devido \u00e0 &#8220;bola&#8221; de juros que a d\u00edvida de curto prazo gerou.\n<\/p>\n<p>Para resolver o problema do Tesouro, Milei foi diretamente \u00e0 raiz: brandindo a motosserra metaf\u00f3rica s\u00edmbolo de sua campanha, ele eliminou um ter\u00e7o dos gastos p\u00fablicos de uma s\u00f3 vez.\n<\/p>\n<p>Assim, desde o primeiro m\u00eas de mandato, conseguiu reduzir as emiss\u00f5es de moeda &#8211; principal causa da infla\u00e7\u00e3o &#8211; e passou do d\u00e9ficit ao excedente fiscal (mais receitas do que despesas), algo que a Argentina conseguiu poucas vezes no s\u00e9culo passado.\n<\/p>\n<p>Para resolver a d\u00edvida do Banco Central (e reduzir as emiss\u00f5es que gerava) ele recorreu a outro artif\u00edcio, explica Boggiano.\n<\/p>\n<p>&#8220;Baixou a taxa de juros paga pelos passivos remunerados e tamb\u00e9m desvalorizou o peso, corrigindo a taxa de c\u00e2mbio oficial e colocando-a quase no mesmo n\u00edvel da taxa de c\u00e2mbio do mercado&#8221;.\n<\/p>\n<p>&#8220;Isso produziu um ajuste nos pre\u00e7os relativos que significou um salto na infla\u00e7\u00e3o superior aos juros pagos por aquela d\u00edvida. Dessa forma, liquidou os passivos remunerados, deixando-os com taxas de juros reais negativas&#8221;, explica o assessor.\n<\/p>\n<p>Falando em um f\u00f3rum de neg\u00f3cios na semana passada, Milei orgulhava-se de sua estrat\u00e9gia: &#8220;Ningu\u00e9m sabia como resolver e resolvemos em seis meses. N\u00f3s tornamos poss\u00edvel algo que parecia imposs\u00edvel&#8221;, destacou.\n<\/p>\n<p>Embora muitos de seus cr\u00edticos afirmassem ser imposs\u00edvel manter o super\u00e1vit, pois isso exigiria continuar a adiar pagamentos que eventualmente teriam que ser feitos e congelar os gastos p\u00fablicos em n\u00edveis m\u00ednimos hist\u00f3ricos, a verdade \u00e9 que o governo libert\u00e1rio conseguiu sustent\u00e1-lo em seus primeiros nove meses de governo.\n<\/p>\n<p>Conseguiu, inclusive, ter super\u00e1vit depois de pagar os juros da d\u00edvida p\u00fablica, algo in\u00e9dito no pa\u00eds e considerado fundamental para o equil\u00edbrio das contas.\n<\/p>\n<p>No entanto, h\u00e1 quem acuse o presidente e o ministro da Economia, Luis Caputo, de fazerem um malabarismo financeiro que simplesmente &#8220;esconde&#8221; o d\u00e9ficit.\n<\/p>\n<p>Ex-assessor de Milei, o economista Carlos Rodr\u00edguez, que foi secret\u00e1rio de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica no governo de Carlos Menem, alertou em sua conta X (antigo Twitter) que o governo n\u00e3o teria super\u00e1vit se n\u00e3o fosse financiado com t\u00edtulos do Tesouro, conhecidos como Lecap e LEFI, que permitem o adiamento do pagamento de juros uma vez que estes s\u00e3o pagos, juntamente com o capital, apenas no vencimento do t\u00edtulo da d\u00edvida.\n<\/p>\n<p>Segundo Rodr\u00edguez, essa d\u00edvida remunerada que vai se acumulando &#8220;n\u00e3o aparece no d\u00e9ficit financeiro do Tesouro nem no cuasifiscal (nome oficial do d\u00e9ficit do Banco Central). Apenas aumenta a d\u00edvida p\u00fablica&#8221;.\n<\/p>\n<p>&#8220;Como num passe de m\u00e1gica, o d\u00e9ficit cuasifiscal desapareceu e Milei reduziu instantaneamente o d\u00e9ficit do Estado em v\u00e1rios pontos do PIB. Isso \u00e9 simplesmente uma engano. O d\u00e9ficit continua. Eles n\u00e3o enganam ningu\u00e9m, apenas perdem credibilidade, &#8221; escreveu.\n<\/p>\n<p>Na mesma linha, a ex-presidente Cristina Fern\u00e1ndez de Kirchner disse atrav\u00e9s do X, na segunda-feira, que Milei, que disse em campanha que fecharia o Banco Central, acabou &#8220;passando ao Estado argentino seus passivos com o LEFI e os Lecaps que est\u00e3o gerando juros mensais de mais de 2 bilh\u00f5es de pesos (US$ 2 bilh\u00f5es) e criando uma bola que, quando explodir, \u00e9 melhor n\u00e3o se estar por perto&#8221;.\n<\/p>\n<p>Para al\u00e9m deste debate, Milei est\u00e1 confiante de que mantendo a sua pol\u00edtica de &#8220;d\u00e9ficit zero&#8221; conseguir\u00e1 reduzir a infla\u00e7\u00e3o, uma das suas principais promessas eleitorais.\n<\/p>\n<p>Em seu projeto de Or\u00e7amento para 2025, apresentado em setembro, ele estimou que este ano a infla\u00e7\u00e3o fechar\u00e1 nos 104,4%, metade do que era em 2023 (211,4%). E que no pr\u00f3ximo ano cair\u00e1 para 18,3% anuais.\n<\/p>\n<p>O mercado est\u00e1 um pouco menos otimista, mas concorda que haver\u00e1 uma desacelera\u00e7\u00e3o significativa: a \u00faltima Pesquisa de Expectativas de Mercado do Banco Central projetou que em 2024 a infla\u00e7\u00e3o ser\u00e1 de 123,6%, um pouco abaixo do estimado pelo FMI (140%).\n<\/p>\n<p>&#8220;E se desta vez tudo correr bem???&#8221; perguntou no X Mariano &#8211; um advogado &#8220;com o desejo irreprim\u00edvel de ver uma Argentina pr\u00f3spera&#8221; &#8211; em meio aos muitos posts que questionam se as metas do governo s\u00e3o realistas.\n<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da infla\u00e7\u00e3o, que diminuiu progressivamente de 20,6% em janeiro para 3,5% em setembro, o d\u00f3lar paralelo, que reflete a confian\u00e7a do mercado no governo e \u00e9 uma refer\u00eancia incondicional no pa\u00eds, tem tido um ritmo mais err\u00e1tico.\n<\/p>\n<p>Quando Milei assumiu, valia mil pesos, subindo 25% no final de janeiro (1.250). Embora tenha voltado a cair e tenha permanecido pr\u00f3ximo a 1 mil entre mar\u00e7o e maio, a partir da\u00ed come\u00e7ou uma escalada que gerou preocupa\u00e7\u00e3o entre os argentinos, que sabem que o valor do &#8220;azul&#8221; costuma refletir rapidamente nos pre\u00e7os.\n<\/p>\n<p>Em julho, o d\u00f3lar atingiu seu valor mais alto: 1.500 pesos, cerca de 50% a mais que o valor do d\u00f3lar oficial, regulado pelo governo, e se valoriza a uma taxa fixa de 2% ao m\u00eas, como uma &#8220;\u00e2ncora contra a infla\u00e7\u00e3o&#8221;\n<\/p>\n<p>Isto levou a novos sinais de alarme devido aos receios de que pudesse pressionar os pre\u00e7os.\n<\/p>\n<p>Por\u00e9m, desde ent\u00e3o, o &#8220;azul&#8221; voltou aos n\u00edveis de janeiro, uma vit\u00f3ria para o governo libert\u00e1rio.\n<\/p>\n<p>&#8220;O d\u00f3lar cai, as despesas n\u00e3o sobem, o aluguel da garagem n\u00e3o sobe, meu sal\u00e1rio sobe. OBRIGADO MILEI&#8221;, escreveu Mat\u00edas, torcedor do Boca Juniors e simpatizante do governo, no X.\n<\/p>\n<p>Mas o que Milei fez para conter o d\u00f3lar?\n<\/p>\n<p>H\u00e1 quem considere a &#8220;lavagem&#8221; de capital um fator tamb\u00e9m relevante para explicar a queda da taxa de c\u00e2mbio obtida pelo governo, ao permitir a regulariza\u00e7\u00e3o de at\u00e9 US$ 100 mil antes n\u00e3o declarados, sem penalidades ou impostos adicionais (valores maiores pagam entre 5% e 15%).\n<\/p>\n<p>Isso gerou uma maior oferta de d\u00f3lares, o que contribui para a redu\u00e7\u00e3o do valor da moeda.\n<\/p>\n<p>Mas o governo nega que seja um &#8220;veranito cambial&#8221; causado pela regulariza\u00e7\u00e3o de dinheiro antes n\u00e3o declarado e afirma que a queda do d\u00f3lar \u00e9 parte do plano.\n<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio presidente explicou isso, inclusive, em discurso a empres\u00e1rios reunidos no f\u00f3rum do Instituto de Desenvolvimento Empresarial da Argentina (IDEA), no dia 18 de outubro.\n<\/p>\n<p>&#8220;Diante de um ataque especulativo em que o d\u00f3lar era negociado a 1.500 pesos e nos disseram que na semana seguinte iria para 2 mil, e assim por diante, decidimos mudar o esquema monet\u00e1rio e ir diretamente para a emiss\u00e3o zero&#8221;, afirmou.\n<\/p>\n<p>&#8220;Parece que tamb\u00e9m funcionou e aconteceu algo que nunca havia acontecido na Argentina, que \u00e9 o d\u00f3lar cair de 1.500 para 1.100 pesos. E assim o que tamb\u00e9m parecia imposs\u00edvel, n\u00f3s tamb\u00e9m tornamos poss\u00edvel&#8221;, gabou-se.\n<\/p>\n<p>Boggiano explicou a estrat\u00e9gia com mais detalhes \u00e0 BBC Mundo.\n<\/p>\n<p>&#8220;No in\u00edcio da administra\u00e7\u00e3o do presidente Milei, o Banco Central emitia pesos para comprar d\u00f3lares e reconstruir suas reservas (que o governo herdou com um saldo negativo de mais de US$ 11 bilh\u00f5es)&#8221;, disse.\n<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 dois ou tr\u00eas meses, o Banco Central decidiu diretamente n\u00e3o emitir mais pesos para comprar d\u00f3lares, o que significa que n\u00e3o h\u00e1 emiss\u00e3o por nenhum motivo.&#8221;\n<\/p>\n<p>&#8220;E como, al\u00e9m disso, o Tesouro tem um super\u00e1vit fiscal &#8211; ou seja, gasta menos do que arrecada em impostos &#8211; o pr\u00f3prio Tesouro est\u00e1 absorvendo pesos da economia. O resultado \u00e9 que h\u00e1 mais pesos e isso est\u00e1 fazendo o d\u00f3lar cair&#8221;, disse ele.\n<\/p>\n<p>O paradoxo da estrat\u00e9gia de Milei \u00e9 que algu\u00e9m que falou em dolarizar a economia e durante a sua campanha chamou o peso argentino de &#8220;excremento&#8221; valorizou-a tanto que agora o pa\u00eds ficou caro em d\u00f3lares.\n<\/p>\n<p>&#8220;Se o c\u00e2mbio permanecesse onde est\u00e1 atualmente, nos primeiros 12 meses do ano a Argentina teria uma infla\u00e7\u00e3o de 104% a 105% em d\u00f3lares&#8221;, destacou outro ex-apoiador e hoje cr\u00edtico do presidente, Diego Giacomini.\n<\/p>\n<p>&#8220;Significa que, se no in\u00edcio do ano, quando Milei assumiu, voc\u00ea precisava de US$ 100 para pagar a luz, no final do ano voc\u00ea vai precisar entre US$ 200 e US$ 210 para pagar a luz&#8221;, explicou durante uma entrevista recente \u00e0 Radio con vos.\n<\/p>\n<p>Segundo o economista &#8220;\u00e9 um c\u00e2mbio que n\u00e3o serve nem a quem produz para o mercado interno nem a quem exporta. Portanto, o n\u00edvel de atividade est\u00e1 condenado a ser ruim&#8221;.\n<\/p>\n<p>&#8220;Isso ter\u00e1 que ser corrigido em algum momento com um salto cambial e posterior acelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o&#8221;, diagnosticou.\n<\/p>\n<p>Alguns argentinos compartilham seu pessimismo. &#8220;Estamos caros em d\u00f3lares porque o valor do d\u00f3lar est\u00e1 defasado porque eles o seguraram!!! J\u00e1 vi esse filme e j\u00e1 sei o final: 2001, isso te parece familiar?!!!&#8221;, escreveu o tweeter Jean Valjean.\n<\/p>\n<p>Milei descartou uma nova desvaloriza\u00e7\u00e3o e afirmou que manter\u00e1 sua estrat\u00e9gia de valoriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar oficial em 2% a cada m\u00eas, mesmo que isso tenha deixado seu valor defasado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 infla\u00e7\u00e3o.\n<\/p>\n<p>O ministro da Economia, Caputo, destacou que o plano do governo \u00e9 que o d\u00f3lar oficial e o &#8220;d\u00f3lar azul&#8221; eventualmente convirjam, um passo importante antes de poder levantar os controles de capital (aqui apelidados de &#8220;armadilhas&#8221;) que limitam o acesso \u00e0 moeda americana no pa\u00eds.\n<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m algo que deve preceder uma eventual dolariza\u00e7\u00e3o, que continua a fazer parte dos planos oficiais, atrav\u00e9s da livre &#8220;competi\u00e7\u00e3o cambial&#8221;.\n<\/p>\n<p>Entretanto, o governo minimiza as preocupa\u00e7\u00f5es daqueles que alertam que, para al\u00e9m das boas not\u00edcias financeiras, a &#8220;economia real&#8221; n\u00e3o est\u00e1 decolando.\n<\/p>\n<p>E destaca que, embora as compara\u00e7\u00f5es anuais da atividade econ\u00f4mica sejam negativas, se compararmos m\u00eas a m\u00eas vemos que a tend\u00eancia \u00e9 positiva, uma mudan\u00e7a que j\u00e1 come\u00e7a a ser notada em alguns setores.\n<\/p>\n<p>&#8220;De agora em diante s\u00f3 v\u00eam boas not\u00edcias&#8221;, repete Milei em seus discursos e entrevistas.\n<\/p>\n<p>Seu otimismo \u00e9 compartilhado pelo Banco Mundial e pelo FMI, que estimam que em 2025 a Argentina crescer\u00e1 5%, deixando de ser a economia latino-americana com maior contra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica passando a ser a que apresenta maior crescimento.\n<\/p>\n<p>H\u00e1 que esperar para ver se essa recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9 um trampolim para um futuro mais pr\u00f3spero, capaz de melhorar a vida dos cerca de 25 milh\u00f5es de pobres que o pa\u00eds tem hoje, como promete Milei, ou se a Argentina novamente voltar\u00e1 a ficar, mais uma vez, presa numa outra espiral de d\u00edvida, como alertam os advers\u00e1rios do presidente.\n<\/p>\n<p>Fonte: Folha de S.Paulo              <\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodobrasilnoticias.com.br\/noticia\/como-milei-conseguiu-reduzir-a-inflacao-e-o-valor-do-dolar-na-argentina-671ac0984d051\">Source link <\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando Javier Milei assumiu a presid\u00eancia da Argentina em dezembro de 2023, a infla\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 chegava a quase 13% ao m\u00eas, dobrou. 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