{"id":53610,"date":"2024-10-31T16:20:06","date_gmt":"2024-10-31T16:20:06","guid":{"rendered":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/2024\/10\/31\/o-que-descobri-ao-trocar-50-cartas-e-visitar-o-maniaco-do-parque-10-vezes-confira\/"},"modified":"2024-10-31T16:20:07","modified_gmt":"2024-10-31T16:20:07","slug":"o-que-descobri-ao-trocar-50-cartas-e-visitar-o-maniaco-do-parque-10-vezes-confira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/2024\/10\/31\/o-que-descobri-ao-trocar-50-cartas-e-visitar-o-maniaco-do-parque-10-vezes-confira\/","title":{"rendered":"&#8216;O que descobri ao trocar 50 cartas e visitar o man\u00edaco do parque 10 vezes&#8217;; CONFIRA"},"content":{"rendered":"<p> <script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8864793242727901\"\r\n     crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<\/p>\n<div id=\"taboola-read-more\" style=\"display:block; width:100%\">\n<p>Movida pela curiosidade, a fonoaudi\u00f3loga luso-brasileira Simone Lopes Bravo decidiu ouvir um dos mais temidos assassinos em s\u00e9rie do Brasil: Francisco de Assis Pereira, mais conhecido como o &#8220;man\u00edaco do parque&#8221;. Ele foi condenado a mais de 200 anos de pris\u00e3o pela morte de sete mulheres em 1998 \u2014e confessou o assassinato de onze mulheres, al\u00e9m de 23 ataques.\n<\/p>\n<p>Por cerca de dois anos, Simone vem trocando cartas com Francisco, que est\u00e1 recluso na Penitenci\u00e1ria de Iaras (SP), onde n\u00e3o recebia visitas havia dez anos \u2014at\u00e9 ser abordado por Simone. As conversas deram origem ao livro &#8220;Man\u00edaco do Parque: A Loucura L\u00facida&#8221;.<\/p>\n<p>Ao UOL, Simone contou como tudo come\u00e7ou, como foram as dez visitas que fez no pres\u00eddio e a experi\u00eancia com Francisco.\n<\/p>\n<p>&#8216;Escrevi para 8 e ele me respondeu&#8217;<br \/>&#8220;Sou fonoaudi\u00f3loga e sempre tive de estudar um pouco sobre a \u00e1rea da psiquiatria para exercer meu trabalho. Na pandemia, meus atendimentos abrandaram pelo isolamento social.\n<\/p>\n<p>Por indica\u00e7\u00e3o de um amigo, assisti \u00e0 s\u00e9rie &#8216;Mindhunter&#8217; [que investiga a psicologia do assassinato], que me fez pensar muita coisa. A ideia de escrever um livro foi amadurecendo com o tempo e a curiosidade.\n<\/p>\n<p>Escrevi uma carta para oito reclusos de Portugal e do Brasil. Desses, s\u00f3 um me respondeu: o Francisco [de Assis Pereira, conhecido como man\u00edaco do parque]. Confesso que foi a \u00faltima pessoa que pensei que fosse me responder.\u00a0\n<\/p>\n<p>Ele foi muito sol\u00edcito: queria saber do projeto, receber minha visita. Foi uma carta direta, parecia que estava feliz e se disse &#8216;convertido&#8217;.\n<\/p>\n<p>Ele disse que minha carta chegou com prop\u00f3sito, como uma resposta de Deus para ele.\n<\/p>\n<p>Havia 10 anos que ningu\u00e9m o visitava. A fam\u00edlia dele sofreu muito por tudo o que aconteceu \u2014 e sofre at\u00e9 hoje. Eles s\u00e3o de uma zona rural empobrecida e n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de fazer visitas regulares. Cheguei a visit\u00e1-los algumas vezes e enviar recados do Francisco para a m\u00e3e e vice-versa.\n<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, foram mais de 50 cartas trocadas \u2014 e at\u00e9 hoje continuamos. O tema central dele \u00e9 espiritualidade, tanto \u00e9 que a primeira coisa que ele pediu para eu levar era uma B\u00edblia.\u00a0\n<\/p>\n<p>Morava em Portugal na \u00e9poca e minha irm\u00e3, em Taubat\u00e9, me ajudava a intermediar os envios das cartas porque era mais f\u00e1cil enviar por email para ela, que imprimia e entregava, do que enviar direto de Portugal.\n<\/p>\n<p>Ela tirava foto da resposta e me enviava. E foi assim nesses dois anos e meio.\n<\/p>\n<p>Nesse meio tempo, recorri a um psiquiatra, que me deu obras para ler sobre o tema \u2014e fui estudando ao longo do projeto. A ideia era que ele fizesse a assessoria dessa troca de correspond\u00eancias.\n<\/p>\n<p>Muitas vezes precisava da ajuda do psiquiatra para decodificar o que o Francisco dizia, porque o pensamento dele \u00e9 desorganizado. \u00c0s vezes, s\u00f3 escrevia sobre a B\u00edblia; outras vezes, perguntava, como todo recluso, quando eu iria v\u00ea-lo.\n<\/p>\n<p>Come\u00e7ava um assunto, terminava em outro: o que mais me chamava aten\u00e7\u00e3o era a desorganiza\u00e7\u00e3o do pensamento.\n<\/p>\n<p><strong>&#8216;Esperei um ano para a visita&#8217;<\/strong><br \/>Para visit\u00e1-lo, tive de esperar muito tempo. Poderia entrar com uma declara\u00e7\u00e3o de am\u00e1sia [que comprova v\u00ednculo afetivo], mas sempre deixei muito claro que queria autoriza\u00e7\u00e3o da minha visita explicando meu objetivo.\n<\/p>\n<p>Ele at\u00e9 queria que eu entrasse com am\u00e1sia, porque assim poderia estar em duas semanas l\u00e1 dentro, mas nunca quis dar essa expectativa.\n<\/p>\n<p>Acho que no in\u00edcio ele confundia um pouco as coisas. Ora me chamava de doutora, ora de meu amor, \u00e0s vezes me dava nomes como &#8216;bonequinha&#8217; ou chamava pelo meu nome. \u00c0s vezes, eram todos estes nomes na mesma carta.\n<\/p>\n<p>Ou seja, havia uma confus\u00e3o, mas fui deixando clara minha posi\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s esperar a norma de seis meses ap\u00f3s a inclus\u00e3o do meu nome na lista [de visitantes], tive de pedir ajuda a uma advogada para poder visit\u00e1-lo porque ainda n\u00e3o havia sido liberada.\n<\/p>\n<p>Esperei cerca de um ano para a primeira visita acontecer. N\u00e3o pensava muito sobre encontr\u00e1-lo, s\u00f3 pensava no pr\u00f3ximo passo. E, quando aconteceu, j\u00e1 t\u00ednhamos estabelecido um elo devido \u00e0s cartas.\n<\/p>\n<p><strong>&#8216;H\u00e1 manipula\u00e7\u00e3o e confus\u00e3o&#8217;<\/strong><br \/>Em abril de 2023, a ju\u00edza deu um parecer favor\u00e1vel para minha visita e consegui ir ao Brasil em maio daquele mesmo ano. Decidi me mudar para o Brasil em junho, para concluir o projeto, porque n\u00e3o conseguiria fazer de Lisboa.\n<\/p>\n<p>Estava preparada para isso porque estudei e segui um protocolo. A visita foi por parlat\u00f3rio, entre vidro e com um telefone. S\u00f3 tinha duas horas para estar com ele.\n<\/p>\n<p>Fui bem recebida e havia proximidade, mas a comunica\u00e7\u00e3o nunca \u00e9 f\u00e1cil porque sempre h\u00e1 manipula\u00e7\u00e3o e confus\u00e3o.\u00a0\n<\/p>\n<p>Com a proximidade, ele tamb\u00e9m demonstrava curiosidade e acabava falando da minha vida, com naturalidade. Queria saber como era minha vida em Portugal, o nome da minha filha. Sabia sobre minha fam\u00edlia, j\u00e1 que minha irm\u00e3 era quem me ajudava com as cartas, ent\u00e3o tinha de explicar minha conex\u00e3o com Taubat\u00e9.\n<\/p>\n<p>Sei da periculosidade dele e o vejo como um ser humano muito doente. E que n\u00e3o pode estar novamente em sociedade.\n<\/p>\n<p>Ele chegou a perguntar para mim uma vez como seria se ele fosse solto em 2028 [quando deve passar por uma reavalia\u00e7\u00e3o]. Francisco disse que, para ele, estava tudo bem se ele n\u00e3o fosse solto.\n<\/p>\n<p>Mas isso \u00e9 o que ele diz \u2014o que se passa na cabe\u00e7a dele nunca vamos saber de verdade.\n<\/p>\n<p><strong>&#8216;Press\u00e3o tremenda&#8217;<\/strong><br \/>Quando entrava na penitenci\u00e1ria, n\u00e3o podia levar nada, nem caneta. Nossas conversas eram sobre tudo, de forma muito org\u00e2nica. Mas, na hora de fazer o livro, entrei nas perguntas.\n<\/p>\n<p>Nessa fase, tinha de ser muito espec\u00edfica, porque ele nunca me falava os pormenores ou detalhes.\n<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, via que ele tinha necessidade de falar outras coisas e seguia com isso. Ou que desviava da pergunta e eu tinha de deix\u00e1-lo falar, para ent\u00e3o retom\u00e1-las.\n<\/p>\n<p>E \u00e0s vezes eu notava que ele n\u00e3o queria responder. Era not\u00f3rio. Mas eu tinha de fazer as perguntas. Era uma press\u00e3o tremenda.\n<\/p>\n<p>Na sa\u00edda da penitenci\u00e1ria, tinha um posto de gasolina, onde ficava por um tempo colocando tudo no papel, para n\u00e3o esquecer nada. Estava absorvida por aquele projeto.\n<\/p>\n<p>Nessa fase das perguntas, n\u00e3o posso dizer que as conversas n\u00e3o foram emocionalmente impactantes.\n<\/p>\n<p>A manipula\u00e7\u00e3o dele era n\u00edtida. Quando ele n\u00e3o concordava com algo, manipulava para as coisas serem como ele queria que fosse. Isso tanto nas respostas quanto no comportamento.<br \/>Simone Lopes Bravo\n<\/p>\n<p>Escrevi o livro e voltei para Portugal. N\u00e3o houve uma despedida formal e, mesmo que tivesse tempo para isso, n\u00e3o sei se faria, porque n\u00e3o sei como ele reagiria. A advogada que me ajudou a entrar na penitenci\u00e1ria foi quem avisou que eu estava retornando.\n<\/p>\n<p>&#8216;Plena no\u00e7\u00e3o de que \u00e9 doente&#8217;<br \/>Agora n\u00f3s nos escrevemos por cartas e quem faz a media\u00e7\u00e3o \u00e9 a advogada. Tenho plena no\u00e7\u00e3o de que ele \u00e9 uma pessoa doente, do mais grave n\u00edvel.\n<\/p>\n<p>E acho que as patologias mentais ainda s\u00e3o um tabu na sociedade e nosso sistema carcer\u00e1rio n\u00e3o est\u00e1 preparado para isso. A psiquiatria \u00e9 uma especialidade que ainda tem pouco investimento. Deveria ter um sistema voltado para esse tipo de recluso.&#8221;\n<\/p>\n<p>Fonte: UOL              <\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodobrasilnoticias.com.br\/noticia\/-o-que-descobri-ao-trocar-50-cartas-e-visitar-o-maniaco-do-parque-10-vezes-confira-672390fbf38ae\">Source link <\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Movida pela curiosidade, a fonoaudi\u00f3loga luso-brasileira Simone Lopes Bravo decidiu ouvir um dos mais temidos assassinos em s\u00e9rie do Brasil: Francisco de Assis Pereira, mais conhecido como o &#8220;man\u00edaco do&hellip;<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":53611,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"content-type":"","footnotes":""},"categories":[16],"tags":[123,2448,5313,1267],"class_list":["post-53610","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-brasil","tag-diario","tag-noticia","tag-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53610","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53610"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53610\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53612,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53610\/revisions\/53612"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53611"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53610"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53610"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53610"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}