{"id":54210,"date":"2024-11-02T16:13:31","date_gmt":"2024-11-02T16:13:31","guid":{"rendered":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/2024\/11\/02\/bolsa-familia-deveria-premiar-quem-consegue-trabalho-hoje-penaliza-diz-pesquisadora\/"},"modified":"2024-11-02T16:13:33","modified_gmt":"2024-11-02T16:13:33","slug":"bolsa-familia-deveria-premiar-quem-consegue-trabalho-hoje-penaliza-diz-pesquisadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/2024\/11\/02\/bolsa-familia-deveria-premiar-quem-consegue-trabalho-hoje-penaliza-diz-pesquisadora\/","title":{"rendered":"&#8216;Bolsa Fam\u00edlia deveria premiar quem consegue trabalho. Hoje, penaliza&#8217;, diz pesquisadora"},"content":{"rendered":"<p> <script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8864793242727901\"\r\n     crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<\/p>\n<div id=\"taboola-read-more\" style=\"display:block; width:100%\">\n<p>Hoje, 7,7% da popula\u00e7\u00e3o brasileira vivem com menos de R$ 300 por m\u00eas \u2014 ou seja, est\u00e3o abaixo da linha da pobreza definida pela Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), de rendimento familiar per capita abaixo de R$ 667.\n<\/p>\n<p>Neste grupo, 3,8 milh\u00f5es de pessoas est\u00e3o economicamente ativas: al\u00e9m de benefici\u00e1rias do programa Bolsa Fam\u00edlia, elas t\u00eam idade para trabalhar, apesar de algumas restri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Algumas delas chegam at\u00e9 a atuar informalmente no mercado, fazendo \u201cbicos\u201d, por exemplo, para aumentar a renda.\n<\/p>\n<p>Neste grupo, por\u00e9m, h\u00e1 2,5 milh\u00f5es de brasileiros \u2014 o tamanho da popula\u00e7\u00e3o de cidades como Salvador, na Bahia, ou Fortaleza, no Cear\u00e1 \u2014 vivendo um dilema social: eles est\u00e3o desempregados, querem um trabalho, mas n\u00e3o encontram.\n<\/p>\n<p>Enquanto isso, permanecem quase todos dependentes do Bolsa Fam\u00edlia.\n<\/p>\n<p>\u201cTemos que encontrar rapidamente solu\u00e7\u00f5es para eles\u201d, aponta a economista Laura Muller Machado, que coordena os cursos de gest\u00e3o p\u00fablica do Insper, em S\u00e3o Paulo, e que liderou a Secretaria de Desenvolvimento Social paulista por sete meses, em 2022, em entrevista \u00e0 BBC News Brasil.<br \/>Ao lado do tamb\u00e9m economista Ricardo Paes de Barros, tamb\u00e9m do Insper, Machado tem se dedicado n\u00e3o s\u00f3 a construir esse diagn\u00f3stico da pobreza no Brasil, como tamb\u00e9m a desenhar uma forma de resolver o problema.\n<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco mais de um ano, ambos publicaram o livro Diretrizes para o desenho de uma pol\u00edtica para a supera\u00e7\u00e3o da pobreza, pela editora do Insper, que condensa toda essa ideia.\n<\/p>\n<p>Ela funcionaria, sobretudo, pela atua\u00e7\u00e3o de milhares de agentes de desenvolvimento social j\u00e1 espalhados pelo pa\u00eds e que receberiam, agora, a tarefa de encontrar essas fam\u00edlias pobres, entender como elas podem se capacitar e quais trabalhos poderiam fazer e, ent\u00e3o, conect\u00e1-las \u00e0s vagas existentes nos locais em que vivem.\n<\/p>\n<p>Tudo depende, de um lado, do crescimento da economia brasileira e da consequente amplia\u00e7\u00e3o das oportunidades de emprego e, de outro, da intermedia\u00e7\u00e3o entre estas oportunidades e a m\u00e3o de obra dispon\u00edvel.\n<\/p>\n<p>\u201cUm match\u201d, diz ela, usando uma palavra comum ao universo digital.<br \/>Neste per\u00edodo, os pesquisadores t\u00eam se deparado com problemas complexos.\n<\/p>\n<p>Um deles \u00e9 o formato atual do Bolsa Fam\u00edlia que, nas palavras de Laura, \u201cest\u00e1 desincentivando que seus benefici\u00e1rios trabalhem\u201d.\n<\/p>\n<p>Isso porque o programa \u2014 que atende hoje 20,8 milh\u00f5es de fam\u00edlias com um montante m\u00e9dio mensal de R$ 682 \u2014 n\u00e3o tem mecanismos que fa\u00e7am a transi\u00e7\u00e3o entre simplesmente receber o dinheiro e incluir seus benefici\u00e1rios de alguma forma no mercado de trabalho.\n<\/p>\n<p>\u201cAo contr\u00e1rio: quando elas encontram emprego, s\u00e3o \u2018penalizadas\u2019 com a perda do benef\u00edcio\u201d, explica a economista \u00e0 BBC News Brasil.\n<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o s\u00f3: \u00e0s v\u00e9speras da elei\u00e7\u00e3o de 2022, al\u00e9m de reajustar o valor ofertado pelo programa \u2014 em uma grande reestrutura\u00e7\u00e3o que mudou seu nome para Aux\u00edlio Brasil e desidratou algumas pol\u00edticas paralelas ao desenho original \u2014, o ent\u00e3o presidente Jair Bolsonaro (PL) tamb\u00e9m mudou as regras de declara\u00e7\u00e3o, abrindo uma brecha para que benefici\u00e1rios se cadastrem individualmente e, ent\u00e3o, recebam o piso, que hoje \u00e9 de R$ 600.\n<\/p>\n<p>Com isso, algumas pesquisas t\u00eam indicado mudan\u00e7as estruturais, al\u00e9m de fraudes no escopo do Bolsa Fam\u00edlia, como o crescimento de benef\u00edcios duplicados dentro de uma mesma fam\u00edlia ou de benefici\u00e1rios homens solteiros, por exemplo.\n<\/p>\n<p>Relan\u00e7ado no come\u00e7o do ano passado, o or\u00e7amento do Bolsa Fam\u00edlia somou R$ 168,6 bilh\u00f5es em 2024.\n<\/p>\n<p>Para participar do programa hoje, \u00e9 preciso comprovar renda mensal m\u00e9dia abaixo de R$ 282, al\u00e9m de uma s\u00e9rie de condicionantes para fam\u00edlias com filhos.\n<\/p>\n<p>Para Machado, al\u00e9m de rever o desenho do Bolsa Fam\u00edlia, \u00e9 preciso incluir logo essas 2,5 milh\u00f5es de pessoas de alguma forma no mercado de trabalho, mesmo com desafios como a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho e a alta rotatividade das vagas.\n<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o para isso, na vis\u00e3o dela, \u00e9 manter o programa como renda enquanto as pessoas trabalham \u2013 e, mais do que isso, elevar pontualmente o valor do benef\u00edcio at\u00e9 que seu or\u00e7amento dom\u00e9stico se estabilize.\n<\/p>\n<p>&#8220;O Bolsa Fam\u00edlia \u00e9 o respons\u00e1vel pelas grandes redu\u00e7\u00f5es de pobreza do pa\u00eds. \u00c9 a coroa brasileira, nosso maior instrumento de pol\u00edtica social, mas que n\u00e3o pode ser blindado de mudan\u00e7as necess\u00e1rias&#8221;, diz a economista.\n<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; O Brasil tem hoje uma das taxas de desemprego mais baixas da sua hist\u00f3ria. Por que o mercado de trabalho t\u00e3o aquecido n\u00e3o est\u00e1 atingindo as camadas mais pobres?<\/strong>\n<\/p>\n<p>Laura Machado &#8211; Temos somente hip\u00f3teses. A primeira \u00e9 sobre o sal\u00e1rio reserva brasileiro de hoje. Toda vez que se concede um benef\u00edcio como o Bolsa Fam\u00edlia, o sal\u00e1rio reserva das pessoas sobe. Isso significa que elas s\u00f3 topam trabalhar a partir de um certo valor \u2014 que, hoje, s\u00e3o pelo menos os R$ 600 do programa. N\u00e3o faz sentido trabalhar por menos do que isso. O sal\u00e1rio inicial para que algu\u00e9m aceite trabalhar precisa ser, pelo menos, maior que esse montante. Esse \u00e9 um fen\u00f4meno positivo da economia. N\u00e3o \u00e9 ruim.\n<\/p>\n<p>A segunda hip\u00f3tese \u00e9 sobre a transi\u00e7\u00e3o truncada do Bolsa Fam\u00edlia para o mercado de trabalho. O programa deveria funcionar premiando os benefici\u00e1rios que conseguem um emprego, at\u00e9 porque essa tem sido uma tarefa quase imposs\u00edvel para eles. A taxa de ocupa\u00e7\u00e3o dessa parte da popula\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 min\u00fascula. Quem est\u00e1 no Bolsa Fam\u00edlia e alcan\u00e7a um trabalho \u00e9 um her\u00f3i. Essa pessoa deveria receber um programa de transi\u00e7\u00e3o como pr\u00eamio, n\u00e3o a retirada total do benef\u00edcio. Do jeito que est\u00e1, h\u00e1 apenas desincentivo ao trabalho.\n<\/p>\n<p>Tudo isso sem contar os choques tecnol\u00f3gicos. O mundo do trabalho mudou muito nos \u00faltimos tempos, e as pessoas parecem inaptas a ele. Precisamos de programas que, em paralelo, fa\u00e7am uma requalifica\u00e7\u00e3o delas.\n<\/p>\n<p>BBC News Brasil &#8211; Como funcionaria essa &#8220;premia\u00e7\u00e3o&#8221; dentro do Bolsa Fam\u00edlia? Qual deveria ser o tempo para uma pessoa ficar paralelamente nos dois programas?\n<\/p>\n<p>Machado &#8211; Existem algumas propostas. Nossa ideia \u00e9 que essa pessoa receba um valor at\u00e9 maior do Bolsa Fam\u00edlia no momento inicial [ap\u00f3s conseguir um emprego]. Esse montante deve ficar est\u00e1vel at\u00e9 que ela ganhe seguran\u00e7a no trabalho. Ent\u00e3o, a partir de certo momento, o valor come\u00e7a a cair gradualmente, de forma que ela v\u00e1 se adaptando \u00e0 nova realidade e progredindo no trabalho.\n<\/p>\n<p>Essa transi\u00e7\u00e3o pode durar 24 meses, por exemplo: seis meses com o pr\u00eamio e, depois, com uma redu\u00e7\u00e3o de 5% por m\u00eas do Bolsa Fam\u00edlia at\u00e9 o processo acabar. Se ela perder o emprego, o benef\u00edcio volta como era no in\u00edcio.\n<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; H\u00e1 um dado muito utilizado que mostra como a taxa de ocupa\u00e7\u00e3o entre os 10% mais pobres do Brasil caiu (de 49% em 2005 para 25% em 2023, segundo o IBGE). Voc\u00ea tem chamado isso de \u201cnova cara da pobreza brasileira\u201d. O que houve?<\/strong>\n<\/p>\n<p>Machado &#8211; Quando uma fam\u00edlia cai em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, qualquer pol\u00edtica de assist\u00eancia e desenvolvimento social precisa atend\u00ea-la, porque n\u00e3o queremos que ningu\u00e9m passe fome. Ent\u00e3o, ela recebe uma primeira assist\u00eancia e, depois, deveria ser realocada no mercado de trabalho. Se isso tivesse funcionado desse jeito sempre no Brasil, a pobreza n\u00e3o teria mudado de cara. Algo falhou.\n<\/p>\n<p>No intervalo desse dado, o Bolsa Fam\u00edlia, como programa de assist\u00eancia social, tamb\u00e9m mudou. No desenho anterior, o benef\u00edcio era pago per capita, enquanto hoje ele incentiva que as pessoas o declarem erroneamente. \u00c9 um problema do cadastro e do pr\u00f3prio programa, cujo efeito foi desincentivar quem est\u00e1 nele de procurar trabalho.\n<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o houve, nesse per\u00edodo, um programa de reinser\u00e7\u00e3o das pessoas que est\u00e3o no Bolsa Fam\u00edlia. \u00c9 exatamente isso que estamos propondo agora. Por enquanto, o pa\u00eds continua com um programa de transfer\u00eancia de renda que, ao contr\u00e1rio, penaliza o pobre quando ele arruma um trabalho.\n<\/p>\n<p>Pior do que isso: n\u00e3o o ajuda a se incluir produtivamente enquanto ele est\u00e1 desempregado. Essa perspectiva \u00e9 clara: vai piorar. Desses dois bra\u00e7os, um n\u00e3o funciona muito bem e o outro est\u00e1 totalmente sem proposta. N\u00e3o apareceu nada para ocupar o lugar do Brasil Sem Mis\u00e9ria, por exemplo.\n<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; Mas os pobres de antes, que trabalhavam, mas ganhavam pouco, n\u00e3o fariam parte desse grupo de extrema pobreza agora?<\/strong>\n<\/p>\n<p>Machado &#8211; De fato, tinha muita gente trabalhando e em condi\u00e7\u00e3o de pobreza consider\u00e1vel.\n<\/p>\n<p>BBC News Brasil &#8211; Ent\u00e3o, o quanto incluir essas pessoas n\u00e3o seria coloc\u00e1-las de novo naquele perfil da pobreza anterior, trabalhando e ainda assim, muito pobres?\n<\/p>\n<p>Machado &#8211; \u00c9 que, no passado, o Bolsa Fam\u00edlia entregava um valor de R$ 89. Depois ele foi subindo: primeiro para R$ 104, depois, na pandemia, para R$ 400 e, ent\u00e3o, para R$ 600. Agora est\u00e1 do jeito que est\u00e1. N\u00e3o significa dar um passo para tr\u00e1s, porque \u00e9 \u00f3timo que a gente tenha um programa que entrega esse sal\u00e1rio reserva [de R$ 600].\n<\/p>\n<p>Estamos apontando agora para um desenho de transi\u00e7\u00e3o dele ao mercado de trabalho. Naquele momento, o Bolsa Fam\u00edlia era muito pequeno, est\u00e1vamos tentando ajudar essas pessoas a gerar renda via arranjo produtivo ou inclus\u00e3o de outro tipo. Hoje, o foco \u00e9 manter o benef\u00edcio que elas j\u00e1 possuem e, ao mesmo tempo, entreg\u00e1-las para uma atividade produtiva.\n<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; Quem gera vagas de emprego no Brasil costuma reclamar da falta de qualifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra. Como convencer estas pessoas a contratar quem hoje, al\u00e9m desse problema, ainda est\u00e1 na pobreza extrema?<\/strong>\n<\/p>\n<p>Machado &#8211; \u00c9 que elas n\u00e3o deveriam ser convencidas. Precisamos de um programa que coloca as pessoas mais pobres em condi\u00e7\u00e3o de competir por essas vagas. O setor privado n\u00e3o deveria contratar trabalhadores menos eficientes ou desinteressantes para ele. N\u00e3o se trata de uma concess\u00e3o, de uma cota para essa popula\u00e7\u00e3o, mas que ela seja fortalecida em termos da sua capacidade de trabalho.\n<\/p>\n<p>De um lado, o mercado produz, gera riqueza e abre vagas de emprego e, do outro lado \u2014 onde a m\u00e3o invis\u00edvel n\u00e3o funciona \u2014 tem que ter algu\u00e9m intermediando as condi\u00e7\u00f5es de ocupar esses postos de trabalho. \u00c9 \u00f3bvio que, se eles ofertarem um sal\u00e1rio p\u00edfio, n\u00e3o ser\u00e3o ocupados. Mas a\u00ed \u00e9 outro problema.\n<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; Quais trabalhos essas pessoas poderiam fazer, levando em conta, ainda, o desafio da qualifica\u00e7\u00e3o?<\/strong>\n<\/p>\n<p>Machado &#8211; A ideia de um programa de supera\u00e7\u00e3o de pobreza e de inclus\u00e3o pela via do trabalho \u00e9 fazer um casamento entre as voca\u00e7\u00f5es das fam\u00edlias mais pobres com as oportunidades que o territ\u00f3rio onde elas vivem oferta. Essas vagas n\u00e3o s\u00e3o pr\u00e9-determinadas.\n<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed que est\u00e1, inclusive, a import\u00e2ncia dos agentes de desenvolvimento social no desenho: s\u00e3o pessoas preparadas para conversar com as fam\u00edlias, explorar as oportunidades de trabalho que elas entendem que cabem a elas, considerando o que elas sabem e gostam de fazer, e fazer esse casamento.\n<\/p>\n<p>Isso vai dar um monte de possibilidades, porque \u00e9 comum achar que pobres n\u00e3o t\u00eam uma atividade laboral, quando, na verdade, eles t\u00eam. Ela s\u00f3 est\u00e1 enfraquecida. H\u00e1 at\u00e9 alguns exemplos disso no Brasil.\n<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; Quais?<\/strong>\n<\/p>\n<p>Machado &#8211; Em Minas Gerais, por exemplo, houve um projeto que notou como a maior vontade de um grupo grande de mulheres desempregadas e com filhos era encontrar emprego, mas com alguns requisitos: que fosse pr\u00f3ximo de casa, com flexibilidade de hor\u00e1rios e sem uma grande demanda f\u00edsica.\n<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, descobriram que elas eram boas para trabalhos internos na constru\u00e7\u00e3o civil, como fazer rejunte, colocar revestimento, instalar piso, essas coisas. O setor topou se adaptar aos hor\u00e1rios das escolas dos filhos delas e, ent\u00e3o, criou um programa de forma\u00e7\u00e3o que deu certo: muitas dessas mulheres foram, de fato, trabalhar na constru\u00e7\u00e3o civil depois.\n<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; Mas como funcionaria em cidades onde h\u00e1 menos vagas no mercado de trabalho do que a oferta local de m\u00e3o de obra?<\/strong>\n<\/p>\n<p>Machado &#8211; Esse casamento vai ser f\u00e1cil em alguns lugares, mas dif\u00edcil em outros. Alguns lugares n\u00e3o ter\u00e3o oferta de emprego e, neles, ser\u00e1 necess\u00e1rio fazer arranjos produtivos locais.\n<\/p>\n<p>O mel produzido na zona rural do Piau\u00ed \u00e9 um exemplo. O governo resolveu ajudar um conjunto de fam\u00edlias pobres que produziam mel em uma \u00e1rea rural do Estado fortalecendo suas cadeias produtivas e ofertando meios delas finalizarem o produto.\n<\/p>\n<p>Da\u00ed se estabeleceu um arranjo produtivo por meio de uma cooperativa capaz de fortalecer a marca do mel, certificar a sua qualidade, vend\u00ea-lo em locais com mais demanda. No final, ele se valorizou. Hoje, tem uma embalagem, uma marca, um marketing e ele \u00e9 vendido em locais onde o pre\u00e7o \u00e9 mais alto.\n<\/p>\n<p>Veja bem: para aquelas fam\u00edlias, o of\u00edcio \u00e9 o mesmo, mas, agora, a comercializa\u00e7\u00e3o est\u00e1 fortalecida. Isso demonstra a import\u00e2ncia desse projeto acontecer da fam\u00edlia para fora e n\u00e3o o contr\u00e1rio.\n<\/p>\n<p>Tem ainda o exemplo do Rio Grande do Sul, onde uma s\u00e9rie de produtores de azeite entrou em um programa chamado Pr\u00f3-Oliva \u2014 que hoje est\u00e1 at\u00e9 presente na lei ga\u00facha.\n<\/p>\n<p>Era um produto comercializado por pre\u00e7os abaixo das marcas comuns do mercado. Da\u00ed o governo o colocou para competir no exterior, ganhou um monte de pr\u00eamios, e ele come\u00e7ou a ser vendido em uma lojinha em Gramado com o selo dos reconhecimentos. Pronto: aquelas fam\u00edlias pobres passaram a vender o azeite pelo triplo do pre\u00e7o anterior e sa\u00edram da condi\u00e7\u00e3o de pobreza em que estavam.\n<\/p>\n<p>Todos esses exemplos s\u00e3o importantes para entender a ideia: as mulheres de Minas precisaram se adequar a um novo of\u00edcio, na constru\u00e7\u00e3o civil, enquanto os produtores pobres que faziam mel no Piau\u00ed ou azeite no Rio Grande do Sul mudaram de situa\u00e7\u00e3o por meio da comercializa\u00e7\u00e3o do produto deles.\n<\/p>\n<p>S\u00e3o demandas diferentes, mas que funcionaram. Veja: a l\u00f3gica do projeto \u00e9 semelhante \u00e0 do m\u00e9dico que fala com o paciente, identifica o problema e monta um tratamento individual para ele.\n<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; Mas nem todas essas pessoas est\u00e3o produzindo algo. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma s\u00e9rie de cr\u00edticas \u00e0 ideia do empreendedorismo. Como voc\u00eas observam isso dentro desse escopo?<\/strong>\n<\/p>\n<p>Machado &#8211; Nesses exemplos que dei, ofertar cursos de empreendedorismo \u2014 o que \u00e9 muito comum, ali\u00e1s \u2014 n\u00e3o iria resolver o problema. \u00c9 entender que empreender \u00e9 uma \u00f3tima ideia, mas que n\u00e3o serve para todos.\n<\/p>\n<p>Isso refor\u00e7a como tudo come\u00e7a identificando a voca\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias e fazendo o casamento dela com o territ\u00f3rio, que tamb\u00e9m tem suas voca\u00e7\u00f5es. Se acontecer, \u00f3timo.\n<\/p>\n<p>N\u00e3o d\u00e1 para achar que existe um \u00fanico rem\u00e9dio para todas as doen\u00e7as \u2014 neste caso, que todos os pobres nessa situa\u00e7\u00e3o querem s\u00f3 empreender. \u00c9 um canal que precisa estar aberto e, que, para mim, parece at\u00e9 atrativo.\n<\/p>\n<p>Tem dados qualitativos que mostram at\u00e9 uma empolga\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias com o empreendedorismo, apesar de certo medo com a aposentadoria.\n<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; Como lidar com a possibilidade do emprego que surgir desse casamento entre voca\u00e7\u00f5es terminar colocando a pessoa em uma situa\u00e7\u00e3o de precariedade?<\/strong>\n<\/p>\n<p>Machado &#8211; Temos legisla\u00e7\u00f5es e \u00f3rg\u00e3os de controle que acompanham isso. Mas, se a gente olhar, essa n\u00e3o \u00e9 uma realidade apenas dos 10% mais pobres, mas de 40% da for\u00e7a de trabalho que est\u00e1 no mercado informal. Todas essas pessoas est\u00e3o mais suscet\u00edveis a serem precarizadas do que os trabalhadores formais.\n<\/p>\n<p>Claro que seria preciso um esfor\u00e7o ainda maior para checar as situa\u00e7\u00f5es \u00e0s quais as pessoas do projeto estariam sujeitas depois de empregadas, mas h\u00e1 uma s\u00e9rie de normas, canais de den\u00fancia, um sistema judici\u00e1rio com condi\u00e7\u00f5es de averiguar, ainda que n\u00e3o com tanta rapidez.\n<\/p>\n<p>Sem contar, novamente, a import\u00e2ncia do agente de desenvolvimento social em entender a voca\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, ajud\u00e1-la a se alocar no mercado e fazer uma boa intermedia\u00e7\u00e3o daquela m\u00e3o de obra, para que aquelas pessoas acessem os setores produtivos de forma digna.\n<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; E o desafio da rotatividade? O mercado de trabalho brasileiro, principalmente empregos de sal\u00e1rios mais baixos, tem uma alta circula\u00e7\u00e3o de trabalhadores pelas vagas. Como seria no caso dos mais pobres?<\/strong>\n<\/p>\n<p>Machado &#8211; H\u00e1 algum tempo, em uma conversa com o Mart\u00edn Burt [presidente da Fundaci\u00f3n Paraguaya], que foi prefeito de Assun\u00e7\u00e3o, no Paraguai, ele me disse algo que n\u00e3o esqueci: qualquer programa de supera\u00e7\u00e3o de pobreza n\u00e3o vai resolver todos os problemas das pessoas mais pobres, mas vai tir\u00e1-las daquela situa\u00e7\u00e3o e jog\u00e1-las no mundo dos problemas comuns das \u201cclasses m\u00e9dias\u201d.\n<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um bom exemplo: a rotatividade tamb\u00e9m \u00e9 um desafio que assola toda a for\u00e7a de trabalho brasileira. Uma vez inclu\u00eddas em um mundo onde t\u00eam renda, essas pessoas ainda estar\u00e3o sujeitas a problemas de todos n\u00f3s \u2014 baixas atualiza\u00e7\u00f5es salariais, alta rotatividade, a possibilidade de ser demitido e ter que encontrar outra vaga, etc. Tudo como parte de um mundo novo. Elas v\u00e3o precisar ser acompanhadas e orientadas para lidar com quest\u00f5es com essas.\n<\/p>\n<p>Em um momento de crescimento econ\u00f4mico como o de agora, o fundamental \u00e9 que a intermedia\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra seja bem realizada, um prestador de servi\u00e7o fortalecido que conhe\u00e7a as vagas existentes no lugar, saiba quem est\u00e1 buscando por trabalho e consiga fazer esse match acontecer.\n<\/p>\n<p>BBC News Brasil &#8211; \u00c9 que, no caso desses mais pobres, se eles perdem o trabalho, voltam para aquela condi\u00e7\u00e3o de pobreza extrema de antes. Podem at\u00e9 ficar sem o Bolsa Fam\u00edlia.\n<\/p>\n<p>Machado &#8211; Isso pode acontecer com todo mundo. Voc\u00ea est\u00e1 trabalhando, da\u00ed perde o emprego e cai em uma situa\u00e7\u00e3o extrema. Precisa se adequar e voltar [ao mercado de trabalho]. A pobreza \u00e9 c\u00edclica: ela roda, troca de lugar, novos bols\u00f5es nascem, outros terminam&#8230; \u00c9 dif\u00edcil que isso seja absolutamente erradicado.\n<\/p>\n<p>Qualquer pol\u00edtica de supera\u00e7\u00e3o da pobreza deve ficar monitorando, readequando, reinserindo constantemente as pessoas. N\u00e3o se trata de uma pol\u00edtica de desenvolvimento econ\u00f4mico, que faz o pa\u00eds crescer e produzir, mas de um servi\u00e7o que acopla os mais pobres de volta ao mercado de trabalho. Essa din\u00e2mica precisa ser permanente.\n<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; Pensando ainda no contexto de informalidade, d\u00e1 para saber que atividade laboral essas pessoas t\u00eam hoje?<\/strong>\n<\/p>\n<p>Machado &#8211; Se uma pessoa no Bolsa Fam\u00edlia tem atividade com renda acima da linha do programa, perde o benef\u00edcio. Ent\u00e3o, n\u00e3o d\u00e1 para saber. Pode ser que a maioria delas n\u00e3o esteja trabalhando absolutamente ou que parte delas esteja fazendo algo n\u00e3o declarado. Provavelmente as duas coisas estejam acontecendo, mas n\u00e3o sabemos o tamanho disso.\n<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; \u00c9 dif\u00edcil mapear?<\/strong>\n<\/p>\n<p>Machado &#8211; \u00c9 que o \u201cimposto\u201d que existe para a fam\u00edlia que declara corretamente \u00e9 muito alto. Em vez de premiar as pessoas porque elas conseguiram um emprego, o pa\u00eds apenas retira o recurso.\n<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; O que falta para essa ideia sair do papel?<\/strong>\n<\/p>\n<p>Machado &#8211; Ela precisa ser uma pol\u00edtica p\u00fablica sem necessariamente ter execu\u00e7\u00e3o governamental. \u00c9 curioso que a gente j\u00e1 tenha tido algo assim: o Brasil Sem Mis\u00e9ria, criado no governo da presidente Dilma Rousseff. Ela quis, desenhou, escreveu, tem um livro enorme j\u00e1 pronto. \u00c9 s\u00f3 peg\u00e1-lo, atualiz\u00e1-lo \u2014 porque o mundo mudou de l\u00e1 para c\u00e1 \u2014 e faz\u00ea-lo funcionar outra vez. Precisa decidir fazer.\n<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; E por que o Brasil Sem Mis\u00e9ria n\u00e3o deu certo?<\/strong>\n<\/p>\n<p>Machado &#8211; O desenho dele era muito bom, mas sumiu do mapa em 2016, depois que a Dilma deixou o cargo. N\u00e3o sabemos muito bem o motivo \u2014 e tampouco porque ele n\u00e3o volta. Eu realmente n\u00e3o sei por que esse governo n\u00e3o faz, j\u00e1 que foi do [partido do] presidente atual que saiu o programa.\n<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; Se n\u00e3o \u00e9 uma execu\u00e7\u00e3o governamental, quem poderia faz\u00ea-lo acontecer?<\/strong>\n<\/p>\n<p>Machado &#8211; No nosso desenho, o agente de desenvolvimento da fam\u00edlia chegaria com a demanda da mesma forma que o m\u00e9dico: \u201co diagn\u00f3stico \u00e9 esse e o paciente precisa disso\u201d. A\u00ed precisar\u00edamos de um &#8220;hospital&#8221; para atend\u00ea-las. Ali estaria a intermedia\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra, em que o setor privado atua melhor do que o Estado. Precisar\u00edamos de programas de qualifica\u00e7\u00e3o profissional que, da mesma forma, o mercado privado tem melhores.\n<\/p>\n<p>Vamos precisar tamb\u00e9m de um sistema de sa\u00fade \u2014 e da\u00ed j\u00e1 temos o SUS. Temos ainda a necessidade de educa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, que o Centro Paula Souza, em S\u00e3o Paulo, oferece, por exemplo. Seria um portf\u00f3lio com todos os motivos pelos quais aquelas fam\u00edlias est\u00e3o exclu\u00eddas do mercado. Comercializa\u00e7\u00e3o, intermedia\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra, problemas de sa\u00fade, qualifica\u00e7\u00e3o profissional, creche para quem tem filhos&#8230;\n<\/p>\n<p>Enfim, \u00e9 tarefa para todo mundo. \u00c9 por isso que se trata de um grande programa de articula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que, a\u00ed sim, deve ser feito pelo poder p\u00fablico. Mas ele n\u00e3o precisa executar. Tem coisas que o setor privado \u00e9 mais \u00e1gil.\n<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; Voc\u00ea apontava alguns problemas no Bolsa Fam\u00edlia. Quais ajustes precisam ser feitos no programa?<\/strong>\n<\/p>\n<p>Machado &#8211; O Bolsa Fam\u00edlia \u00e9 o respons\u00e1vel pelas grandes redu\u00e7\u00f5es de pobreza do pa\u00eds. \u00c9 a coroa brasileira, nosso maior instrumento de pol\u00edtica social, mas que n\u00e3o pode ser blindado de mudan\u00e7as necess\u00e1rias. O desenho per capita do benef\u00edcio, por exemplo, era infinitamente melhor, porque incentivava as fam\u00edlias a declararem sua renda corretamente.\n<\/p>\n<p>Sem contar que, do jeito que est\u00e1, por exemplo, um casal sem filhos tem uma renda per capita de R$ 300, enquanto quem tem um \u00fanico filho possui renda per capita menor, de R$ 250. Isso \u00e9 injusto. N\u00e3o tem nenhum benef\u00edcio para a primeira inf\u00e2ncia. Pior ainda: se o casal sem filhos se declarar como casal, ganhar\u00e1 o valor de R$ 600, mas, se cada um se declarar sozinho \u2014 e d\u00e1 para fazer isso \u2014, ent\u00e3o cada adulto receber\u00e1 R$ 600.\n<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; Dobra o valor dentro da mesma casa. Isso est\u00e1 acontecendo?<\/strong>\n<\/p>\n<p>Machado &#8211; Sim. Antes o benefici\u00e1rio declarava a sua fam\u00edlia e o programa dividia o n\u00famero de membros dela pelo valor transferido. Um casal, por exemplo, recebia duas vezes o valor dessa divis\u00e3o. Se fosse uma pessoa s\u00f3, receberia o montante individual a partir desse mesmo c\u00e1lculo.\n<\/p>\n<p>Ou seja: dava na mesma se declarar como fam\u00edlia ou individualmente. As pessoas, ent\u00e3o, declaravam corretamente. Hoje o Bolsa Fam\u00edlia incentiva que se declare errado \u2014 e, como \u00e9 consenso na economia, as pessoas respondem a incentivos.\n<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que o desenho do programa precisa voltar a ser per capita. Se a declara\u00e7\u00e3o est\u00e1 errada, ent\u00e3o, todas as tarifas sociais embutidas no Cadastro \u00danico, o [programa] P\u00e9-de-Meia, o Minha Casa, Minha Vida, tudo tamb\u00e9m est\u00e1 errado. N\u00f3s gostar\u00edamos mesmo que o Bolsa Fam\u00edlia fosse grande, que a rede de prote\u00e7\u00e3o dele fosse alta. Isso n\u00e3o \u00e9 ruim. Ele s\u00f3 precisa voltar a ser per capita e ter um desenho de transi\u00e7\u00e3o que incentive as pessoas a trabalharem.\n<\/p>\n<p><strong>BBC News Brasil &#8211; Sem uma inclus\u00e3o produtiva efetiva e com esses problemas atuais do Bolsa Fam\u00edlia, o que pode se esperar do futuro?<\/strong>\n<\/p>\n<p>Machado &#8211; Nesses \u00faltimos 20 anos,aconteceram duas coisas importantes de observar. Uma \u00e9 que a popula\u00e7\u00e3o mais pobre foi totalmente exclu\u00edda do mercado de trabalho. A outra \u00e9 que, em paralelo, cresceu a discuss\u00e3o sobre a primeira inf\u00e2ncia, e mais especificamente sobre como cuidar dos filhos dessas fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel. Isso n\u00e3o existia antes.\n<\/p>\n<p>A nossa perspectiva \u00e9 que, se os programas de primeira inf\u00e2ncia funcionarem bem agora, as crian\u00e7as ter\u00e3o um futuro. Os pais n\u00f3s n\u00e3o sabemos, porque \u00e9 dif\u00edcil cuidar de uma crian\u00e7a com os cuidadores em desalento, mas j\u00e1 ser\u00e1 uma cria\u00e7\u00e3o diferente daquela do passado.\n<\/p>\n<p>Eu costumo ser otimista. Acho que \u00e9 s\u00f3 a gente decidir fazer que, ent\u00e3o, engatamos as coisas e revertemos a situa\u00e7\u00e3o atual. Por ora, infelizmente, ainda n\u00e3o aconteceu.\n<\/p>\n<p>Fonte: g1              <\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodobrasilnoticias.com.br\/noticia\/-bolsa-familia-deveria-premiar-quem-consegue-trabalho-hoje-penaliza-diz-pesquisadora-672633b681352\">Source link <\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, 7,7% da popula\u00e7\u00e3o brasileira vivem com menos de R$ 300 por m\u00eas \u2014 ou seja, est\u00e3o abaixo da linha da pobreza definida pela Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), de rendimento&hellip;<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":54211,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"content-type":"","footnotes":""},"categories":[16],"tags":[123,2448,5313,1267],"class_list":["post-54210","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-brasil","tag-diario","tag-noticia","tag-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54210","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54210"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54210\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54212,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54210\/revisions\/54212"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54211"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54210"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54210"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54210"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}