{"id":75459,"date":"2024-12-12T21:38:04","date_gmt":"2024-12-12T21:38:04","guid":{"rendered":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/2024\/12\/12\/guerra-do-paraguai-160-anos-descobertas-que-desafiam-o-que-a-escola-ensinou-sobre-o-conflito-sangrento\/"},"modified":"2024-12-12T21:38:06","modified_gmt":"2024-12-12T21:38:06","slug":"guerra-do-paraguai-160-anos-descobertas-que-desafiam-o-que-a-escola-ensinou-sobre-o-conflito-sangrento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/2024\/12\/12\/guerra-do-paraguai-160-anos-descobertas-que-desafiam-o-que-a-escola-ensinou-sobre-o-conflito-sangrento\/","title":{"rendered":"Guerra do Paraguai, 160 anos: descobertas que desafiam o que a escola ensinou sobre o conflito sangrento"},"content":{"rendered":"<p> <script async src=\"https:\/\/pagead2.googlesyndication.com\/pagead\/js\/adsbygoogle.js?client=ca-pub-8864793242727901\"\r\n     crossorigin=\"anonymous\"><\/script><br \/>\n<\/p>\n<div id=\"taboola-read-more\" style=\"display:block; width:100%\">\n<p>Ao longo de pelo menos duas d\u00e9cadas, a maior parte dos estudantes brasileiros aprendeu uma hist\u00f3ria errada sobre a Guerra do Paraguai, o maior e mais sangrento conflito armado internacional j\u00e1 ocorrido na Am\u00e9rica Latina.\n<\/p>\n<p>A vers\u00e3o mais contada pelos professores de Hist\u00f3ria era aquela popularizada pelos ide\u00f3logos de esquerda que faziam oposi\u00e7\u00e3o ao regime militar que comandou o Brasil durante a ditadura, de 1964 a 1985. Com foco em uma avers\u00e3o ao imperialismo estrangeiro e qualquer interfer\u00eancia das grandes pot\u00eancias nos destinos sul-americanos, vendia-se a narrativa de que o conflito do s\u00e9culo 19 havia sido causado, financiado e indiretamente capitaneado pela Gr\u00e3-Bretanha.<\/p>\n<p>Nessa hist\u00f3ria, o Paraguai ascendia como um pa\u00eds que caminhava para ser considerado desenvolvido, com industrializa\u00e7\u00e3o, justi\u00e7a social e uma produ\u00e7\u00e3o de riquezas sem igual, de forma independente, configurando assim uma exce\u00e7\u00e3o naquele contexto de novos pa\u00edses americanos que estavam conseguindo autonomia frente aos colonizadores a pre\u00e7o de uma depend\u00eancia econ\u00f4mica de na\u00e7\u00f5es ricas.\n<\/p>\n<p>Vendo-se amea\u00e7ados por aquele paisinho que se tornaria um concorrente de sua influ\u00eancia, sobretudo no Brasil e na Argentina, os ingleses despejaram dinheiro e refor\u00e7os b\u00e9licos. O resultado: um massacre que teria condenado ao Paraguai \u00e0 pobreza e ao subdesenvolvimento. Fim do sonho sul-americano.\n<\/p>\n<p>&#8220;Onde est\u00e1 qualquer documento que prove que foi a Inglaterra? N\u00e3o existe um documento oficial, n\u00e3o existe nada que mostre que o governo ingl\u00eas tinha interesse em fazer uma guerra na regi\u00e3o&#8221;, diz o historiador Francisco Doratioto, professor aposentado da Universidade de Bras\u00edlia (UnB). O especialista concedeu entrevista \u00e0 BBC News Brasil na manh\u00e3 de ter\u00e7a-feira (10\/12).\n<\/p>\n<p>A vis\u00e3o contempor\u00e2nea que se tem do conflito, deflagrado oficialmente com a declara\u00e7\u00e3o de guerra do Paraguai ao Brasil em 13 de dezembro de 1864, v\u00e9spera da invas\u00e3o das for\u00e7as do pa\u00eds vizinho \u00e0 ent\u00e3o prov\u00edncia do Mato Grosso, \u00e9 aquela que foi constru\u00edda por historiadores como Doratioto depois de minuciosa pesquisa em documentos hist\u00f3ricos paraguaios, brasileiros, argentinos, uruguaios e ingleses.\n<\/p>\n<p>Em 2002, o historiador lan\u00e7ou seu mais conhecido livro: Maldita Guerra: Nova Hist\u00f3ria da Guerra do Paraguai, consolidando-se como autoridade no tema. Outros estudiosos que foram reconhecidos pela reescrita da hist\u00f3ria dessa guerra foram os historiadores Ricardo Salles (1950-2021) e, de forma pioneira, Moniz Bandeira (1935-2017).\n<\/p>\n<p>A Guerra do Paraguai durou de dezembro de 1864 a mar\u00e7o de 1870. De um lado estava a pequena Rep\u00fablica do Paraguai, com cerca de 400 mil habitantes. De outro, a Tr\u00edplice Alian\u00e7a formada por Brasil, Argentina e Uruguai \u2014 juntos, somavam pouco mais de 11 milh\u00f5es de habitantes.\n<\/p>\n<p>O resultado foi arrasador. Calcula-se que a popula\u00e7\u00e3o paraguaia tenha se reduzido para menos de 190 mil pessoas. &#8220;90% dos homens morreram&#8221;, afirma Doratioto. &#8220;Do sexo masculino, sobraram apenas idosos e crian\u00e7as.&#8221;\n<\/p>\n<p><strong>Guerra de vers\u00f5es<\/strong>\n<\/p>\n<p>Doratioto explica que a vers\u00e3o outrora ensinada no Brasil acabou se tornando a mais conhecida e difundida no pa\u00eds, sobretudo por conta da ditadura militar. E seu registro mais popular foi o livro Genoc\u00eddio Americano: A Guerra do Paraguai, publicado em 1979, de autoria do jornalista J\u00falio Jos\u00e9 Chiavenato.\n<\/p>\n<p>&#8220;Ele n\u00e3o \u00e9 historiador e comete erros de metodologia que qualquer aluno de gradua\u00e7\u00e3o [se o fizesse] n\u00e3o seria aprovado na mat\u00e9ria&#8221;, aponta Doratioto. &#8220;Mas tem o grande m\u00e9rito de reviver o tema que estava abandonado pelos historiadores e por militares que vinham com uma vis\u00e3o ufanista e oficial da guerra.&#8221;\n<\/p>\n<p>Nessa obra, nota-se que o autor tenta passar sua indigna\u00e7\u00e3o pelas crueldades cometidas pela guerra. &#8220;Ele vai pelos cora\u00e7\u00f5es e ganha pela emo\u00e7\u00e3o&#8221;, analisa Doratioto. &#8220;Na \u00e9poca, ao ler aquilo, eu achei correto.&#8221;\n<\/p>\n<p>Tanto que o historiador foi um dentre a imensa maioria de sua gera\u00e7\u00e3o que contava essa vers\u00e3o nas salas de aula, quando professor de col\u00e9gios em S\u00e3o Paulo.\n<\/p>\n<p>&#8220;Eu ensinei isso&#8221;, admite. &#8220;Lembro-me que tinha um aluno brilhante que, no final de uma aula, me perguntou: mas, professor, se a Inglaterra queria acesso ao mercado paraguaio e fez a guerra para ter esse acesso, qual era a l\u00f3gica de destruir esse mercado?&#8221;\n<\/p>\n<p>O revisionismo que trouxe \u00e0 tona essa narrativa, na \u00e9poca, tinha um foco: desmoralizar os militares que autoritariamente chefiavam o pa\u00eds. E, de quebra, criticar a influ\u00eancia imperialista de for\u00e7as estrangeiras.\n<\/p>\n<p>&#8220;No momento hist\u00f3rico em que aquilo foi escrito, em pleno regime militar, os setores democr\u00e1ticos da sociedade tinham perdido o espa\u00e7o&#8221;, contextualiza.\n<\/p>\n<p>&#8220;De repente apareceu um livro que dizia que o Caxias, que \u00e9 o patrono do ex\u00e9rcito brasileiro, tinha feito crimes de guerra praticamente, mandando jogar cad\u00e1veres col\u00e9ricos no rio Paraguai para contaminar tropas paraguaias&#8221;, comenta Doratioto. &#8220;O livro desmoralizava os \u00edcones do regime militar. Dava \u00e0 guerra ideol\u00f3gica uma vantagem contra o regime militar.&#8221;\n<\/p>\n<p>Nesse exemplo trazido pelo historiador, a narrativa \u00e9 de que o marechal Lu\u00eds Alves de Lima e Silva (1803-1880), o Duque de Caxias, que comandava as tropas brasileiras no Paraguai, teria determinado que os corpos daqueles que haviam morrido por uma epidemia de c\u00f3lera que matou 4 mil de seus soldados fossem jogados no rio Paraguai, nos arredores de Humait\u00e1, para que contaminassem os soldados paraguaios entrincheirados a quil\u00f4metros ali, em uma guerra biol\u00f3gica.\n<\/p>\n<p>Mas Doratioto aponta contradi\u00e7\u00f5es: a primeira, de cunho geogr\u00e1fico. O sentido em que corre o rio \u00e9 contr\u00e1rio ao que faria sentido nessa narrativa. &#8220;Os cad\u00e1veres nadaram contra a corrente? Isto \u00e9 absurdo&#8221;, provoca o historiador.\n<\/p>\n<p>O outro \u00e9 o fato de que os militares tinham o costume de queimar ou enterrar os que morriam durante as campanhas. &#8220;Como era uma regi\u00e3o pantanosa, a \u00e1gua do rio acabou contaminada. E isso provocou a epidemia que matou ainda mais soldados brasileiros&#8221;, explica ele.\n<\/p>\n<p>Em carta destinada \u00e0 mulher, Caxias lamentou que havia perdido &#8220;um ex\u00e9rcito&#8221; antes mesmo de entrar em combate, j\u00e1 que quase 4 mil soldados brasileiros morreram de c\u00f3lera no epis\u00f3dio.\n<\/p>\n<p>Outro problema da narrativa difundida por Chiavenato foi pintar o Paraguai como um pa\u00eds em outro patamar de desenvolvimento, com industrializa\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada, ferrovias e uma sociedade baseada na justi\u00e7a social.\n<\/p>\n<p>&#8220;Ind\u00fastria pesada no Paraguai em 1864? Praticamente n\u00e3o existia. Tinha uma fundi\u00e7\u00e3o. Protossocialismo? Como protossocialismo? Era uma estrutura de explora\u00e7\u00e3o do campon\u00eas que colhia erva-mate e mesmo pela l\u00f3gica marxista havia uma, entre aspas, mais-valia apropriada pelo Estado paraguaio do campon\u00eas&#8221;, exemplifica.\n<\/p>\n<p>Para Doratioto, a ideia de mirar no imperialismo ingl\u00eas e vilaniz\u00e1-lo pelas crueldades da guerra tamb\u00e9m encontra justificativa no cen\u00e1rio da ditadura. A esquerda ideol\u00f3gica brasileira tinha como inimigo o imperialismo norte-americano, pois os Estados Unidos financiaram o golpe de 1964 e eram apoiadores dos governos militares. Assim, mudava-se o protagonista, mas havia uma mesma sem\u00e2ntica para configurar o &#8220;inimigo&#8221;.\n<\/p>\n<p>Se essa vers\u00e3o revisionista da hist\u00f3ria se tornou popular no Brasil por conta da esquerda, o curioso \u00e9 que na Argentina ela se consolidou pela direita.\n<\/p>\n<p>&#8220;[No pa\u00eds vizinho, essa narrativa] \u00c9 basicamente o pensamento autorit\u00e1rio da direita xen\u00f3foba que vem desde as d\u00e9cada de 1920 e 1930, um pensamento que se constr\u00f3i contra os ingleses, contra o imperialismo ingl\u00eas&#8221;, afirma. &#8220;E no Brasil ele \u00e9 reciclado frente a um sentimento anti-Estados Unidos.&#8221;\n<\/p>\n<p><strong>Por que a guerra?<\/strong><br \/>Desde a sua independ\u00eancia, em 1811, o Paraguai vivia uma situa\u00e7\u00e3o at\u00edpica. Encurralado e sem acesso ao mar, tinha dificuldade para escoar internacionalmente seus produtos \u2014 erva-mate e madeira, basicamente.\n<\/p>\n<p>No centro do continente e sem oferecer as riquezas que eram importantes no mundo colonial, ou seja, metais preciosos, o Paraguai j\u00e1 havia experimentado um certo isolamento durante o dom\u00ednio espanhol. Isso impactou na forma\u00e7\u00e3o de sua sociedade.\n<\/p>\n<p>&#8220;Era e ainda \u00e9 a \u00fanica sociedade na Am\u00e9rica do Sul bil\u00edngue, com a cultura guarani entranhada na cultura do colonizador&#8221;, exemplifica Doratioto.\n<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a popula\u00e7\u00e3o feminina era maior do que a masculina. Isso se dava justamente porque, com a falta de ouro e prata, o territ\u00f3rio acabou se tornando ponto de passagem para o contrabando \u2014 as mulheres se fixavam, mas os homens iam e vinham.\n<\/p>\n<p>Com a independ\u00eancia das antigas col\u00f4nias hisp\u00e2nicas, a elite de Buenos Aires &#8220;tentou se tornar um centro de poder&#8221;, explica o historiador. &#8220;Eles buscavam manter subordinadas a ela todas as prov\u00edncias do antigo Vice-reino do Rio da Prata, ou seja, Uruguai, Bol\u00edvia e Paraguai&#8221;, diz ele.\n<\/p>\n<p>O Paraguai se recusou e acabou sozinho.\n<\/p>\n<p>No comando do pa\u00eds estava o ditador Gaspar de Francia (1766-1840). &#8220;Ele estabeleceu uma ditadura impressionante, quase surrealista&#8221;, analisa Doratioto. &#8220;Para se ter uma ideia, ele rompeu com Roma e estabeleceu uma Igreja Cat\u00f3lica pr\u00f3pria. E proibiu casamento interculturais, prendeu parte da elite\u2026&#8221;\n<\/p>\n<p>O isolamento sul-americano s\u00f3 fortaleceu seu regime, pois acabava justificando a necessidade de seu poder autorit\u00e1rio e centralizado.\n<\/p>\n<p>Seu sucessor foi Carlos Antonio L\u00f3pez (1790-1882) que, segundo Doratioto, &#8220;tinha uma vis\u00e3o muito clara da situa\u00e7\u00e3o&#8221; complicada que enfrentava o pa\u00eds. &#8220;Ele tenta abrir o Paraguai, controladamente&#8221;, comenta.\n<\/p>\n<p>Nesse processo, ganhou o apoio do Imp\u00e9rio Brasileiro. Que tamb\u00e9m tinha seus interesses: n\u00e3o queria que a Argentina fosse t\u00e3o poderosa, no xadrez geopol\u00edtico que se desenhava na Am\u00e9rica do Sul.\n<\/p>\n<p>L\u00f3pez decidiu criar uma elite preparada em seu pa\u00eds. Financiou o envio de duas dezenas de jovens para estudar na Europa, contratou uma empresa inglesa para representar os interesses paraguaios junto \u00e0s grandes pot\u00eancias e come\u00e7ava a investir em material b\u00e9lico. Ele tamb\u00e9m contratou t\u00e9cnicos ingleses para fazer obras pontuais de infraestrutura em seu territ\u00f3rio.\n<\/p>\n<p>&#8220;Mas o Paraguai era um pa\u00eds agr\u00edcola, n\u00e3o tinha escolas em n\u00edvel superior, tinha apenas uma fundi\u00e7\u00e3o de ferro e uma pequena ferrovia que ligava Assun\u00e7\u00e3o a um acampamento militar e que foi a terceira da Am\u00e9rica Latina&#8221;, aponta.\n<\/p>\n<p>A moderniza\u00e7\u00e3o experimentada pelo Paraguai, segundo o historiador, tinha finalidades apenas militares, de defesa. N\u00e3o visava a uma sociedade igualit\u00e1ria ou \u00e0 justi\u00e7a social.\n<\/p>\n<p>Com sua morte, a presid\u00eancia foi assumida pelo filho, Francisco Solano L\u00f3pez (1827-1870). Que, menos pragm\u00e1tico do que o pai, acabou sendo o autor da declara\u00e7\u00e3o de guerra que tornaria o conflito entre os pa\u00edses sul-americanos inevit\u00e1vel.\n<\/p>\n<p>De acordo com o historiador Moniz Bandeira, a motiva\u00e7\u00e3o do conflito foi de natureza econ\u00f4mica. Naquela d\u00e9cada de 1860, o isolado Paraguai estava sem caixa para continuar o t\u00edmido por\u00e9m calculado projeto de moderniza\u00e7\u00e3o empreendido pelo L\u00f3pez pai.\n<\/p>\n<p>&#8220;Para aumentar as exporta\u00e7\u00e3o, o Paraguai precisava achar uma sa\u00edda para o mar&#8221;, resume Doratioto. O historiador, contudo, comenta que mesmo se esse acesso fosse poss\u00edvel o pa\u00eds teria dificuldades. &#8220;Era um pequeno pa\u00eds de agricultura de t\u00e9cnicas medievais. E nenhum agricultor [paraguaio] tinha interesse em produzir mais para a exporta\u00e7\u00e3o. Eram agricultores de subsist\u00eancia, em um n\u00edvel muito baixo.&#8221;\n<\/p>\n<p><strong>O investimento ingl\u00eas<\/strong><br \/>Um dos achados de Doratioto que indicam que a Gr\u00e3-Bretanha n\u00e3o queria uma guerra na Am\u00e9rica do Sul \u00e9 uma carta do diplomata Edward Thornton, ent\u00e3o o embaixador brit\u00e2nico na Argentina e no Paraguai \u2014 baseado em Buenos Aires, j\u00e1 que Assun\u00e7\u00e3o n\u00e3o contava com este posto.\n<\/p>\n<p>Dirigindo-se ao chanceler paraguaio Jos\u00e9 Berges, o ingl\u00eas escreveu que &#8220;a Inglaterra tamb\u00e9m est\u00e1 em atritos com o Brasil&#8221; e que &#8220;particularmente sim, se puder servir, no m\u00ednimo que seja, para contribuir para a reconcilia\u00e7\u00e3o dos dois pa\u00edses [Paraguai e Brasil], espero que Vossa Excel\u00eancia n\u00e3o hesite em me utilizar&#8221;.\n<\/p>\n<p>A carta \u00e9 datada de 7 de dezembro de 1864, cinco dias antes da declara\u00e7\u00e3o de guerra emitida pelo governo paraguaio.\n<\/p>\n<p>Um dos principais pontos da historiografia revisionista \u00e9 dizer que a prova do interesse e do envolvimento ingl\u00eas seria o fato de que houve financiamento da pot\u00eancia europeia nas campanhas brasileira e argentina que acabariam dizimando metade do Paraguai.\n<\/p>\n<p>De fato, esses empr\u00e9stimos ocorreram. Mas Doratioto tem argumentos para contextualizar esse fato. &#8220;A l\u00f3gica do capital n\u00e3o tem nacionalidade nem patriotismo. O capital est\u00e1 em busca de remunera\u00e7\u00e3o e garantia&#8221;, pontua. &#8220;Banqueiros ingleses emprestaram para o Brasil e para a Argentina, claro. V\u00e3o emprestar para o Paraguai, um pa\u00eds isolado no interior do continente, sem acesso ao mercado externo, sem ouro e fazendo guerra contra tr\u00eas pa\u00edses por iniciativa pr\u00f3pria?&#8221;\n<\/p>\n<p>Ele ainda lembra que esse financiamento ingl\u00eas nem foi t\u00e3o representativo como se imagina para o lado brasileiro da guerra. Segundo o historiador, cerca de 12% das despesas de guerra do Brasil foram bancadas com empr\u00e9stimos estrangeiros, apenas.\n<\/p>\n<p><strong>Viol\u00eancia militar<\/strong>\n<\/p>\n<p>Sobre as atrocidades da guerra cometidas por Duque de Caxias e suas tropas, Doratioto concorda que elas foram ressaltadas para manchar a imagem do patrono do ex\u00e9rcito no contexto da ditadura. Mas ele as confirma.\n<\/p>\n<p>Em seu livro, por exemplo, o historiador conta que os combatentes brasileiros chegaram a matar crian\u00e7as que se passavam por soldados nas trincheiras paraguaias.\n<\/p>\n<p>&#8220;Guerra \u00e9 sempre uma selvageria. As acusa\u00e7\u00f5es contra o Caxias fazem parte de uma dial\u00e9tica da guerras: todos os chefes militares em combate deram ordem para matar, at\u00e9 a Segunda Guerra vencia uma guerra quem matava mais&#8221;, argumenta.\n<\/p>\n<p>Doratioto avalia que a figura hist\u00f3rica do Duque de Caxias &#8220;at\u00e9 hoje n\u00e3o foi suficientemente explorada pelos historiadores&#8221;. E entende que &#8220;desmoraliz\u00e1-lo&#8221;, na \u00e9poca da ditadura, &#8220;era desmoralizar o regime militar&#8221;.\n<\/p>\n<p>Fonte: BBC News              <\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/diariodobrasilnoticias.com.br\/noticia\/guerra-do-paraguai-160-anos-descobertas-que-desafiam-o-que-a-escola-ensinou-sobre-o-conflito-sangrento-675b34273add2\">Source link <\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao longo de pelo menos duas d\u00e9cadas, a maior parte dos estudantes brasileiros aprendeu uma hist\u00f3ria errada sobre a Guerra do Paraguai, o maior e mais sangrento conflito armado internacional&hellip;<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":75460,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"content-type":"","footnotes":""},"categories":[16],"tags":[123,2448,5313,1267],"class_list":["post-75459","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-brasil","tag-diario","tag-noticia","tag-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75459","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=75459"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75459\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":75461,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75459\/revisions\/75461"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/75460"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=75459"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=75459"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvbrazilusa.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=75459"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}